Memórias no Tempo

Acontecimentos, Factos e Registos em Loriga de outras eras


Registar a História é uma cadeia de solidariedade no tempo e um abraço das gerações que nos faz conviver com os que já viveram.
Registos da Vila de Loriga em tempos há muito passados:

I - Loriga no Ano de 1931 *

Santa Maria Maior (a 42 Km da estação férrea de Nellas e a 22 Km de Ceia, sede de concelho. J.P.. Altitude 741 metros - População: 2.488 habitantes. C.Postal - 3 - T.P a L. A 65 Km de Viseu, 95 Km da Guarda e 120 Km de Coimbra.
É a primeira e a mais importante freguezia do Concelho e uma das principaes do districto da Guarda, pela sua população, commercio, industria e riqueza precuária; no fabrico de laníficios, empregando diariamente cêrca de mil operários de ambos os sexos. N`esta freguezia se fabrica o conhecido queijo Serrano.

Possue os seguintes templos:- Santa Maria Maior (Matriz); Santo António; Nossa Senhora da Guia; Nossa Senhora do Carmo; São Sebastião e Auxiliadora.
Tem minas de volfrâmio, ferro, estanho, e arsénico, descobertas, mas não exploradas. Por emquanto é o terminus da estrada districtal que há-de ligar Viseu à Covilhã, estabelecendo communicação, directa entre os dois districtos. Está projectada uma estrada de penetração para a Serra e um funicular electrico, quando aproveitadas as quedas d´agua de Loriga. Possue seis artisticos chafarizes publicos mandados construir pela colónia loriguense de Manaus (Brasil-Amazonas) e é iluminada à electricidade.
Carreiras diárias de luxuosas camionetas entre Loriga, Nelas e Viseu.

***

-Abegoarias (Proprietarios de):-António Duarte Leitão; António Lapeiro.
-Agências Bancárias:-Banco Aliança; Borges & Irmão, José Henriques & Totta, Limitada, José Moura Pina & Filho; J.M. Fernandes Guimarães & C. Limitada, José Luiz Duarte Pina & Irmãos; Banco Nacional Ultramarino, Lisboa & Açores, Espirito Santo, Banco do Minho e Borges & Irmão, António Gomes Leitão & Filho.
-Agências Seguros:-Accidentes de trabalho, Emilio R.Leitão; Mundial; António G. Leitão& Filho; Portugal Previdente e Lisbonense, José Moura Pina & Filho.
-Alambiques:-José Cabral; José Mendonça Gouveia Cabral.
-Almocreves:-Elisa de Jesus; José Alves de Oliveira; Vicente de Jesus.
-Alfaiates:-António de Brito Pereira; Francisco Martins de Clara; José Fernandes Urtigueira; Placido Pinto Luis dos Santos.
-Annuario Commercial de Portugal:- correspondente, Carlos Cabral Leitão.
-Apicultura mobilista:-António Cabral Leitão.
-Armador de Igrejas:-José Fernandes de Brito.
-Artigos Photographicos:-Francisco Manazes.
-Automóveis (Aluguer de):-Garage Commercio e Industria; Garage Estrella Leitão & Irmãos.
-Avicultura:-Carlos Santos; José Bonito & C.; José Lemos de Moura.
-Azeite (Negociantes de):-José Alves de Oliveira; José Lages; Natividade do Fidão; Vicente de Jesus.
-Azeite (Productores de):-António Cabral (Herdeiros de); António Cabral Leitão; António Cardoso de Moura.
-Azenhas:-António Cabral (Viuva de); António Gomes Leitão; António Lopes Canhão; António Cardoso de Moura; Elisa Cecilia; Joaquim Fernandes Gomes, Joaquim Lucas.

-Barbeiros:-Francisco do Senhor; Joaquim Alves Simão Junior; José Farias, Filho.
-Cabedaes:-José Luiz Lages Junior.
-Cabo d`Ordens:-José Amaro de Brito.
-Calçado de ourelo (Fabricante de):-Libania Pereira.
-Carnes frescas (Açougueiros):-Francisco Gomes; José Cardoso de Pina; José da Costa; José Fernandes de Brito.
-Carpinteiros:-Abilio Pires Figueiredo; Francisco Augusto; Manuel António Mendes.
-Cereais e Legumes:-José Diniz; Augusto Pinto das Neves; Francisco Gomes; Joaquim Nunes Luiz Junior; José de Moura Pina & Filho.
-Chá e Café:-José de Moura Pina & Filho.
-Chapeus:-António Gomes Leitão & Filhos; António Luiz Duarte Pina & Irmãos; António Pinto Caçapo; Felismina Simões & Filho; José Lages Junior.
-Cinematographo:-Salão Viriato.
-Conservas:-António Mendes Luiz d`Abreu.
-Correio:-Chefe da estação telegrapho-postal, Lucinda Direito.
-Correio:-Distribuidor, José Fernandes de Brito.
-Drogas e tintas:-João Velloso.
-Escolas Primarias officiaes (Professores):-Alice d`Almeida Abreu; Irene d`Almeida Abreu; Pedro d`Almeida.
-Electricista:-António Pedro.
-Fazendas:-António Gomes Leitão & Filho; António Luis de Brito Inácio & C.;. António Pinto Caçapo; Felismina Simões de Moura; José Diniz; José Mendes Simão; Libania Pereira; Luciano Simões.
-Ferragens:-António Luis Duarte Pina & Irmãos; Manoel de Jesus Pina.
-Gados (Creação de):-Vacum, lanigero e caprino (Vide proprietários).
-Garage de automoveis de aluguer:-Garage Commercio e Industria;Garage Estrella, Leitão & Irmão; José Bonito & C.
-Gazolina (Deposito de):-Carlos Cabral Leitão; José de Moura Pina & Filho; Leitão e Irmão.
-Guia da Serra:-Emygdio Moço.
-Horticultores (Fornecedores de generos de):-Augusto Luis Mendes & C.
-Hospedarias:-Joaquim Fernandes Gomes; José Fernandes Brito (Pensão)
-Hotel:-José Lemos de Moura
-iIluminação:-Empresa Hidro-Electrica da Serra da Estrela, representante, Antonio Pedro.
-Julgado da Paz, Juiz de paz:-Pedro d`Almeida.
-Escrivão:-Joaquim de Moura Simão Junior.
-Lanificios (Fábricas de):-Antonio Cabral, Sucessores; Augusto Luiz Mendes & C. Limitada; Leitão & Irmãos; Moura Cabral & C.; Manoel Gomes Leitão & Filho; Pina,Nunes & C..
-Lanificios (Fabricantes de):-Alfredo Mendes Cabral; Antonio Luiz Duarte Pina; Antonio Nunes Luiz; Carlos Nunes Cabral; José Lages; Pina & Simão.
-Latoeiros:-João Apparicio de Carvalho; José Fernandes Mendes.
-Louça:-Antonio Luiz de Brito Ignacio & C.; Antonio Luiz Duarte Pina & Irmãos; Antonio Pinto Caçapo: Felismina Simões & Filho; Manoel de Jesus Pina.
-Louça esmaltada:-Antonio Luiz de Brito Ignacio; Manoel de Jesus Pina.
-Machinas de costura (Deposito de):-Antonio Gomes Leitão & Filho.
-Madeiras (Deposito de):-Antonio Mendes Cabral
-Marceneiro:-Antonio Pires Figueiredo
-Médico:-Dr. Antonio Gomes.
-Mercearias:-Alexandre Moura; António G. Leitão, & Filho; António Luis de Brito Inácio, & C.;Antonio Luiz Duarte Pina & Irmãos; António Pinto Caçapo; Arthur Dias; Antonio Pinto Neves; Felismina Simões & Filho; Francisco Gomes; José de Almeida (Viuva de); José Lages; José Memdes Pina; José Mendes Simão; José Moura Pina & Filho (armazem); Libania Pereira; Luciano Simões; Manoel Mendes Luiz d`Abreu (Viuva de); Seraphim Lopes Cardoso (Viuva de); Vicente Joaquim.
-Minas de estanho:-Companhia das Minas do Malhão.
-Miudezas:-António Gomes Leitão & Filho; Antonio Luiz Brito Ignacio & C.; Antonio Pinto Caçapo; Felismina Simões & Filho; José Mendes Simão; Libania Pereira.
-Modas e bordados:-Antonio Gomes Leitão & Filho; Antonio Luiz de Brito Ignacio & C.; Felismina Simões & Filho.
-Modistas:-Maria Thereza Antunes de Moura; Emilia do Conde; Maria do Carmo do Gaudencio; Eduarda Ambrosia.
-Moveis:-Antonio Gomes Leitão & Filho; Felismina Simões & Filho; José Lages.
-Padarias:-António da Costa Neves; Francisco Gomes; Gracinda Mendes de Jesus.
-Papel para embrulho (Deposito de):-José de Moura Pina & Filho.
-Papelarias:-Antonio Gomes Leitão & Filho; António Luiz de Brito Ignacio & C.; Antonio Luiz Duarte Pina & Irmãos; Antonio Pinto Caçapo; Felismina Pinto Caçapo; José de Moura Pina & Filho.
-Parocho:-António Mendes Cabral Lages.
-Parteiras:-Anna Cecilia; Maria Thereza Barona.
-Pedreiros (Mestres d`obras):-Arthur de Brito Amaral; José Machado.
-Peixe fresco:-Francisco Gomes; José Bonito.
-Perfumes:-Pharmacia Manazes.
-Petrechos de caça:-Manoel Mendes Luiz d`Abreu.
-Pharmácia-Popular:-Thomaz Manazes.
-Pintor:-João Velloso.
-Pneus e accessorios:-José de Moura Pina & Filho.
-Postaes illustrados:-Felismina Simões & Filho; José de Moura Pina & Filho; Leitão & Irmãos.
-Proprietários:-António Cabral (Herdeiros de); Antonio Elias; Antonio Fernandes Gomes; Antonio Gomes Leitão; António Gomes Luiz; Antonio Lopes Vide; Antonio Luiz Banco; Antonio Luiz Brito Ignacio & C.; Antonio Mendes Gouveia Cabral; Antonio Moura Romano; Antonio Pinto Luiz; Augusto Gomes Lages; Augusto Gomes Leitão; Augusto Luis Mendes (Herdeiros de); Augusto Luis Mendes Junior; Augusto Pereira dos Santos; Emygdio Santos Manuelito; José Luiz Alfaiate; João Mendes Velloso; Joaquim Gomes Pina (Viuva de); Joaquim Lucas; José Gomes; José Gomes Luiz Lages; José Gomes Luiz Pina; José de Lemos; José Luiz Duarte Pina; José Macedo; José Mendes Abreu (Herdeiros de); José Mendes Cabral; José Monteiro; José de Moura Pina; José de Moura Galvão; José Nunes Luiz; José de Pina Pires; José dos Santos Furtado; Manoel Dias Aparicio; Manoel Gomes Lages; Manuel Gomes Leitão; Manoel de Jesus Pina; Manoel Mendes Luiz Abreu; Manoel dos Santos Silva.
-Queijos (Produtores de):-José Alfaiate; José Alfaiate (Filho); Manoel Correio.
-Regedor:-Luciano Mendes Cabral Lages-Substituto:-Alfredo Nunes Luiz.
-Registo Civil (Posto de):-Ajudante, Pedro de Almeida.
-Sociedades de recreio:-Associação Catholica de Operários e Artistas; Sociedade de Defesa e Propaganda de Loriga; Sociedade Philarmonica.
-Relojoaria:-Manuel Alves Galinha.
-Sapatarias:-Antonio de Brito Amaro; Antonio Fernandes Gomes; Antonio Lourenço; Emilio João de Brito; José Cardoso de Pina; José Fernandes de Brito.
-Saúde Pública (Sub-inspector):-Dr. António Gomes.
-Serralharia:-Loriguense
-Tabacos:-José Lages; José de Moura Pina.
-Tamancos e Chancas (Depositarios de):-Antonio Gomes Leitão & Filho; António Pinto Caçapo; Felismina Simões & Filhos; José Diniz; José Fernandes Conde; José Moura Pina Fernandes; Manoel de Jesus Pina.
-Vidraria:-Luiz de Brito Ignacio & C.
-Vinhos (Produtores de):-Amalia Nunes de Pina; Antonio Cabral (Viuva de); Antonio Cabral Leitão; Antonio Cardoso de Moura; Padre Antonio Mendes Lages; Carlos Luiz Mendes; José de Mendonça Cabral; José Tapora; Manoel Gomes Leitão; Matheus Moura Galvão.
-Vinhos (A retalho):-Alexandre Moura; Arthur Dias; José Diniz; José Mendes de Pina; Manoel Jesus Pina; Manoel Mendes Luiz d`Abreu; Vicente Joaquim.

* (Esta Transcrição foi escrita na integra, tal como se escrevia na época)

(Registado aqui - Ano de 2003)


II -Loriga no Ano de 1942

É a primeira e a mais importante freguesia do concelho de Seia e uma das principais do Distrito da Guarda, pela sua população, comércio, industria e riqueza pecuária no fabrico de lanifícios, empregando diariamente cerca de mil operários de ambos os sexos. Nesta freguesia se fabrica o conhecido queijo da serra.
Altitude 741 metros. População 3.040 habitantes. Possui os seguintes templos:- Santa Maria Maior (Matriz); Santo António; Nossa Senhora da Guia; Nossa Senhora do Carmo; São Sebastião e Auxiliadora.
A 42 Km da estação férrea de Nelas, a 22 Km de Seia, sede de concelho, a 65 Km de Viseu, 95 Km da Guarda e 120 Km de Coimbra.
Tem minas de volfrâmio, estanho, ferro e arsénio. Tem artísticos chafarizes públicos mandados construir pela colónia loriguense de Manaus (Brasil-Amazonas) e é iluminada à electricidade - voltagem 220 Kv.
Carreiras diárias de luxuosas camionetas entre Loriga, Nelas e Alvôco da Serra, aos sábados

***

-Agências Bancárias:-Borges & Irmão António Pinto Caçapo; Credit Franco Portugais, Soto-Maior, Lisboa & Açores, Espirito Santo e Comercial de Lisboa; António Gomes Leitão Sucessor; Banco Nacional Ultramarino, António Cardoso Moura; Banco Aliança e Cupertino de Miranda & C., Carlos Nunes de Pina; J.M. Fernandes Guimarães & C., António Luis Duarte Pina & Irmãos.
-Alfaiates:-
Àlvaro Mendes Simão; António de Brito Pereira; António de Pina Pires; Carlos Fernandes Urtigueira; Plácido Pinto Luis dos Santos; José Fernandes Urtigueira..
-Apicultores:-
António Cabral Leitão; Augusto de Brito Braga.
-Armador de Igrejas:-
António de Moura Pina.
-Automóveis (Aluguer de):-Auto-União Serra da Estrela, Limitada;
Ernesto Duarte Pina; José Bonito.
-Azeite (Produtores de):-
António Cabral (Herdeiros de); António Cabral Leitão; António Cardoso de Moura; Augusto Gomes Leitão; Pedro Vaz Leal; Urbano Ambrósio de Pina.
-Barbeiros:-
Abilio Alves Costa; Francisco Farias.
-Carreiras de Camionetas:-Auto-União Serra da Estrela, Limitada, de
Adelino Pereira das Neves.
-Casas de espectáculos e recreio:-Grupo Desportivo Loriguense; Sindicato Nacional dos Operários da Industria de Lanifícios (Secção de); Sociedade de Defesa e Propaganda de Loriga; Sociedade de Protecção à Escola Popular; Sociedade Recreativa Musical Loriguense.
-Cereais (Negociantes de):-
José Diniz; Manuel de Moura Pina.
-Construção Civil:-
António Gomes de Pina Machado; Fonseca & Felix; João Oliveira & Irmãos; Joaquim Félix & Irmão.
-Correio:-Chefe,
Lucinda Direito.
-Despacho Central, (combinado com a B.A.) Chefe,
Ramiro Henriques Correia.
-Drogarias:-
António Gomes Pina Machado; Manuel Moura Pina.
-Escrivão:-
José Luis dos Santos.
-Fábricas:-
José Lages; Leitão & Irmãos; Augusto Luis Mendes & C. Limitada; Moura Cabral & C.; Nunes Brito & Pina, Irmãos, Limitada; Nunes & Cabral, Sucessor; Pina,Nunes & C..
-Farmácia-Popular:-Directora Técnica,
Amália de Brito Pina.
-Fazendas:-
António Gomes Leitão, Sucessor; António Luis de Brito Inácio & C.;. António Pinto Caçapo; Carlos Nunes de Pina; Felismina Simões de Moura; José Diniz.
-Ferragens:-
António Luis B. Inácio, Sucessor; José Diniz; Manuel de Moura Pina; Pedro Vaz Leal.
-Filarmónica:-Regente,
António Brito Pereira.
-Funerárias:-
António Luis de Brito Inácio, Sucessor; António Pinto Caçapo; António Gomes Leitão, Sucessor.
-Guia da Serra:-
Manuel Pires Figueiredo.
-Iluminação (empresa concessionada):-Empresa Hidro-Eléctrica da Serra da Estrela, representante,
João Pereira.
-Jornais:-Diário de Noticias-
Abílio Alves Costa; Século-Artur Simões de Moura.
-Julgado da Paz:- Juiz,
Alberto Pires Gomes.
-Junta de Freguesia:- Presidente,
António Mendes Cabral Lages.
-Lacticinios-Queijos (Fabricantes de):-
Emídio Correio, José Alfaiate; José Alfaiate (Filho); Manuel Correio.
-Lanifícios (Armazem de):-
António Gomes Leitão & C.; Augusto Luis Mendes & C. Limitada; José Lages; Leitão & Irmãos; Manuel Gomes Leitão & Filho; Moura Cabral & C.; Nunes Brito & Pina, Irmãos, Limitadas.
-Marcenarias:-
António Pires Figueiredo; Joaquim de Andrade.
-Médico:-
Dr. António Andrade.
-Mercearias:-
António G. Leitão, Sucessor; António Luis de Brito Inácio, Sucessor; António Pinto Caçapo; Carlos Nunes de Pina; Felismina S. de Moura; José Diniz; José Vicente Figueiredo; Laura Mozarga; Manuel M. Pina; Maria dos Anjos Antunes; Maria do Carmo Mendes Melo.
-Minas de Volframio e estanho:-
José Lages Júnior; Minas de Loriga, Limitada; Minas do Rombo, Limitada; Sociedade Mineira de Loriga, Limitada.
-Modista:-
Alcina de Almeida Abreu; Elvira de Jesus Pina; Maria Teresa Antunes; Maria Tereza Nunes Amaro; Urbana Ambrósio de Pina.
-Padarias:-
António Alves Galinha; José Lopes Junior; José Maria Pinto.
-Pároco:-
António Mendes Cabral Lages.
-Parteiras:-
Constança de Brito Pina; Maria Gomes Torrozelo.
-Pensão:-
Palmira de Brito Crisóstomo.
-Polvora (Depósito de):-
José Diniz; José Luis dos Santos.
-Professores:-
Alberto Pires Gomes; Irene de Almeida; Alice de Almeida Abreu.
-Proprietários:-
António Cabral (viúva de); António Cabral Leitão; António Cardoso de Moura; António Luis Duarte Pina; António Mendes Cabral Lages; António Mendes Gouveia Cabral; António de Moura Cabral; Augusto Gomes Leitão; Augusto Luis Duarte Pina; Augusto Luis Mendes Júnior; Carlos Cabral Leitão; Carlos Nunes Cabral; Carlos Simões Pereira; Joaquim Gomes Leitão; Joaquim Gomes Pina (viúva de); José Lages; José Luiz Duarte Pina (viúva de); Manuel Gomes Leitão; Maria Helena Cabral Leitão; Pedro Vaz Leal.
-Regedor:-Carlos Simões Pereira.

-Registo Civil (Posto de):-Ajudante,
Alice de Almeida Abreu.
-Sapatos de Ourelo (Fabricantes de):-
Amélia Moura Pina; Amélia Pinto Urtigueira; Eduarda Martins Ferrito; Laura de Almeida; Teresa Alves.
-Saúde Pública, Subdelegado:-
Dr. António Andrade.
-Seguros:-Manheimer e Sociedade Portuguesa de Seguros-
António João de Brito Amaro; Nacional e a Pátria-Carlos Nunes Cabral; Acidentes de Trabalho-Emílio R. Leitão; Mundial-António Gomes Leitão, Sucessor; Portugal Previdente-António Fernandes Carreira.
-Serralharias Mecanicas:-
Pedro Vaz Leal; Joaquim Augusto Correia.
-Tabacos (Depósito de):-
José Luiz dos Santos.
-Talhos:-
Adriano do Amaral; Alexandre Jorge Moura; José Luiz dos Santos Firminio.
-Turismo:-Sociedade Defesa e Propaganda de Loriga.

(Registado aqui - Ano de 2001)


Recortes da Emigraçao
- o "Salto"

Os finais da década de 1950 e principio da década de 1960, está ainda na memória de muitos de nós, quando ainda eramos crianças e a vivermos nas nossa vilas e aldeias do interior, ao nos apercebermos que algo de novo acontecia e dominava as conversas no seio das famílias, mas também nos barbeiros e tabernas, com a noticia da partida deste e daquele, desses que, pela calada da noite e em absoluto segredo, desapareciam com destino à França "a salto", como se dizia.
Sem dúvida que foi um dos recortes da história da emigração portuguesa que mais pareceu marcar uma geração, com a emigração clandestina principalmente de Portugal para a França, a ser uma verdadeira realidade, clandestinidade que vulgarmente se passou a conhecer por o
"Salto", marcando uma população em autenticas aventuras e onde os "engajadores" ou "passadores" tiveram um papel fulcral na saída de muitos portugueses, que faziam passar nas fronteiras para países prometidos de melhor vida.
Eram tempos que sair do nosso país era delito, que mais se acentuava quando dependia da idade e circunstâncias, por isso, se poderá compreender da utilização dos meios ilegais da clandestinidade a que muitos se sujeitavam, na esperança de uma vida melhor para lá dos Pirinéus. Na altura, não era fácil a saída da mão-de-obra do nosso país pelos meios legais, que mais complicado se tornava quando se era de localidades industriais, como era por exemplo Loriga.

Estando os países europeus para lá do Pireneus em grande desenvolvimento, a França para os portugueses era um horizonte onde a perspetiva de conseguir aquilo que a suas próprias terras parecia não lhes poder proporcionar, ou seja uma melhor remuneração ou mesmo uma outra independência económica e acima de tudo uma vida melhor para os seus familiares, Portugal vivia num circulo fechado ao mesmo tempo isolado dos restantes países, a sua população não era dona da sua própria liberdade, o progresso era lento, o poder económico e social não abrangia a maioria do povo, ao se ter em conta que o poder se concentrava apenas em alguns e que lhes interessava o sistema.
Quanto ao potencial interessando nessa aventura, tudo era planeado com o maior secretismo possível, por isso, na maioria das vezes só se saber quando o
"Salto" era dado ou mesmo já quando se encontravam por terras de França. Eram na realidade autênticas aventuras sendo também preciso muita coragem, a saída clandestinamente do país, sem Passaportes, nem vistos, sem contratos de trabalho, nem amigos à espera. Eles partiam, hoje um, amanhã outro, homens, só homens ao começo depois também algumas mulheres.
Já depois em França procuravam trabalho e também a prioridade de arranjar
"papeis", que lhes permitiria depois voltar legalmente a Portugal (sem medo de serem presos ao atravessarem as fronteiras) para verem a família.
Passaram-se então a conhecer as histórias de quem teve de andar a monte a fugir à guarda em Portugal e na Espanha, ou muitos daqueles que só conseguiram chegar ao destino, graças à muita fantasia dos
"passadores" mais experientes e espertos, que os levavam em todo o tipo de transportes de cargas, escondidos no meio de mercadorias declaradas.
Na maioria das vezes essas viagens de autenticas aventuras, tanto poderiam demorar poucos dias como até 20 ou mais, como poderiam também ser
"encerrados" na lona de uma velha camioneta sem água e sem comida, como poderia ser uma viagem a maior parte a pé, como poderia ser uma viagem normal, como poderiam ter de andar sempre escondidos como animais, assim como, poderem ter a chegada a determinado destino ou não chegarem vindo por acabar de serem detidos pelas autoridades, como poderiam também, ser apenas uma mão cheia de pessoas, ou serem grandes grupos, enfim, uma infinidade de circunstâncias a que se poderá juntar os caminhos muitas das vezes difíceis e perigosos em que muitos até perderam a vida.

Percursos por trilhos desconhecidos

Esta emigração clandestina do chamado "Salto" apesar de nunca ter sido reconhecido, foi também uma autêntica revolução que modificou culturas, mentalidades e outra forma de viver em muitas localidades desfavorecidas, principalmente do interior. O potencial candidato a este meio de emigração clandestina passava acima de tudo a ser um aventureiro, que começava mesmo pela viagem que tinham pela frente e que eram realmente de autenticas aventuras para chegarem às terras de França e assim alcançado o objetivo, que ao serem então "largados" passavam a partir dali entregues aos seus próprios destinos e se muitos a sorte logo os protegeu outros não tendo essa melhor sorte, podiam muito bem ver adiado melhores dias

Por terras desconhecidas à procura de uma melhor vida

Todo aquele com o pensamento de emigrar, parecia apenas se concentrar na ideia de lá longe terem uma vida melhor e conseguirem também adquirir a casita que tanto ambicionava, por isso mesmo viam no "Salto" o meio de conseguirem ter tudo isso, na maioria dos casos não tendo posses para pagarem a quantia pedida pelos "engajadores" se empenhavam, pedindo dinheiro emprestado ou mesmo vendendo a vaca ou a lameira ou mesmo outros géneros, na esperança de a curto prazo poder ter bastante dinheiro e poder ver compensado todo esse sacrifício que começava a fazer.
No meio da engrenagem desta emigração do
"Salto" sobressaia a existência de um sistema marcante, com os mais variados truques, entre o "passador" e a família do potencial emigrante. O mais comum era aquele conhecido, como o método truque da "fotografia rasgada" muito utilizado quando metia por meio diversos "passadores", assim, uma fotografia era rasgada em duas partes, ficando uma em poder do "passador" inicial ou mesmo na posse da família do emigrante e outra parte era levada por este, que se encarregava de entregar ao segundo "passador" que os levava por terras espanholas e depois de estarem já no local do destino ou seja as terras de França, este "passador" ao regressar e de posse dessa metade da fotografia, recebia então a restante quantia para completar o pagamento, como tinha sido previamente combinado.
Como se disse os "engajadores" ou
"passadores" tiveram um verdadeiro papel de relevo nesta emigração clandestina, ao fazerem passar nas fronteiras para países prometidos de melhor vida, milhares de portugueses. Muitos deles normalmente de localidades da raia de Espanha, eram grandes conhecedores dos muitos trilhos e caminhos, bem como, muito habituados a movimentarem-se por terras espanholas mesmo até na travessia da fronteira francesa.
Se muitos recordam que os
"passadores" eram vistos como "pessoas de bem" que a troco de um determinado pagamento, que muitas das vezes nem sempre lhes "compensava os trabalhos passados" para levarem até ao fim o que tinha então sido previamente combinado, o mesmo não se poderá dizer dos muitos fraudes, enganos e vigarices em que muitos emigrantes caíram, muitas das vezes acabando mesmo de conhecer prisões e por conseguinte o inevitável agravamento das suas vida e das suas próprias famílias.
Hoje muitos ainda desses antigos
"passadores" e esses muitos emigrantes, recordam esses tempos e essas aventuras passadas e apesar de terem sentido na pele o sacrifício a perseguição e até prisão, ainda se ouve das suas vozes dizer "valeu a pena" por verem em terem contribuído para a evolução e desenvolvimento das terras praticamente esquecidas e acima de tudo por as pessoas terem melhorado as suas vidas.

São alguns os loriguenses, que já nos contaram também as suas aventuras e que fizeram parte dessa emigração do "Salto", contam como os "passadores" vinham a Loriga, normalmente à noite, movimentavam-se pelas tabernas. Com muito segredo era combinado o preço a pagar, o modo, o local e o meio de transporte. A partida era sempre de noite, começando logo ali a aventura. Quanta vezes esperaram horas e horas escondidos na estrada, entre o "Vicente" e Ponte do "Zé Lages" ou entre o "Portugal" e Senhora da Guia Nova, à espera da chegada de uma velha camioneta de carga com lona, que os vinham recolher, que muitas das vezes só aparecia já muito perto da madrugada.

(Registado aqui - Ano de 2013)


1960 - Um Domingo trágico em Loriga

Foi no dia 11 de Dezembro de 1960, era o segundo domingo desse mês que parecia ser igual a muitos outros. O sol nasceu risonho e a vida quotidiana em Loriga tinha começado, a maioria das pessoas dirigiase para a missa das 11h00 enquanto outras nomeadamente as donas de casa (que já tinham assistido à primeira missa) preparavam-se para fazer as lidas de casa e o almoço.

Pouco depois da 11h00 e quando muitas das mulheres já estavam a começar a preparar o almoço, falta a luz em Loriga, que foi demorando algum tempo até novamente voltar. A senhora Maria dos Anjos Lopes de Brito mais conhecida pela "Tia dos Anjos da Ramalha" na sua casa situada no Largo Dr. Amorim da Fonseca, estava nesse momento a cozer grão para fazer a sopa, normalmente a sopa do domingo em quase todas as casas.
Como demorava a vir novamente a luz a senhora dos Anjos, resolveu acender o fogão a petróleo para adiantar e mesmo antes que o grão
encarolace, só que colocou o fogão a petróleo por cima do fogão eléctrico, esquecendo-se de desligar este. Entretanto voltou a luz a "Tia Ramalha" continuava a sua lida na cozinha não se apercebendo que a luz tinha voltado.
Costuma-se dizer que é o destino e a sina de cada um, o que é certo e quando o fogão a petróleo aquece dá-se uma tremenda explosão que abalou as casas vizinhas e seguindo-se até um foco de incêndio. Ao primeiro embate as pessoas ficarem aterradas sem saber o que se tinha passado, foi quando vêm sair de dentro da casa a
"Tia Ramalha" completamente queimada ainda como que o corpo arder mas ainda com algumas forças para conseguir chegar à rua.
De imediato os mais corajosos correram até ela com mantas ao mesmo tempo que caia ao chão, enquanto outros apagavam o foco de incêndio na casa. Ocorreram entretanto outras vizinhas com lençóis com que embrulharam o corpo da senhora do Anjos gravemente queimado e logo alguém com carro ali perto se prontificou levá-la para o consultório do Dr. Mineiro situado na escada que dá aceso à "
Rua Escura", enquanto outros o foram chamar com urgência á sua residência

A rua encheu-se de gente coincidindo com a saída da missa, comentava-se e lamentava-se o sucedido enquanto o Dr. Mineiro lutava contra o tempo nos curativos ao corpo queimado e tentado por sua vez minimizar o sofrimento à pobre mulher.
O corpo da senhora Maria do Anjos, ficou gravemente queimado com queimaduras profundas que desde logo o diagnóstico era dito de de gravidade. Foi depois levada para casa onde se manteve em estado crítico, vindo a falecer 4 dias depois na tarde do dia 15 de Dezembro, quando não conseguiu mais resistir a todo aquele sofrimento, tinha então 56 anos. O funeral realizou-se no dia seguinte, estava o dia cinzento parecendo triste, com um mar de gente a acompanhar a "Tia Ramalha" até ao cemitério local sua última morada, onde passou a descansar em paz.
A consternação apoderou-se de todos os loriguenses, que durante bastante tempo não poderam esquecer esse tão trágico acontecimento que ficou para muitos gravados na memória. Um domingo trágico em Loriga, que começou parecendo um domingo igual a muitos outros. (Registado aqui - Ano de 2007)


Incêndio na Sede do "Socorro Paroquial"

O Dia de Natal tinha passado como que igual a muitos outros, estava um frio de "rachar" a noite foi tomando conta do dia numa serenidade própria, o povo foi-se deitando e adormecendo num aprazível sono reflexo do dia passado em família.
A data de 26 de Dezembro de 1962 tinha acabado de entrar, notando-se aquela habitual acalmia e do povo sereno dormindo, até que cerca da 4 horas da madrugada, são os loriguenses acordados com o sino da torre da Igreja a tocar arrebate e simultaneamente os gritos a se ouvirem
"acudam ao fogo". Num impulso levanta-se o povo com toda a gente a correr na direcção do "Terreiro do Fundo" onde se situava a sede do Socorro Paroquial Loriguense que as chamas devoravam impiedosamente e com muitas pessoas a empreenderem esforços para evitar que o fogo se propagasse aos edifícios limítrofes.

Aglomerou-se grande multidão nas cercanias do "Terreiro do Fundo" olhando aterrados as chamas enormes que não param de destruir todo o imóvel com todo o recheio do "Socorro Paroquial" - aparelho de televisão, telefonia, mobiliário, jogos, etc. - bem como, a casa por baixo e conjunta da senhora D. Maria do Carmo Luís Abreu proprietária, bem como, a sua família de todo aquele imóvel que ali estava a ser consumido pelas chamas.
Choravam e lamentavam-se as pessoas perante tal cenário, impotentes perante tão grandes labaredas que iam devorando tudo. Entretanto, os Bombeiros de Seia já tinham sido avisados e que também se sabia já virem a caminho de Loriga.
Os Bombeiro Voluntários de Seia compareceram na realidade o mais rápido possível, 20 Km. de estrada que levaram cerca de meia hora a percorrer, mas ao chegarem já nada havia a fazer, mesmo assim depois de terem chegado ainda levaram mais de duas horas a extinguir por completo o rescaldo.
Os prejuízos foram avaliados em cerca de duas centenas de contos, lamentou-se profundamente o sucedido, que constitui grave dano para os proprietários do prédio e grande prejuízo para o
"Socorro Paroquial", tendo em conta que nem o edifício da família da senhora D. Maria do Carmo L. Abreu nem o mobiliário da sede do "Socorro Paroquial" se encontravam cobertos pelo seguro.
Nos dias seguintes os comentários sobre o incêndio era tema obrigatório, enquanto uns diziam que tinha sido a causa uma braseira esquecida ainda acesa, onde diziam ter sido o curto-circuito, nunca se chegando a ter uma certeza concreta sobre o que na realidade tinha acontecido.
O que pareceu ficar com mais certeza, foi que em casos tais se reconhecer a grande necessidade de uma delegação de corporação de Bombeiros Voluntários em Loriga, ideia que já há muito era falada e que a partir de então passou a ter mais firmeza, só que depois foi novamente esquecida.
A lição que ficou foi aquele ditado do povo
"depois de casa roubada trancas na porta" quando nos dias seguintes se foi tendo conhecimento de um corrupio de proprietários de prédios ou simplesmente das casas, correrem aos agentes de seguros a porem suas casas asseguradas. (Registado aqui - Ano de 2010)


1971 - Acidente trágico

Nas primeiras horas da manhã, do dia 24 de Setembro de 1971, ocorreu um trágico acidente de viação, que vitimou 3 pessoas e ainda muitos feridos graves e ligeiros. O acidente aconteceu numa curva muito perto de Alvoco da Serra, quando uma carrinha de transporte de operárias, da empresa de malhas Lorilan - Nunes & Comp. Lda. de Loriga, embateu violentamente contra um autotanque da firma de Transportes Jaime Dias, Sucurs, Lda, de Coimbra, que circulava em sentido contrário.

O pequeno autocarro pertencia à fábrica de malhas Lorilan - Nunes & Comp. Lda. de Loriga, e fazia o transporte diário das operárias para a fábrica onde trabalhavam e depois o regresso às suas terras, procedimento habitual como medida recomendada pela própria economia.
Recorde-se que, uma das vítimas mortais, foi Victor Simão Mendes, natural de Loriga, jovem motorista do pequeno autocarro, onde viajavam 21 pessoas todas elas mulheres, na grande maioria jovens, com idades compreendidas estre os 12 e 31 anos.
Na altura, segundo a imprensa escrita, a carrinha ou mini autocarro como queiram chamar vinha superlotado, o que parecia ser habitual, tendo mesmo alguns órgãos da comunicação social avançado, que as pessoas neste mini autocarro vinham autenticamente engaioladas.
Nos finais da década de 60 e também nos anos da década de 70 do último século, a expansão da industria de malhas em Loriga era uma realidade e constituía, à época, um pilar importante no poder económico da vila de Loriga.
Paralelamente, o fluxo da emigração loriguense para os países europeus era cada vez mais acentuado. Todas as semanas havia noticia da saída de pessoas para países como a França, Alemanha, Luxemburgo, entre outros, e daí, a necessidade de os patrões recorrerem ao recrutamento, principalmente de operárias, nas localidades vizinhas.
Nessa altura, começou a ser norma corrente, no concelho de Seia, os proprietários das firmas procederem à aquisição de veículos novos ou usados, neste caso autocarros ou carrinhas, para o transporte de operárias das localidades vizinhas, uma forma rentável e de grande conveniência para a produtividade das empresas.
A firma Lorilan - Nunes & Comp. Lda, não fugiu à regra, só que neste caso concreto a carrinha desta firma foi adquirida nova em Gouveia. Passando a partir de então a ser também um meio usual nesta firma de Loriga, com o mini autocarro a percorrer as localidades vizinhas na recolha do pessoal e, findo o dia, o retorno das operarias às suas terras e residências.

O estado em como ficou a carrinha

Na altura, correu muita tinta quanto às causas do acidente, e houve muita especulação na atribuição das culpas. Todavia, nada parecia apontar que o acidente se devesse ao facto de a carrinha circular superlotada. Pelo contrário, tudo levou a crer ter sido uma entrada demasiado confiante na curva que terminou em acidente. De qualquer das formas, ficou para a memória que a carrinha e o autotanque, apesar de tudo, circulavam no local e na hora errada, por isso ter ficado uma região de luto. (Registado aqui - Ano de 2003)


Poema - Ruas da minha terra *

Rua Viriato

Rua Viriato

Ruas da minha terra
Como eu me lembro bem
Comecei a percorre-las
Ao colo de minha mãe

Ainda hoje sinto o calor
Que do seu peito imanava
Quando rezando ao Senhor
Na procissão me levava

Ruas da minha terra
Ruas do meu amor
Um pouco mais crescido
Ia ao lado de meu pai

Com uma vela na mão
Seguindo atrás do andor
Cantando ao mesmo Senhor
Na mesma procissão

Ruas da minha terra
Ruas da minha alegria
Quantas saudades sinto
De quando as percorria

Juntamente com os amigos
Com um ramo na mão
Cantando a todos os Santos
No Domingo da Paixão

Ruas da minha terra
Como eu me lembro bem
Quem me dera voltar a vê-las
Ao colo de minha mãe

* Fernando Alves Pereira (Requinta)

(Registado aqui - Ano de 2006)


1961 - Um dia de consternação em Loriga - Acidente de Aviação

Era 1 de Novembro de 1961 "Dia dos Finados", dia calmo com as pessoas a fazerem os seus preparativos com a ida ao cemitério, visitarem os seus ente queridos. Parecia ser um dia de finados igual a muitos outros, que tirando o dia simbólico que se celebrava, as pessoas faziam as suas lidas normais dentro de uma acalmia vivida em Loriga.
Até que de momento para o outro, as pessoas que já tinham rádio nessa altura, começou a dar noticias que dava conta de um grave acidente de avião ocorrido em Recife - Brasil, com o avião a despenhar-se e a incendiar-se ao procurar aterrar no aeroporto dessa cidade e já muito perto da pista.
Um ou outro mais atento começou a associar que nesse mesmo dia tinha partido de Lisboa com destino ao Brasil os loriguenses,
José Simões de Pina e sua esposa Laura da Conceição F. Moura Pina, que iam passar os meses de inverno naquele país, a convite dos seus filhos ali radicados.

Os rumores foram-se acentuando e começando a ter mais consistência ao saber-se que esse avião era da carreira Portugal-Brasil "Voo da Amizade" as notícias dava conta de haver sobreviventes mas também dezenas de mortes.
Por toda a vila era notório nas pessoas uma certa ansiedade, nos minutos e horas seguintes as pessoas foram procurando saber de mais notícias que iam chegando a conta gotas Passado poucas horas houve mesmo a confirmação entre os mortos encontravam-se o casal loriguense, a partir de então uma onda de consternação apoderou-se do povo nesse dia que parecia ser um Dia de Finados igual a muitos outros.
O senhor Simões Pina e a D. Laura eram um casal que gozavam da maior estima e verdadeira amizade dos seus conterrâneos. Ele na altura, era presidente da
"Sociedade Loriguense de Recreio e Turismo", que vinha desempenhando essas funções desde a fundação desta associação loriguense.
No dia 17 de Novembro seguinte, chegaram a Loriga os restos mortais da esposa D. Laura da Conceição F. de Moura Pina. De Lisboa, acompanharam o préstito fúnebre muitos loriguenses e pessoas amigas. Por sua vez em Loriga o povo uniu-se numa manifestação de sentido pesar, incorporando-se, em grande multidão no funeral como já não havia memória, com a rua apinhada de gente sendo arrepiante o momento em que a sua urna parou junto à sua residência, situada no Largo do
"Poleirinho". Foi depois na Igreja Matriz realizado os solenes Ofícios de Defuntos.
Por alma de José Simões de Pina foram de igual modo cantados Ofícios na Igreja Paroquial no dia 25 de Novembro.

Laura da Conceição F. Moura Pina e José Simões de Pina
Falecidos no dia 1.Novembro.1961

(Registado aqui - Ano de 2008)


O Relógio da Torre da Igreja de Loriga

Torre da Igreja Ano 1969

Torre da Igreja - Ano 1969

A colocação de um relógio, na Torre da Igreja de Loriga era uma ideia que vinha de há anos muitos atrás. No entanto, só viria a tornar-se realidade em Abril de 1969, quando foi colocado, tornando-se assim um velho sonho realizado. Para o efeito foi também necessário efectuar, obras de adaptação na torre da igreja, na altura era pároco em Loriga o Senhor Padre António Nascimento Barreiros.
Com vista à angariação de fundos para custear o relógio e a sua colocação, foram tomadas algumas iniciativas, nomeadamente uma subscrição pública, bem como outros eventos, entre os quais se destaca a realização de uma peça de teatro "Casa de Pais", exibida por três vezes, no Salão Paroquial, cujas receitas revertiam a favor da colocação do relógio.
À época, fizeram-se ouvir algumas vozes críticas, designadamente quando ao facto de a torre não ter levado uma obras mais, para ficar um pouco mais elevada, bem como, o facto de terem sido colocados dois mostradores em vez de quatro, permitindo dessa forma que o relógio fosse visível de todos os quadrantes da vila.
O "Braga" como popularmente ficou conhecido na altura, foi negociado e adquirido a uma firma sediada na cidade de Braga, que para o efeito se deslocaram a Loriga para a respectiva instalação, por isso o hábito de a população assim o passar a chamar, quando se referia ao relógio da torre da igreja ou mesmo quando ouviam tocar as horas.
Nos primeiros tempos, a população estranhou muito ao ouvir o bater das horas e meias horas, principalmente os habitantes das casas mais próximas, no entanto, com o decorrer do tempo, lá se foram habituando e mais tarde já não podiam passar sem ouvir, passando a ser uma companhia e uma presença viva ao ouvir-se por toda a Vila e, nos campos era um meio de as pessoas estarem informadas com as horas. (Registado aqui - Ano de 1999)


Salão Paroquial de Loriga

Interior do Salao Paroquial de Loriga

Interior do Salão Paroquial de Loriga

O Salão Paroquial de Loriga, situa-se no Largo do Adro da Igreja, e é parte integrante da "Residência" como popularmente é assim chamado aquele imóvel.
O referido prédio foi construído em 1945, por um custo orçamental de 100.000$00, sendo o pároco em Loriga, o Sr. Padre António Roque Abrantes Prata, natural de Manteigas, que tinha chegado a esta localidade um ano antes.
Obra paroquial de grande vulto, para a época, com o piso superior destinado para a residência do Pároco local e o espaço inferior idealizado para Salão Paroquial, no sentido de servir em prol da comunidade em actividades religiosas, culturais e recreativas.
Desde então passou a ser a Sala de espectáculos de Loriga, onde ao longo de todos estes anos da sua existência, ali se tem realizados os mais variados eventos, onde se destaca, o cinema, o teatro, variedades, concertos, entre outros.
Em certa época, chegou mesmo serem ali realizadas celebrações litúrgicas, nomeadamente missas, em substituição da Igreja Matriz, enquanto nesta se procediam a grandes obras de restauro.
O velhinho "Salão" é pois uma casa pela qual os loriguenses têm um carinho especial e, hoje com dantes continua a ser a sala de espectáculos de Loriga, sempre aberta para receber ali, todas as actividades para a qual foi idealizada a sua constru
ção. (Registado aqui - Ano de 2007)


As Festas da Vila de Loriga

É ainda da lembrança de muitos quando se realizavam em Loriga, na decada de 1950 e nos primeiros anos da década de 1960, as Festas da Vila, que decorriam durante três dias organizadas pela Sociedade de Defesa e Propaganda de Loriga. As Festas da Vila de Loriga, realizavam-se em Agosto, mais concretamente no fim de semana seguinte à Festa da Nossa Senhora da Guia. Começaram a realizar-se no ano de 1952, na ideia generalizada de afastar a vil tristeza que dominava as almas e, ainda instituir estas festas com o objectivo honesto de as pessoas se divertirem anualmente, dando largas ao seu entusiasmo e exultando a alegria.
Este festejo anual radicou-se de tal maneira no coração das gentes de Loriga, que todos suspiravam pela sua aproximação, pois era motivo de agradável a reunião das famílias, que trabalhavam em terras distantes, que aproveitando esta ocasião, Festa da Nossa Senhora da Guia e Festas da Vila, para virem de alongada visita à terra natal em romagem de saudade, revendo ao mesmo tempo os encantos da natureza deste recanto onde nasceram.

A vila de Loriga tomava o ar festivo, as ruas eram caprichosamente engalanadas, milhares de lâmpadas formando fantástico clarão, iluminavam toda a povoação e seus campos à volta, havia arcos de cores, com luzes, bandeiras e balões. Vinham muitos e os mais variados divertimentos populares que se espalhavam pela vila, a festa centralizava-se principalmente na "Carreira", "Carvalha", Fonte do Mouro, Terreiro da Lição, com milhares de pessoas a encher por completo estes locais. Houve até um ano em que um dos divertimentos os "Aviões" foi colocado no largo, existente no lugar conhecido por "Portugal", situado onde hoje começa o Bairro Padre Lages.
Um vastíssimo programa em que a música, divertimentos, desporto, concursos, cor e alegria, completavam três dias de muita animação. O Largo do Santo António ou Largo da "Carvalha" como popularmente também era assim chamado, era fechado em todo o seu redor, pois passava a ser o "recinto da Festa", onde decorria os mais importantes actos de variedades musicais, onde era necessário pagar o ingresso de entrada, pois era ali que actuavam os vários artistas da Rádio vindos de Lisboa.
Este recinto fechado da "Carvalha", era apetrechado com um palco, onde ao som das músicas dos conjuntos de Jazz, decorria baile, alegria e animação, durante toda a noite, onde não faltava um esmerado serviço de bar e restaurante, para satisfazer os assistentes.
Se olhar-mos os programas das Festas desse tempos, poderemos ver que parecia nada faltar. Como se disse vinham grandes nomes da Rádio, conjuntos de Jazz musicais, Bandas de Músicas, divertimentos vários, como Automóveis Eléctricos, Carrosséis, Poço da Morte, a grande Roda Girassol, os "Aviões", Mulher eléctrica, por todo lado várias barracas de vendedores de guloseimas, brinquedos e jogos variados e, ainda a parte desportiva, que decorria durante a tarde no recinto do Campo de Futebol do Grupo Desportivo Loriguense, com um Jogo de futebol, Atletismo e o sempre grande Torneio de tiro aos pratos. Também chegou-se a efectuar exposição e concursos de gado bovino.
As Bandas de música normalmente davam os seus concertos, no terrasse existente e pegado à fábrica Nunes & Brito, e diga-se de passagem, na altura da actuação da Banda de música de Loriga, o local e toda sua extensão até à "Carreira" propriamente dita, era um mar de gente, ainda hoje presente na memória de uma geração que ainda recorda com saudades.
As Festas tinham o seu inicio às sete horas da manha de Sábado com uma salva de 21 foguetes, com a Banda de Loriga a percorrer as ruas da vila, anunciando a abertura dos importantes festejos, no entanto, era a partir da 20,00 horas que tomava o verdadeiro ar festivo, com abertura dos locais de diversões na vila, que passavam a ficar apinhados de gente.
Todas as noites as Festas eram encerradas com um arraial de fogo de artificie que era lançado, no aqueduto perto do "Vale dos Alhós" por volta das 24,00 ou 00,30 horas, que encantava todos os assistentes.
O arraial de Segunda-Feira, era o mais importante numa sessão fantástica de fogo, luz e cor. Esta sessão de fogo de artificie que representava o encerramento das Festas da Vila de Loriga, era na verdade deslumbrante, que terminava com um admirável arraial chamado "Boquet Surpreza" e ao qual parecia ninguém querer perder e por isso todos queriam contemplar antes de recolherem a suas casas para se deitarem.
De regresso aos seus lares, parecia ver-se no rosto de todos já a uma certa saudade, todos suspirando para que as festas do ano seguinte, voltassem bem depressa.

- Ano 1955 -
As ruas engalanadas e os visitantes a tirar os retratos
que levavam para recordação.

Nota:- No ano de 1961, as Festas da Vila em Loriga não foram realizadas, em virtude dos acontecimentos registados em Angola no mês de Fevereiro desse ano, que veio a ser o mote para o inicio da Guerra do Ultramar, seguindo assim a comissão das Festas da Vila o exemplo de muitas outras localidades que nesse ano não organizaram Festas.

(Registado aqui - Ano de 2004)


Arco do Emigrante
- Projecto nunca concluído -

Decorria a década de 1970, o êxodo da emigração loriguense estava no topo, nessa altura surge a ideia da construção de um Arco do Emigrante a ficar situado logo à entrada da ladeira que leva à ermida da Nossa Senhora da Guia, tendo como grande impulsionador Manuel Dinis Pereira (1923-1996) popularmente conhecido por "Manuel Barriosa" homem bem recordado pelas iniciativas e ideias que ficaram registadas na história de Loriga.
Apresentada essa ideia o impulso dos emigrantes foram de imediato, com a contribuição dos seus donativos para a obra, não tardando mesmo que a curto prazo fosse apurada razoável quantia, tanto em escudos como moeda estrangeira, ficando mesmo em registo que o dinheiro apurado era já o suficiente para o projecto.
Como se disse, logo do inicio foi definido o local para a construção do Arco do Emigrante, a ficar colocado logo após o cemitério e no principio da descida da ladeira que leva ao recinto. Entretanto, num dos anos dessa década de 1970, na altura da Festa da Nossa Senhora da Guia, foi mesmo ali colocado um esboço em madeira do Arco, para transmitir a ideia de tal como iria ficar, parecendo até o primeiro passo para o projecto idealizado.
Por várias razões, muitas vezes sem se compreender muito bem, o projecto foi sistematicamente adiado, o tempo foi passando e quando se deu por ela, segundo alguns, o dinheiro apurado e existente que ao princípio chegava, passou depois a já não chegar para a sua conclusão da obra.

Com a revolução do 25 de Abril de 1974, com o país ainda sem uma definição e em situação complicada, começou a pairar no ar umas certas desconfianças, só se compreendendo esse facto pela rocambolesca história a que esteve sujeito o dinheiro destinado para a construção do Arco do Emigrante, que se deve recordar.
O dinheiro dos emigrantes destinado para o Arco, foi dado a guardar a uma pessoa credível, conceituado comerciante de Loriga, que pelo facto de ter um cofre forte, pensaram ser um local seguro para ter o dinheiro, em vez de ser depositado numa conta bancária, um primeiro erro.
O tempo foi entretanto passando, sendo depois empreendidos esforços de retirar o dinheiro à guarda desse comerciante, que levou algum tempo e depois sim depositado numa conta bancária, desta feita com um segundo erro, de ser depositado apenas no nome de uma só pessoa.
O tempo não parava e continuavam a passar-se os anos e nada ser resolvido, com os emigrantes a levantarem a sua voz de protesto, mas logo serenadas com a promessa de que a situação estava a ser resolvida. Chegando-se a avançar de em vez do Arco do Emigrante, ser construído nalgum local de Loriga um monumento simbólico sobre a emigração, tendo em conta da terra de emigração que era Loriga.
Com o regresso definitivo de alguns loriguenses emigrantes à sua terra, pareceu haver uma ideia mais fixa para a resolução do problema do referido Arco do Emigrante, ou então e no essencial dar solução e uma definição concreta ao dinheiro existente.
Cabe aqui realçar a honestidade do loriguense, único assinante da conta onde estava o dinheiro depositado, que a todo tempo pedia para que fosse resolvida a situação desse dinheiro, pedindo mesmo que fosse aberta outra conta em nome de outros, o que veio acontecer, precisamente um ano antes da morte desse loriguense, evitando-se assim um problema mais, a juntar à história do dinheiro para o Arco do Emigrante.
O dinheiro que continuava a existir, passou então a figurar numa conta em nome de Mário Lemos Conde e Fernando Moura Aparício, pertencentes à nomeada Comissão dos Emigrantes da qual fazia também parte José Nunes Dias.
Estando-se já ciente que o projectado Arco do Emigrante dedicado em honra de Nossa Senhora da Guia, tinha deixado de ser uma realidade para passar a ser uma miragem, tendo também em conta de ser necessário muito mais dinheiro para conseguir levar em frente o projecto e com a desconfiança a pairar na classe emigrante para novos contributos, ninguém se sentia capaz de continuar a manter a ideia da construção dos Arco do Emigrante ou o que quer que fosse, nomeadamente, algo como uma simbologia presença dos emigrantes loriguenses.
Nesse prisma, foram então realizadas reuniões para resolver o que fazer ao dinheiro existente, foram algumas efectuadas sem ter saído delas a deliberação esperada, parecendo não se encontrar uma solução condigna de comum acordo. Até que finalmente no ano de 1992, o consenso floriu com a deliberação consensual de proceder à entrega do dinheiro existente, que nessa altura se cifrava em 484.190$60, a duas instituições loriguenses, Associação do Bombeiros Voluntários de Loriga e Sociedade Recreativa Musical Loriguense.
Assim em Março de 1992, foi entregue a cada uma dessas instituições a quantia igual de 242.095$30, que foi depois lançada em acta de acordo com os serviços orgânicos desses organismos loriguenses.
Assim chegou ao fim um sonho de um projecto idealizado no sentido de ser concebido, mas que o não foi, que só veio a finalizar numa resolução ao fim de e uma dezena e meia de anos, que não sendo possível ver-se o sonho realizado, valeu no entanto, o facto de que o dinheiro foi entregue a causas justas, ficando assim os emigrante loriguenses agraciados pelo dever cumprido.

Esboço de como seria o Arco do Emigrante,

Transcrições no Jornal da "A Neve" em Maio de 1992

Agradecimento

A direcção da Sociedade Recreativa Musical Loriguense, vem muito sensibilizada agradecer à Delegação dos Emigrantes senhores Mário Lemos Conde, Fernando Moura Aparício e José Nunes Dias, por nos terem entregue a quantia de 242.095$30.
Esta importância é uma fatia de 50% do dinheiro que há muito detinham em Caixa para o "Arco do Emigrante". Tal verba foi aplicada na compra de um Trombone e um Clavicórneo. ….em gíria Beirã, o nosso Bem Hajam a todos os Emigrantes que haviam subscrito aquele valor.

Donativo

A Associação dos B.V. de Loriga, em reunião de direcção a sete de Março de 1992, registou e sublinhou, no livro de actas dos B.V.L., a generosa oferta de 242.095$40 verba proveniente de um simpático grupo de emigrantes que constituiu a Comissão para execução do Arco a colocar na Ermida da Senhora da Guia.
A Direcção e Corpo de Bombeiros, sensibilizados, agradeceu e fazem votos para que outros lhes sigam o exemplo.

(Registado aqui - Ano de 2007)


A Virgem de Fátima em Loriga *

No dia 14 de Maio de 1949, Loriga viveu horas de intensa alegria espiritual, ao ter a honra de receber a Veneranda Imagem da Virgem de Fátima Peregrina.
Já há muito que Loriga se vinha preparando para a recepção. A Vila engalanou-se, as próprias fábricas dias antes dispensaram alguns operários, para que tudo estivesses lindo e em ordem. Fizeram-se arcos, as fábricas deram enormes tiras de pano branco, onde se pintaram com arte, grandes frases de profundo sentido cristão, alusivas à vinda da Celeste Rainha.
O Fonte do Mouro foi coberto com pétalas de maia e outras flores. As crianças das escolas, vestiram os seus bibes, que juntamente com os cruzados, fizeram um cordão central de cimo ao fundo, por onde iria subir o carro com a Virgem Maria.
Eram cerca de 16H30, quando chegou à Portela do Arão, recebida ali pelos Revmos. Bispo da Diocese Dom Domingos, Padre Prata, Presidente da Junta de Freguesia e muitas mais pessoas. Quando chegou junto à Fábrica Leitão & Irmão, foi um verdadeiro delírio, sobem ao ar foguetes com 21 tiros, fogo repetido com grandes girândolas de foguetes. Já na "Carreira", a Banda toca o Avé de Fátima, enquanto o povo cantava, chorava e rezava.
Além das autoridades concelhias e muitos sacerdotes, todas as forças vivas da Freguesia estavam presentes com os seus estandartes, bem como, todos os organismos religiosos com os seus guiões, JOC; JOCF; LOC; LOCF, Irmandade e Apostolado da Oração.
O carro com a Virgem Maria sobe o Fonte do Mouro até à "Cabine" onde foi retirada do carro e exposta à veneração de todos. O Sr. Padre Prata chorou de alegria, os seus olhos eram como raios luzentes, e dos seus lábios foram pronunciadas palavras de profundo interiorização cristã e humana, como era seu timbre. Afinal ele tinha empenhado todo o seu prestígio nesse evento.
Seguiu-se a reza de muitas orações, acompanhadas de um coro de 300 raparigas de Loriga, foram lidos diversos telegramas de loriguenses ausentes, para depois o Sr. Bispo fazer a consagração ao Coração de Maria, da Freguesia e os povos ali representados.
O cortejo desceu o Fonte do Mouro acompanhando o carro com a Senhora dos Peregrinos. A comoção chegou ao rubro, junto com o silêncio mórbido de muitos que nunca julgaram ver tão perto a Senhora da Azinheira. Todos subiram o Outeiro, contagiados no amor total à Virgem de Fátima.
Quando o carro avançou para deixar Loriga, lenços acenaram o adeus. Muitos, voltaram a ver a Imagem diversas vezes em Fátima. Outros, ficaram com a Senhora retida nos seus olhos lacrimosos. Porque, sem possibilidades económicas, não era possível ir à Cova da Iria. Ficaram na esperança de no céu a encontrar.

* Albrito

Fotos do dia da visita da Imagem da Virgem de Fátima Peregrina a Loriga - Ano 1949

(Registado aqui - Ano de 2006)


Congresso Eucarístico em Loriga

Realizou-se nos dias 27, 28, 29 e 30 Outubro de 1932 em Loriga e pela primeira vez o Congresso Eucarístico do Arciprestado de Sandomil, numa homenagem de todas as freguesias (que o compunham) em honra do SS. Sacramento para a fervorar tantas almas que mal conheciam o Divino Prisioneiro dos Sacrários e para fazer vibrar de entusiasmo e alegria tantas outras que conhecendo-O e amando-O, ansiavam vê-lo homenageado como Rei e Senhor.
Durante estes dias do Congresso, Loriga encheu-se de gente vindas das freguesia de Alvoco da Serra, São Romão, Carragozela, Santa Eulália e Torroselo. Mesmo hoje e passados já mais de 70 anos, ainda é considerada uma das maiores demonstrações religiosas, em Loriga, em todos os tempos.
Um vasto programa religioso ocupou as pessoas durante esses dias e que aqui se documenta:

- Dia 26 - Às 7 horas da tarde - Entrada solene do Exmo. Bispo Auxiliar D. João de Oliveira Matos, na Igreja paroquia e seguidamente, terço dos benditos com exposição do SS. Sacramento, cânticos, pratica e Benção.
- Dia 27 - Às 11 horas - Missa solene pelas crianças da Catequese com sermão e comunhão da Pia União e Congregações de Nossa Senhora.
Às 2 horas da tarde - Sessão de estudos para o Clero.
Às 6 horas da tarde - Exposição solene do SS.
Às 8 da noite - Terço, Sermão e Benção.
- Dia 28 - Às 9 horas - Missa Solene com sermão e comunhão dos Zeladores e Associados do Apostolado da Oração.
Às 12 horas - Sessão de estudos para leigos.
Às 6 horas da tarde - Exposição solene do SS. Sacramento.
Às 8 horas da noite - Terço, sermão e benção.
- Dia 29 - Às 9 horas - Missa Solene com sermão e comunhão das crianças da catequese.
Às 4 da tarde - Sessão de estudos para leigos.
Às 9 ½ da noite - Adoração nocturna até às 12 ½ (meia-noite) seguindo-se a missa e comunhão geral.
- Dia 30 - Às 9 horas - Missa paroquial.
Às 12 horas - Missa campal no largo da ermita da Nossa Senhora da Guia, com sermão e a seguir a procissão Eucarística.
Às 5 ½ horas da tarde - Sessão solene.

O Congresso Eucarístico do Arciprestado de Sandomil, começou a ser preparado logo nos primeiros dias de Outubro desse ano de 1932, com a realização de vários retiros, tendo sido disponibilizado para o efeito a Casa da "Redondinha", bem como, a capela da Nossa Senhora da Auxiliadora.
Um dos pontos mais altos do Congresso, aconteceu no dia do encerramento (30 de Outubro) com a realização da missa campal no Recinto de Nossa Senhora da Guia, que se tornou pequeno para tanta gente, segundo os registo, foi uma das maiores enchentes naquele local, de que há memória em Loriga.
A missa foi celebrada pelo Exmo. Senhor Bispo Auxiliar, num silêncio impressionante de profundo recolhimento de devoção e fé. Seguiu-se depois a majestosa procissão para a vila, incorporada pelas freguesias pela ordem prevista.
A procissão foi subindo até ao cemitério e depois até à Senhora da Guia Nova, seguindo pela estrada, na altura ainda com poucos anos de existência. Segundo relatos e registos escritos da época, era tanta gente incorporada na majestosa procissão, que ainda as últimas pessoas estavam a sair do Recinto, já as primeiras pessoas do principio da procissão estavam a chegar à "Redondinha".
A sessão do encerramento ocorreu na Igreja Paroquial, mas como não cabia lá tanta gente, as pessoas tiveram que se espalhar pelas ruas e travessas adjacentes.
(Registado aqui - Ano de 2003)


25 de Abril de 1974 - Revolução dos Cravos

Tal como na generalidade aconteceu um pouco por todo o país, em Loriga foram poucos aqueles que souberam do que se estava a passar em Portugal antes de se deitarem. A maioria da população em Loriga só veio a ter conhecimento de que alguma coisa se passava, quando as pessoas se começaram a levantar da cama, logo desde então toda atenção se concentrou com os ouvidos nas telefonias e os olhares nos televisores.
Nas primeiras horas da manhã do dia 25 de Abril de 1974, as pessoas na vila de Loriga começaram ao principio por ter algum receio e, mesmo alguma desconfiança, o que era normal, tendo em conta de ter havido sempre nos loriguenses alguns cuidados, por influência de ser do conhecimento geral de também existir em Loriga, alguns dos chamados informadores do sistema.
Com o passar das horas as pessoas foram ficando a par, com mais profundidade, da realidade da transformação que estava a surgir no país, então sim, foi notório o contentamento das pessoas a virem para as ruas dando largas à sua alegria, que teve continuação nos dias seguintes e mais concretamente no dia 1 de Maio, pela primeira vez a festejar-se o feriado oficial, com as ruas de Loriga apinhadas de gente, onde era bem visível a união entre ricos e pobres, comerciantes, patrões e empregados, velhos e novos, todos unidos no mesmo espírito do sonho da LIBERDADE.
Graças á Revolução dos Cravos, começou-se então a ver-se em Loriga, cada um a viver em liberdade e sem medo da sua ideologia política, vindo dessa forma repor a história da frontalidade e posição politica que parece sempre ter existido nos loriguenses, se nos lembrarmos quando da guerra civil entre D. Pedro e D. Miguel e também quando da implantação da República.
Curiosamente nos finais da década de 1970, chegou a existir uma sede do Partido Comunista em Loriga, coisa impensável antes do 25 de Abril de 1974.

Sede do Partido Comunista
Rua José Mendes Veloso - Ano 1979

O 1º. de Maio de 1974 em Loriga

O 1º. de Maio de 1974 em Loriga, foi na verdade o dia que ficou marcado na sua história, o povo saiu para a rua festejando o primeiro dia do Trabalhador em Liberdade, a "Praça" na altura o centro da vida apinhou-se de gente, bem como a Rua Sacadura Cabral e Rua Cónego Nogueira, dando largos ao seu contente, numa manifestação como não havia memória em Loriga, pensa-se mesmo que continua até hoje, a ter sido a maior manifestação realizada nesta harmoniosa vila, numa união sem precedente de patrões e operários, comerciantes e industriais, velhos, novos, jovens, crianças, ou seja, toda a população em geral nesses festejos de Liberdade.
Durante horas também a população percorreu as principais artérias da vila, com cartazes escritos alusivos ao Dia do Trabalhador, numa alegria sem igual com as mulheres a virem às janelas e às portas, numa solidariedade de festejos a favor da Liberdade com a qual muitos sonhavam.

Vozes da Liberdade com as ruas de Loriga apinhadas de gente - Ano 1974

(Registado aqui - Ano de 2004)


O primeiro Café em Loriga *
Foi na década de 1940 que abriu o primeiro Café em Loriga, mais precisamente por volta do ano de 1945, que ficava situado, onde é hoje a garagem do prédio do "Zé Maria" como é mais conhecido. Foi seu primeiro proprietário António Machado, um bem conhecido negociante e comerciante natural de Loriga.
Curiosamente anos mais tarde nesse mesmo prédio veio a abrir o Café "Neve" que se veio a transformar no mais problemático café de Loriga.

* Relatos verbais (Registado aqui - Ano de 2007)


Café "Neve"

O café "Neve" propriedade de José Maria Pinto, era um mimo, de design agradável e com um mobiliário mesas e cadeiras, tipo arte nova a atestar o seu gosto verdadeiramente requintado.
Poderia ser chamado o "Magestic" de Loriga, era um autêntico ex-libris de Loriga, local privilegiado de encontros, tertúlias e de leitura matinal do jornal.
Na década de cinquenta e até meados princípios da década de sessenta, o ambiente do café não ocultava uma marcante divisão de classes. Os frequentadores assíduos eram selectivos, o que levava o "Ti Zé Maria" a desencorajar a frequência de uma clientela mais popular. Eram outros tempos, em que os mais endinheirados impunham as suas exigências. Com o rodar dos anos, o café transformou-se, paulatinamente, num espaço privilegiado de encontro de estudantes e seminaristas da década de sessenta, os quais, apesar da escassez, sempre iam arranjando umas coroas para o bilhar.
(1)

O Café "Neve" foi dos primeiros lugares públicos de Loriga a ter Televisão.

(1) José Mendes

***

Interior do Café Neve (Ano 1949)

Nota:- Depois de deixar de ser explorado pelo seu proprietário José Maria Pinto, o Café Neve, foi conhecendo outras gerências, inclusivamente chegou a mudar de nome. Encerrou definitivamente em princípios de 2004.

(Registado aqui - Ano de 2006)


As sinetas de mão (Campainhas) *

As sinetas de mão ou campainhas, são arte e criatividade que nos fazem recordar o passado, o presente e o esplendor da igreja nas nossas vidas.

As sinetas de mão *

No Domingo de Páscoa se ouvem
Percorrendo as ruas a anunciar
Assim o povo fica a saber
Que a Cruz do Senhor está a chegar

Já em pequeno eu ouvia
As badaladas destas campainhas
Eram os mordomos das festas
Pedindo às portas uma esmolinha

Nas ruas da minha terra
As sinetas de mão se fazem ouvir
São badaladas que nos chegam
Nos dias quando toca a reunir

*apina

(Registado aqui - Ano de 2008)


Os Paramentos na Igreja Católica

Um olhar na Sacristia de Igreja de Loriga, leva-me a fixar os Paramentos ali pendurados e o pensamento leva-me aos tempos de menino, quando criado e cumprindo os mandamentos da religião e da igreja.
Se hoje em dia existem uma grande diversidade de Paramentos, muito mais usuais nos tempos actuais e já pouco utilizados aqueles mais comuns em outros tempos, a recordação leva-nos aos tempos passados e numa Loriga de outras eras, em que as vestes litúrgicas no seu enquadramento de modelos e cores tinham para uma mente de criança um certo fascínio, sem por vezes se saber o seu significado, mas mesmo que lhe fosse ensinado, por e simplesmente não se dava ouvidos, só vendo que de quando em vez as cores alternavam ficando-lhe na memória isso mesmo.
Mas se para uma criança o simbolismo do Paramentos pareciam passar ao lado o mesmo acontecia com as pessoas adultas, que pouco sabiam a esse respeito, que no entanto, parecia terem principalmente nos pais o objectivo de pista para confrontarem os seus filhos se iam ou não à missa aos domingos.
Como se disse é grande a diversidade de Paramentos usados consoante a liturgia, sendo de relevo todo o empenho dos fabricantes em introduzir neles todo um saber e beleza, que faz em todos nós ter uma admiração abalizada, sem no entanto, se esquecer os tempos passados. De qualquer das formas as cores e o simbolismo das vestes paramentais continuam a ter um registo preponderante na história da igreja e na religião católica.

(Registado aqui - Ano de 2010)


A Caldeirinha de Água Benta da Igreja de Loriga

De metal prateado é muito usual de modo muito especial na celebração da liturgia na Igreja católica no enquadramento da bênção aos fiéis, em que a Água Benta nela depositada é bem presente e tem uma função purificadora da representação do próprio Cristo na alma, nos lábios, na mente e no coração.

A Caldeirinha de Água Benta*

Está na Caldeirinha de prata
A água-benta ditosa
É o suor de Nosso Senhor
Para todos nós gloriosa

A Caldeirinha de água-benta
Trás a mim recordações
O senhor Padre faz a bênção
Que purifica os nossos corações

Com fé e devoção
A água-benta nos é grata
Sempre benzida e purificada
Está na Caldeirinha de prata


* Apina

(Registado aqui - Ano de 2008)


A Confirmação ou a Crisma

Segundo a doutrina da Igreja Católica o Crisma ou a Crisma ou a Confirmação é um sacramento da Igreja Católica em que o fiel recebe através da ação do bispo uma unção com o Crisma (óleo). Trata-se de um rito em que o ministro impõe as mãos sobre os confirmados, invocando o Espírito Santo, e os unge com óleo.
A Crisma é inseparável do Batismo. Juntamente com o Batismo e a Eucaristia por exemplo, são considerados pela Igreja Católica como sendo os
"sacramentos da iniciação cristã". A imposição das mãos é reconhecida pela tradição católica como a origem do sacramento da Confirmação. Na Igreja Católica, o sacramento deve ser ministrado por um Bispo, sendo este sacramento administrado quando se atinge a idade da razão, e normalmente se reserva sua celebração ao Bispo, significando assim que este sacramento corrobora o vínculo eclesial

Um dos exemplos dos Santinhos oferecidos
para simbolizar esse dia

O Crisma em Loriga no Ano de 1959

Parece ter ficado definitivamente na história de Loriga o Ano de 1959, quando a realização do Crisma, nada menos que 867 pessoas crismados, considerando-se mesmo um record, não só na história de Loriga, como na região, cerimónia que teve lugar no dia 22 de Fevereiro (domingo) com a deslocação à vila de Loriga, do senhor Bispo da Diocese da Guarda, D. Domingos da Silva Goncalves, para ministrar esse sacramento do Crisma.
Nesses tempos, levava alguns anos de intervalo a realização do sacramento do Crisma numa freguesia, nada tendo haver como nos tempos atuais. Nessa altura já havia alguns anos que não vinha a Loriga o senhor Bispo, por isso, aguardava-se com grande ansiedade e entusiasmo a sua visita, a vila de Loriga e as pessoas engalanaram-se para receber tão ilustre figura da igreja, num dia radioso de sol apesar de uma brisa fresca que vinha do alto da serra.
Eram precisamente 13h15, quando o Venerado Prelado foi recebido na Portela do Arão pelas entidades oficiais e por umas dezenas de pessoas, que apresentaram os primeiros cumprimentos de boas-vindas, organizando-se de imediato um longo cortejo de automóveis com a chegada do senhor Bispo à "Carreira" onde o aguardava uma multidão de gente e quando os ponteiros dos relógios marcavam precisamente 13h30, repicam então os sinos da igreja, sobem ao ar os foguetes, ouve-se os sons da Banda de Loriga, estrugem palmas vibrantes, gritam-se vivas, tudo isso brindado com um sorriso bondoso do Prelado, visivelmente comovido, perante tanta manifestação de carinho.
De seguida o senhor Bispo paramenta-se na capela do Santo António, iniciando-se logo de seguida um grande cortejo, ao som da Banda de Música de Loriga, trajeto efetuado pela principal rua da vila, também ela apinhada de gente, com o Venerado Prelado sob o Pálio, ladeado pelos elementos representativos da freguesia em rigoroso trajo de cerimónia, muitas bandeiras em representação de todos os organismos locais, com muito povo acompanhar e, com o senhor Bispo lançando a sua Bênção às pessoas que o aplaudiram ao longo do percurso até á Igreja Paroquial, onde decorreu a cerimónia do Crisma, tornando-se bastante longa essa cerimónia litúrgica.
Recorde-se que a Igreja ficou cheia de gente, até não caber mais, com muitas e muitas pessoas mais a ficarem na rua, que encheram também por completo o Adro da Igreja e ruas circundantes, foi sem dúvida um dia memorável e diferente na vila de Loriga.

Recorde-se também que das 867 pessoas crismadas, fica o registo para a história de terem sido 409 do sexo masculino e 458 do sexo feminino, que se repartiram por adolescentes, jovens e até homens e mulheres de idade adulta e das mais variadas idades.

Verso dos Santinhos que simbolizava o evento, dedicatória escrita pelos Padrinhos ou irmãos ou mesmo outros familiares

(Registado aqui - Ano de 2013


A "Desfolhada" em Loriga

O cultivo do milho em Loriga tem raízes seculares e foi sempre uma actividade agrícola de extrema importância no impacto económico e muito importante para o sustento da sua população.
Ainda está na lembrança de muitos ver os campos cultivados de milho, mesmo pequenas courelas que fossem o milho era cultivado, quase todas as pessoas cultivavam este precioso cereal, porque nas casas de maneira alguma poderia faltar a broa.
A sementeira do milho era em Abril/Maio, com a colheita a ser efectuada em Setembro. Era então colhido cortado pelo pés do milho e colocado a secar até ao dia da Desfolhada "Descamisar o milho" como popularmente assim se dizia. A "Desfolhada do milho" é um duro trabalho agrícola em que a espiga (ou maçaroca com popularmente se dizia) era retirada da cana de milho e a serem amontoadas em cestos que, depois de cheios são despejados no canastro ou espigueiro
A "Desfolhada do milho" ou "Descamisar o milho" como mais popularmente se dizia nos tempos passados em Loriga, era um acontecimento social com as famílias, vizinhos e amigos, a unirem-se em comunidade nesse trabalho agrícola, os rapazes e raparigas encontravam-se, debaixo do olhar atento de todos, lá conseguiam enamorar-se ou então "aproveitar" um pouco para ver a sua amada.
Como caso ainda mais curioso de tempos ainda mais antigos em que era uma verdadeira festa de tradição, porque os jovens participavam nas desfolhadas sempre na esperança de encontrar o milho-rei (espigas avermelhadas) que eram guardadas religiosamente, dado serem raras e constituírem um símbolo de sorte, para darem um beijo ou um abraço à namorada. A desfolhada terminava, como sempre, com uma petiscada de (comes-e-bebes), ao som da concertina e com um baile onde todos os presentes participaram com um misto de alegria e nostalgia.
Com o tempo o cultivo do milho em Loriga foi-se perdendo, hoje em dia apesar de ainda haver algum cultivo, já nada é como nos tempos passados, com tudo isso também a perderem-se as tradições à moda antiga do "descamisar" o milho.

A "Tapada da Redondinha" cultivada

Os "Palheiros das Canas" de milho
para comida do gado

A "Tapada da Redondinha" depois do milho cortado

(Registado aqui - Ano de 2008)


Os Picarotos de Gelo

A água desliza por tudo que é lugar em Loriga, quando as temperaturas chegam a níveis negativos, ficará deslumbrado ao contemplar cenários, que a natureza se encarregou de criar dando ainda uma melhor beleza às paisagens de Loriga.
Nesses dias procure esses encantos, nomeadamente nos combâros das courelas, onde poderá visionar as geleiras de cristais formados por água que escorre, que toma forma de uma exposição de ourives, cujas belezas artísticas mostra o mais variado sortimento de escultores e filigranas de gelo.

(Registado aqui - Ano de 2001)

Picarotos de Gelo


A Campainha quadruplar

Perde-se o conto aos anos que existe esta campainha em Loriga, que faz parte da história da igreja e seu valor sacra e cultural, fazendo também parte de recordações de anos, que por mais que passem, nos vem sempre à memória gerações e gerações que a ouviram tocar.

A Campainha na Igreja *

Quantas vezes já tocou
A Campainha quadruplar
Quantas gerações já a ouviram
Tocando na missa junto ao altar

Perde-se o conto que eu ouvi
A campainha a tirilintar
Mãos calejadas as manobram
Que nos fazem também rezar

Na Igreja Matriz de Loriga
Ouve-se a campainha a tocar
Elevam o som bem alto ao céu
Acompanhando os Anjos a cantar

*apina

(Registado aqui - Ano de 2007)


O "Apagador das Velas de cera"

O "Apagador das Velas de cera" é um utensílio usual nas Igrejas, que foi e nalguns casos contínua ainda a ser muito útil, apesar de os tempos serem outros e o modernismo existente hoje em dia, fazer arredar para um canto um meio prático e de utilidade, que fazem no presente parte das memórias e recordações do passado, mas que tem uma história bem actual em muitos de nós que deles se recordam.
O "Apagador das Velas de cera" espécie de funil sem saída, neste caso e propriamente melhor dito é uma forma de cone, base circular ou elíptica de extremidade aguda, colocado numa espécie de um tubo comprido também em cone saliente, onde era enfiado o extremo de uma vara ou tubo, curto ou comprido, que dessa forma era o meio de utilidade eficaz no apagar as velas quando colocadas em zonas altas ou mesmo em altos castiçais.
Hoje em dia a iluminação efectuada por meio de velas de cera nas igrejas, concretamente também na igreja de Loriga, está de certa forma a ficar ultrapassada, a substituição dessas mesmas velas por sistema de electricidade, faz com que o "Apagador das Velas de cera" deixe de ter aquela utilidade quase permanente que estávamos habituados a ver, quando o sacristão ao fim do acto religioso tinha a missão de apagar todas as velas, previamente acesas nos altares, ficando no ar o cheiro da vela acabada de apagar.
Alguns "Apagadores das Velas de cera" tinham também a função de acender as velas, para isso, era necessário adaptar na parte do cone superior um cordel também de cera que assim tinha também a função de acender as velas, para além de as apagar.

(Registado aqui - Ano de 2007)


Memórias numa Loriga de outras eras
-
Os Grilos o encanto da garotada -

O Grilo (do latim grillus) é designação comum dos insetos ortópteros, subordem ensifera, que constituem a família dos gryllidae ou grilídeos, que possuem, além de longas antenas filisiformes, órgãos auditivos para perceber os sons que produzem com possantes estriduladores situados nas suas asas anteriores.
Somente os grilos machos produzem sons e o fazem para atrair as fêmeas para a reprodução. Para tanto, os machos possuem uma série de pelos nas bordas de suas asas, alinhados como pentes, e produzem os sons roçando uma asa contra a outra.

Assim cada espécie produz um canto peculiar que varia com a época do ano, e que é mais intenso para atrair a fêmea e mais suave quando ela já está presente e se inicia a fase do cortejo.
São memórias dos nossos tempos de meninos, quando se andava pelos campos na procura dos Grilos, que se levavam para casa e que numa gaiola própria ou outro qualquer utensilio da ocasião, ali se colocavam, passando com o seu som musical a abrilhantar as casas e as ruas.
Os campos em Loriga, com o cantar dos Grilos, se enchiam de alegria e como que em orquestração, logo assim que chegava a Primavera, pareciam autênticas sinfonias que enchiam de música os belos recantos de uma "Loriga de outras eras", também passando a ser, como que uma azáfama da garotada, principalmente a partir do mês de Abril, na procura dos Grilos aqueles que fossem sem dúvida verdadeiros cantantes.
Existia até uma certa arte para se caçar os Grilos, bastava que conseguisse ver o buraco onde à porta o Grilo ali estava a expandir o seu som musical. Tinha-se que chegar bem perto do buraco no maior silêncio, pois ao eventualmente pequeno ruído ele se refugiava dentro do buraco, então nessa altura a arte da utilização de uma pequena palhinha o fazia sair, para assim fora se poder caçar.
A alface era a comida habitual para dar aos Grilos, que estavam assim em cativeiro, convencia-se assim a garotada, de que a alface tornava estes pequenos animais ainda mais cantantes, o que na realidade não era bem assim.
Está ainda na memória de muitos, quando a garotada colocava os grilos em caixas de fósforos e colocavam a mesma nos ombros por baixo da roupa e assim os levavam para a Igreja, nomeadamente para as cerimónias do Mês de Maria, onde depois os grilos se ponham a cantar, para arrelia do senhor Padre e das pessoas mais idosas, que por vezes não saía lá muito bem para aquele que tivesse essa ideia de levar o seu Grilo para a Igreja.

(Registado aqui - Ano de 2008)


Camão de Neve em Loriga

Numa manhã gelada de um rigoroso inverno, a Natureza com todo o seu esplendor vem brindar Loriga, com um panorama dos mais belos e deslumbrante que se possa imaginar.
Ainda debaixo de grossos cobertores e mantas de pêlos, através da vidraça das janelas entra a claridade provocada pela brancura do grande e belo lençol de neve, desde a escarpada "Penha d´Àguia" assim como nos telhados e nas courelas, a findar lá prós lados do "Pisão do Barruel"
Olhamos a beleza dos pinheiros, cerejeiras e castanheiros, despidos de folhas os quais parecem gigantescas árvores de Natal artisticamente prateadas pela neve acumulada em seus galhos.
Nos quintais, as roseiras e outros arbustos curvam-se com o peso da neve e com alguns pardais empoleirados e famintos à procura de algum lugar não atingido pelo gelo, a fim de colherem algumas migalhas para seu sustento.
Os passos das pessoas que passam nas ruas, ficam marcados, primeiro bem definidos, depois em sulcos compridos talvez porque os não possam erguer. Nas fontes a água copiosamente cai, a neve a ela se junta, tornando-a ainda muito mais gelada e mais cristalina.
São estas as imagens, que ficam para sempre gravadas com infinitas saudades em nossos olhos, mostrando a grandeza de Deus na perfeição da Natureza e que jamais se extinguirá dentro da nossa existência, relembrando sempre um
Camão de Neve em Loriga.

****

Batem leve levemente
Como quem chama por mim
Será chuva, será gente
Gente não é certamente
E a chuva não bate assim

É talvez a ventania
Mas à pouco à poucochinho
Nem uma agulha bulia
Na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho

Quem bate assim levemente
Com tão estranha leveza
Que mal se ouve mal se sente
Não é chuva não é gente
Nem é vento com certeza

***

***

A Neve caindo em Loriga

***

Queda de Neve em Loriga

***

Olho através da vidraça
Está tudo da cor do linho
Passa gente e quando passa
Seus passos imprime e traça
Na brancura do caminho

Fico olhando estes sinais
Da pobre gente que passa
E noto por entre os mais
Uns traços minaturais
Duns pezinhos de criança

É uma infinita tristeza
Uma funda turbação
Entra em mim
e fica presa
Cai neve na Natureza
E cai no meu coração

(Registado aqui - Ano de 2004)

Vídeos

= Loriga Capital da Neve =

= Inverno 2009 - Neve em Loriga =

= Neve Inverno 2009 II =

= Neve em Loriga - Janeiro2009 =


As Trovoadas

Pelas características montanhosas de Loriga, a trovoada, ao fazer-se sentir, chega por vezes a ser medonha, inspirando muito receio e uma certa preocupação.
Em tempos, era muito usual em Loriga, guardar um ramo de oliveira benzido no Domingo de Ramos, no sentido de ser utilizado quando havia trovoada.
Assim, logo que as trovoadas se faziam ouvir, as pessoas apressavam-se a queimar o ramo de oliveira ou, em alguns casos, ramos de louro, ao mesmo tempo que rezavam e entoavam cânticos a Santa Bárbara, para que a Trovoada abrandasse ou se afastasse para outras paragens.

Inicio de uma Trovoada

Prece a Santa Bárbara, a que apazigua os trovões:
Santa Bárbara bendita. Que no Céu está escrita. Com um raminho de água benta. Nos livra desta tormenta...

Cântico
Bendito e louvado seja
O Santíssimo Sacramento
Da eucaristia.
Do fruto do ventre sagrado
Da Virgem puríssima
Santa Maria...

Também muito usual em Loriga este Provérbio dedicado à Santa Barbara:

-Só te lembras de Santa Barbara quando dá trovoada-

(Registado aqui - Ano de 2004)


Lembrar Loriga!.. Minha Terra

Loriga, lembro-me de ti, das tuas ruas, becos e "quelhas", onde passei os meus tempos de menino sem reparar!

Loriga, lembro-me de ti, das fogueiras de Natal no Adro e na Carreira, com os "tocos" que levavam horas a queimar e à noite as Janeiras às portas se iam cantar!

Loriga, lembro-me de ti, das tuas imponentes "Penhas" bem altas que pensávamos que no céu estavam a tocar.

Loriga, lembro-me de ti, nos dias de inverno junto à lareira, ouvindo aos mais velhos histórias contar!

Loriga, lembro-me de ti, da "Residência" onde havia teatro e cinema e onde se tentava entrar sem bilhete pagar!

Loriga, lembro-me de ti, e dos muitos serões televisivos na "Praça" e ao luar!

Loriga, lembro-me de ti, dos muitos pinhais que havia onde pinhas e carumas se ia apanhar!

Loriga, lembro-me de ti, das muitas árvores de frutos que em alguns lados havia e que à noite essa fruta se ia furtar!

Loriga, lembro-me de ti, do mês de Maria com as meninas a cantar e aos ombros da garotada cantavam os grilos a acompanhar!

Loriga, lembro-me de ti, das Festas da Vila com arcos, luzes e divertimentos de admirar, gente de todo lado vinha e à noite, foguetes de lágrimas iam para o ar!

Loriga, lembro-me de ti, das maceiras com o bom pão cozido que vinha dos fornos e que deixavam ao passar um apetitoso aroma no ar!

Loriga, lembro-me de ti, das Festa de N. S. da Guia onde a sineta não parava de tocar e na Vila as mulheres entoavam seus cânticos, limpando as ruas e casas pois a festa estava a chegar!

Loriga, lembro-me de ti, das tuas ribeiras de águas cristalinas e onde nos seus "poços" no Verão todos se queriam banhar!

Loriga, lembro-me de ti, dos professores e das escolas improvisadas, onde aprendi a ler e a contar!

Loriga, lembro-me de ti, das muitas tabernas que havia, e onde principalmente aos Sábados os homens se encontravam para conversar!

Loriga, lembro-me de ti, dos muitos jovens que estavam fora a estudar e vinham a Loriga as "férias grandes" gozar!

Loriga, lembro-me de ti, das raparigas bonitas e de faces coradas que sorriam para namorar!

Loriga, lembro-me de ti, e de uma garotada infernal em S.Genês, Terreiro do Fundo e Carvalha, que em jogos de bola, "pau de bico; eixo; rabisco e mosca" os mais velhinhos se faziam arreliar.

Loriga, lembro-me de ti, quando muitas fábricas havia e muita gente nelas trabalhavam e bem longe se ouvia suas máquinas em grande laboração.

Loriga, lembro-me de ti, e quando qualquer palmo de terra era cultivado e assim te transformavam em jardim.

Lembro-me de ti, Loriga .........................!

Quem me dera voltar a ser menino
Poder brincar apenas por brincar
Sentir-me, como outrora pequenino
Chorando sem saber porque chorar

(Registado aqui - Ano de 1999)


"1944 - A Queda do Avião"

A guerra assolava ainda por toda a Europa mas, em Loriga, a vida era tranquila e nada fazia prever que algo viesse alterar esse cenário de acalmia, até que um certo dia que já vai longe, num Fevereiro perto do fim algo aconteceu.
O dia estava a chegar ao fim, e a
"Garganta e as Penhas" de Loriga começaram a ser cobertas por flocos de nevoeiro, parecendo como que algodão, apesar do dia de Céu azul que tinha estado, parecendo Primavera.

Já a meia-noite tinha ficado para trás, quando se começou a ouvir o trabalhar de um forte motor de avião, parecendo voar mais baixo que as "Penhas", também estas surpreendidas por alguém se aventurar a sobrevoar os seus domínios. A Penha do Gato abriu seus braços como que para os abraçar e lhes dizer que ali só ela era soberana.
Dos Loriguenses ainda acordados saíram gritos de aflição, pois se o avião estava a voar assim tão baixo, por certo iria bater em alguma "Penha". O barulho do motor estava cada vez mais próximo e, a seguir um grande estrondo se fez sentir, não havendo dúvidas de que o avião embatera na serra. O povo ficou aterrado e, de imediato os mais corajosos partiram serra acima com destino ao local .
Ao chegarem, compreenderam então que o inevitável tinha acontecido. O avião embatera contra as rochas, explodindo, constatando-se, então que se tratava de um avião militar estrangeiro.
Apesar dos vestígios do incêndio que se gerou depois da explosão, era visível o diverso material de guerra que transportavam. Foram vários os loriguenses que se mandaram caminho acima até ao local, logo após o avião ter batido na "Penha" , um desses foi Emídio Calçada, que depois relataria que ao chegar local, " as balas espalhadas eram tantas que até parecia milho".
Por sua vez os corpos não tinham sido totalmente calcinados porque entretanto tinham sido projectados à distância.
Lentamente e piedosamente foram recolhidos os restos mortais daqueles cadáveres e transportados para a vila a fim de ali serem sepultados, o que veio acontecer. Verificando-se que se tratava de soldados ingleses, pelo facto de serem de religião protestante, não deixaram de ter um funeral digno de respeito pelo povo como nunca tinha acontecido até então. Confiados piedosamente às gentes de Loriga, aqueles mártires da catástrofe vieram acabar os seus dias numa terra verdadeiramente católica, e repousam em paz e para sempre no cemitério local numa campa rasa, cedida gentilmente pela Junta de Freguesia.
Nunca ficaram totalmente esclarecidas as causas do acidente, no entanto pensa-se ter ficado a dever-se ao nevoeiro. Era um avião inglês
"Hudson Aircraft" que tinha deixado nesse mesmo dia Gibraltar com destino ao Reino Unido, transportando os seguintes ocupantes:

Foto de Carlos Ramos
- Gente de Loriga junto dos destroços do avião militar inglês -

-Capitão-Roberto Tavener HILDICK; Tenente-John BARBOUR; Tenente-Daniel De Waal WALTERS; Tenente-John Patie THOM; 1.Cabo-Jack Learoyd WALKER; 1.Cabo Henry Ernest HEDGES.
Conforme consta das Certidões de Óbitos passadas pelo Registo Civil de Seia, as mortes ficaram registadas como tendo acontecido à uma e cinquenta minutos desse dia 22 de Fevereiro de 1944.
Desde sempre a "Campa dos Ingleses", como assim ficou a chamar-se, tem sido pelo povo de Loriga um local de respeito, sendo muitas vezes visitada por familiares e organismos ingleses. Este acontecimento da Queda do Avião já foi, em tempos (1989), tema de reportagem na Televisão (RTP).

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Campa dos Ingleses no cemitério de Loriga Loriga Loriga Loriga

Campa dos Ingleses no Cemitério de Loriga

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Era assim igual a este o modelo, o avião "Hudson" fabrico americano, que caiu na "Penha do Gato" na noite de 22 de Fevereiro de 1944, pertencente à força aérea inglesa.

**

Nota:-Segundo os dados da época o local exacto da "Penha do Gato" onde se deu a queda do Avião, foi o local a que o povo chama por "Marte Amieiro", e junto à fraga do Alcabreiro. Na altura, com versos ou simples quadras o povo foi registando este dramático acidente, no entanto, ao longo dos anos foram-se simplesmente esquecendo e hoje são poucos aqueles ainda em lembrança.

Quadras ao avião que caiu na Serra da Estrela no dia 22 de Fevereiro de 1944

I
Meus senhores vou-lhe contar
Um caso de grandes horrores
Morreram na Serra da Estrela
Seis grandes aviadores

V
No alto da Serra da Estrela
Na barroca do Marteamieiro
O avião ficou despedaçado
Junto à Fraga do Alcabreiro

IX
Loriga ficou comovida
Assim como Portugal inteiro
Por serem nossos aliados
Desde o reinado de D. João I

II
D uma hora para as duas da manhã
Do dia vinte e dois de Fevereiro
Sobrevoou esta região
Um grande avião bombardeiro

VI
Veio a justiça do concelho
Para os corpos levantar
A mil e quinhentos metros de altura
Essa noite não podiam lá ficar

X
Homens de grande envergadura
Cobertos de feitos e glória
Seus nomes ficaram escritos
Nas lindas páginas da sua história

III
Era de noite não se via
A nação de onde ele era
Mas ao outro dia já se sabia
Porque tinha caído na serra

VII
Uns dizia que eram Sul-Africanos
Outros diziam que eram franceses
Veio um pessoa competente
Disse logo que eram ingleses

XI
Levantaram de Gibraltar
As noves horas depois de comerem
Nunca haviam eles pensar
Que a Loriga vinham morrer

IV
Ocorreram em grande correria
Ao lugar assinalado
Quando o povo lá chegou
Ficou todo horrorizado

VIII
Homens fortes e valentes
Da RAF eles eram soldados
Quatro tinham o cargo de tenentes
E dois também já eram cabos

XII
Os brilhantes aviadores
Da Real Aero Inglesa
Vieram morrer num cantinho
Deste grande Nação portuguesa.

* Filomena Nunes Brito
05/Abril/1944

***

Outra referência à queda do avião, ainda hoja muitas vezes recitada *

No dia 22 de Fevereiro de 1944
Um dia bem assinalado
Na Malhada do Marte Amieiro
Junto à Fraga do Alcabreiro
Um avião despedaçado

* Autor desconhecido

(Registado aqui - Ano de 1999 e 2005)


"1927 - Um ano Trágico em Loriga" *

Dois trágicos acontecimentos, ocorridos simultaneamente em 1927, tornariam este ano o mais dramático na história desta localidade. É desse fatídico ano e desses acontecimentos que aqui se registam alguns apontamentos:

"Tifo Exantemático/Epidemia em Loriga"

Nos primeiros dias de Janeiro de 1927, começaram a aparecer uns primeiros focos de febre, tendo tudo começado quando trabalhadores loriguenses a trabalharem em fábricas na Covilhã chegaram a Loriga, para passarem uns dias.
Primeiro foi no Vinhõ, depois no "Terreiro das Figueiras" hoje Largo do Dr. Amorim, os locais onde começo as pessoas a ficarem doentes, rapidamente se foi alastrando, com muita da população em Loriga a ficar doente, começando mesmo algumas pessoas a serem vitimadas mortalmente, ao princípio, não se sabia bem do que se tratava.
Com o aparecimento de cada vez mais casos, o médico e as autoridades administrativas locais começaram a notar que algo de anormal e grave se estava a passar, receando mesmo estar-se perante uma epidemia, o que de facto se viria a verificar.
Essas mesmas autoridades expediram vários telegramas para a Direcção Geral de Saúde, dando conta do que se estava a passar e do estado das condições sanitárias em Loriga, apelando para uma intervenção urgente e rápida.
Entretanto morrem, vítimas desta epidemia, o médico local Sr .Dr. Amorim da Fonseca, o Sub-Delegado de Saúde Dr. Simões Pereira e ainda Francisco Faria (barbeiro), precisamente as pessoas que lidavam mais de perto com os doentes.
De Lisboa, chegou finalmente a Loriga pessoal especializado, com material de desinfecção e de isolamento, bem como os medicamentos necessários, tendo-se improvisado um Hospital em casa dos herdeiros de Maria de José Baia no bairro de S.Genês começando, assim, a combater-se a grave Epidemia, em que os doentes eram atingidos por febres altíssimas.
A febre chegava a ser superior a 40 graus e, quando isso acontecia, os doentes eram introduzidos numa banheira de água fria com criolina e, seguidamente eram colocados numa cama limpa, ficando muitas das vezes inconscientes.
Houve na realidade muitas vitimas mortais, por isso se ter dito
"que Loriga parecia uma verdadeira necrópole". Loriga chegou a estar isolada do resto do país, dado tratar-se de uma doença altamente contagiosa, tendo como característica ser transmitida através do "piolho", que se proliferava de forma incrível, sendo por essa razão necessário proceder à depilação completa do doente.
No dia 24 de Julho, (Dia do São João), viria a ser considerado finalmente extinto o
"Tifo Exantemático", tendo-se procedido a um jantar de despedida de todos aqueles que tomaram parte no combate a essa grave Epidemia, com a população local a festejar com bailes e divertimentos em quase todos os Largos da Vila, dando assim largas à sua alegria depois de muitos meses a viver a dor da perda de muitos entes queridos.

Agente transmissor que foi
responsável pelo Tifo em Loriga

* Registos das memórias do Padre António Mendes Cabral Lages (1951)


"A Queda do Coro da Igreja" *

Estando ainda Loriga a viver as consequências da grave Epidemia, outra tragédia viria acontecer. No dia 24 de Abril, Quarta-feira da Semana Santa, viria a ruir um anexo que fazia parte do Coro da Igreja, que havia há pouco tempo sido construído, precisamente para as crianças da catequese.
Esse anexo consistia num tipo de "palanque", em frente do actual, e que, nesse dia, quando começou a ficar ocupado, de imediato começou a desabar no meio de muitos gritos e confusão.
Houve como balanço trágico, a morte de uma criança e de uma mulher que ficou esmagada por uma coluna e, mais tarde, no hospital viria a falecer uma outra. Houve ainda muitos feridos, principalmente crianças, que foram transportadas de camioneta, para o Hospital de Coimbra, nessa mesma noite.
Viveram-se momentos de grande aflição e ansiedade e, entre choros e gritos, as pessoas procuravam os seus familiares. Enquanto eram socorridos os feridos, havia sempre alguém que tentava transmitir calma. Mesmo assim, e felizmente, este acidente não tomou maiores proporções porque, na altura, a Igreja não estava ainda cheia de gente como decerto iria estar um pouco mais tarde.
Ainda na noite do acidente, uniram-se esforços para remover os escombros e, no dia seguinte, Quinta-Feira Santa, as cerimónias puderam continuar com a respectiva afluência dos fiéis. A Igreja foi encerrada logo após a Semana Santa, por motivo da Epidemia que continuava a manter Loriga em alerta, uma vez que a aglomeração das pessoas facilitava o contágio.
Sabe-se que o dito "Palanque" anexo ao Coro, tinha sido construído por um senhor de fora, que na altura vivia em Loriga, depois do trágico acidente e com medo de represálias por parte da população resolveu fugir, provavelmente para a sua terra.

Factura paga à Farmácia - Feridos do Coro

Coro da Igreja Paroquial (Actual)

* Registos das memórias do Padre António Mendes Cabral Lages (1951)

(Registado aqui os dois acontecimentos - Ano de 1999)


"O Minério em Loriga"

Sendo parte integrante da Serra da Estrela, a região circundante de Loriga era prodigiosa em várias qualidades de minério, como parece, segundo alguns, acontecer ainda hoje em dia. Era, no entanto, o Volfrâmio aquele que foi mais procurado, dando origem a muitas histórias.
Efectivamente, a exploração do Volfrâmio nesta região de Loriga, quedou-se apenas numa exploração espontânea e popular, nunca tendo grande dimensão industrial. Objectivamente foi de facto marcante, nomeadamente em determinada época, em que houve uma certa euforia de procura, que ficou para sempre na recordação de muitos dos seus habitantes, dando até origem a um certo desenvolvimento económico, que chegou a ser notório nesta localidade.
O Volfrâmio, sendo um elemento químico tipo metálico, muito duro, era muito usado na fabricação de aços especiais, filamentos para lâmpadas e para válvulas de aparelhos eléctricos, bem como outras aplicações. Nessa época já distante, antes e principalmente durante a 2a. Guerra Mundial, o volfrâmio foi um minério que contribuiu para o grande desenvolvimento industrial das grandes potências, servindo ainda de componente para material de guerra, pelo que chegou a atingir valores elevados. Daí a grande exploração por muitas das serras em todo o país, onde parecia existir de facto grande quantidade, não só deste minério como de outros também.
Foram realmente tempos de euforia, que em Loriga se viveram com o negócio do Volfrâmio. Um grande número de pessoas desta localidade, e também de outras terras, diariamente subiam a serra na procura desse minério. Nos dias que a sorte sorria, regressavam felizes cantando, vendendo o fruto desse dia de sorte a pessoas endinheiradas ou volframistas. Chegou a ser relevante a abundância de dinheiro em muitas famílias, não se questionando, ou saber sequer, a que fins se destinava aquele minério.
Parecia sinfonia, em orquestração, os martelos que diariamente martelavam na serra, manejados por braços e mãos calejadas de duro trabalho, percorrendo caminhos perigosos debaixo de um calor abrasador no verão, ou suportando baixas temperaturas no rigor do rigor do inverno. A esperança de fazer fortuna e de ganhar bom dinheiro, estava sempre presente no pensamento de todos. Mas, passada a euforia, surgiram os tempos de frustração, chegando muitos à triste conclusão de nada lhes ter valido suportar esse subir e descer aqueles serras, que tão bem ficaram a conhecer.
Com os tempos, o alto valor desse minério foi gradualmente diminuindo tendo sido, no entanto, em Loriga, comercializado durante algum tempo mais. Hoje restam vestígios de histórias passadas e que se transmitem de geração em geração, onde se realça acima de tudo, uma vida ambiciosa, mas dura sobre a "Febre de Volfrâmio", que nem sempre foi bem sucedida para todos.

Exploração do volfrâmio (Entrada de uma Mina) *

Fragmentos de Volfrâmiorc;miorc;miorc;mio

Pequena porção de Volfrâmio

* A foto aqui documentada, que se desconhece a data certa, foi tirada à entrada de uma mina na zona circundante de Loriga. Uma das pessoas reconhecidas nesta foto é o senhor da camisa branca chamado José Gomes Luís Júnior, filho do senhor José Lages que construiu a fábrica Lages Santos.

***

Nota:-Na altura, por toda a serra se ouviam cantar versos que o povo ia fazendo relacionado ou Volfrâmio, ma com os anos foram-se simplesmente esquecendo e hoje são poucos aqueles ainda em lembrança.

Pois agora tudo morre
Porque o Volfrâmio não corre
Devido à Exportação
Pois a toda a gente deu ouro
Dentro da nossa nação

(Registado aqui - Ano de 2007)


Ano de 2011 - Fotos das antigas minas da exploração do volfrâmio


Mina do "Filão Rico"

A Extracção do Minério em Loriga *

A extracção de minério em Loriga durante a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), sendo uma parte da história de Loriga sobre a qual pouco está registado, aquilo que se sabe provém da memória popular/oral.
A exploração de minério em Loriga parece ser anterior ao auge da extracção de minérios, nomeadamente do volfrâmio. Na segunda metade do século XIX chegou a esta comunidade uma família inglesa da qual pouco se sabe: ajudaram ou mesmo lançaram a indústria têxtil de Loriga, dedicaram-se à exploração mineira, para a qual já deteriam aparelhos que os loriguenses nunca tiveram para a prospecção dos minérios.

A extracção mineira conheceu forte incremento, naturalmente, no período da Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), consistiu principalmente na extracção de volfrâmio, o qual era detectado à superfície e depois explorado por mina, tendo surgido em Loriga, no total, mais de cinquenta minas. A exploração mineira empregou quase toda a população na época, trabalhavam cerca de mil pessoas por dia na Serra, os trabalhadores eram jovens e adultos. De Loriga o minério seguia para os arredores de Nelas e de Mangualde, onde era separado por maquinaria específica. Este minério era considerado dos melhores porque era mais pesado, proporcionando aço de melhor qualidade. Na década de quarenta do século vinte o minério - ainda em Loriga e em estado bruto - era vendido a 200$00/kg, tendo sido assim que muitas pessoas compraram casa e/ou terrenos, levando à existência de contrabando e de imitações (por exemplo, fritando pirite) e ao esbanjamento de dinheiro.
Acontecimento marcante durante a exploração do minério foi a queda de um avião da força aérea inglesa na madrugada de 22 de Fevereiro de 1944, tendo vitimado seis militares.
Com o fim da Guerra ainda continuou a exploração por algum tempo, sendo vendido o volfrâmio a preço mais barato até deixar de dar dinheiro e ser abandonada esta actividade, voltado a miséria que caracterizava o tempo anterior a ela.

* Uma Pesquisa
De Gonçalo Brito Cabral

Este presente texto é um resumo do folheto que a Comissão das Marchas Populares de Loriga 2012, sob o tema "O Minério",

(Registado aqui - Ano de 2012)


Crime de Morte pela Autoridade

Era 11 de Janeiro de 1964, dois soldados da G.N.R dos Posto de Loriga são destacados para patrulhar por terras próximo da freguesia da Vide. Nessa altura as patrulhas eram efectuadas a pé, percorrendo caminhos, montes e vales. Cedo ainda saíram de Loriga os guardas Abel Marques Pimentel, casado de 27 anos natural de Vermiosa, concelho de Figueira de Castelo Rodrigo e Vergílio Augusto Salgueiro Gonçalves, casado de 29 anos de Rendo concelho de Sabugal.

Em dada altura e no lugar conhecido por Carvalhinho, desentenderam-se e empreenderam numa violenta discussão com agressões pelo meio, que veio a culminar com o guarda Gonçalves a disparar a sua arma sobre o guarda Pimentel atingindo este com cinco tiros um dos quais fatal que lhe atravessou o coração. Depois de consumido o crime regressou ao Posto contando o sucedido ficando de imediato detido e o corpo do desventurado a ser levado para Seia, onde foi autopsiado pelos médicos Dr. Guilherme Correia de Carvalho e Dr. António Joaquim Evaristo do Instituto de Medicina legal de Coimbra.
Este insólito crime deixou o povo de Loriga consternado, merecendo a condenação geral, sabendo-se mais tarde que o relacionamento destes dois guardas já á muito que não era amistoso, com disputas e quezilas entre eles, que se tinha vindo a gravar através dos tempos, nunca se sabendo em profundidade as totais razões.
Após as formalidades legais de Justiça, o cadáver do malogrado guarda foi transladado para a sua terra de naturalidade, deixando viúva e dois filhos de pouca idade, com o assassino a ser conduzido para a Secção do Comando de Coimbra.
Foi assim um dia insólito em Loriga, com as noticias a colocar a harmoniosa e pacata vila nas bocas do mundo, que por algum tempo deixou de ter acalmia que parecia existir num Janeiro do começo de mais um ano em Loriga. (Registado aqui - Ano de 2008)


Aqui se documentado a foto de um Caroleiro, cheio de água, hoje
provavelmente transformado em bebedouro de animais.

Caroleiros de pedra

Parece ser ainda da lembrança de muitos loriguenses a existência dos caroleiros de pedra, que se podiam encontrar em Loriga, um pouco por toda a parte, onde as pessoas com a ajuda de uma outra pedra, normalmente reboluda, partiam ou moíam o milho de maneira que ficasse o mais possível miudinho, para a confecção do carolo, muito apreciado nesta vila,
Os caroleiros são pedras trabalhadas, que mãos habilidosas na arte de trabalhar a pedra, executavam com certa perícia, aprofundando uma cavidade bem acentuada e larga, num trabalho moroso, em que eram normalmente utilizadas pedras com um certo diâmetro e consistência.
Como se disse os caroleiros eram muito usados em Loriga. Até ainda há bem pouco tempo, um ou outro desses resistentes caroleiros, se podiam ainda ver numa ou noutra rua da parte histórica da vila, no entanto, os tempos do modernismo os fez desaparecer.


"O milho no caroleiro
Partido bem partidinho
Está pronto a escolher,
E com leite a fazer
O famoso carolinho"

(Registado aqui - Ano de 2007)


A Fisga - A "Funda"

Está ainda na recordação de muitos o objecto conhecido por Fisga, popularmente chamada em Loriga por "Funda", objecto este que fazia parte das brincadeiras da garotada em épocas já distantes, que tinha também a parte negativa da sua utilização na caça aos pássaros.
Era necessário ter uma certa perícia para uma boa pontaria, havendo mesmo em Loriga alguns bons atiradores, chegando-se a fazer torneios para ver quem atirava mais longe ou acertar em determinado ponto ou local, que só os melhores o conseguiam fazer. Só que algumas vezes o acertar num vidro de janela era por vezes o alvo errado e por isso os inconvenientes inerentes às consequências que daí derivava, para os que faziam tamanho estrago.
As Fisgas ou Fundas, como se dizia, eram feitas com os melhores materiais. Eram procurado as árvores de boa madeira, donde eram retirados os ramos com as melhores ganchas. Procurava-se a borracha da melhor e com muita elasticidade para atirar mais longe, dizia-se na altura que a camara de ar dos pneus das camionetas era o melhor. Um pedaço de cabedal unia as duas borrachas, amarradas nas extremidades com fio bem forte para poder suportar bem o projéctil, ou seja as pedras, até nas pedras que serviam de projéctil havia escolha, o seixo arredondado das ribeiras era mais maciço e mais denso, por isso dizer-se que era de maior precisão, porque não se desviava com a velocidade do vento.
A parte negativa era a sua utilização na caça aos pássaros ou a tudo que tinha asas, que quando isso acontecesse, escusado será dizer, ser tema de euforia e gabarolice por aqueles que conseguiam tal feito.

Fisga ou "Funda"

(Registado aqui - Ano de 2005)


Os bebedouros

Os bebedouros para os animais

Os bebedouros de pedra são obras trabalhadas, que mãos habilidosas na arte de trabalhar a pedra executaram com certa perícia, aprofundando com mestria a cavidade bem acentuada e larga, num trabalho moroso, em que eram normalmente utilizadas pedras com certo diâmetro e consistência.
Hoje os bebedouros são pedras silenciosas, mas com história, lembranças de muitos de nós leva-nos a um passado distante em que víamos esses bebedouros ou pias, como se assim se chamam mais popularmente, utilizados um pouco por todo o lado, onde era colocada a comida ou água para os animais, nomeadamente nas capoeiras das galinhas ou em locais onde estavam outros animais.

(Registado aqui - Ano de 2011


Pastores de Loriga

Desde sempre os pastores fizeram parte da história de Loriga, o mesmo acontecendo hoje em dia, apesar de não terem a dimensão de outrora.
Nas recordações ainda de muitos nós, estão épocas de grandes rebanhos e de pastores, alguns bem nossos conhecidos, que continuam a ser referência na nossa história.
Eram homens simples, alguns até analfabetos, mas dotados de inteligência, de coração e de coragem. Eram também, acima de tudo, gente que sabia aconselhar.
Da Primavera ao Outono, dormiam sob as estrelas, num simples abrigo de palha, a poucos metros dos seus rebanhos. Geralmente tinham com companheiro o cão, seu fiel amigo
.

**

Homenagem aos Antigos Pastores de Loriga

Muito cedo de manhã partiam
Mesmo antes de o dia nascer
Ao encontro dos rebanhos iam
Só voltando depois do escurecer

Vezes sem conta a serra subiram
Deixando Loriga para trás distante
Uma longa vida na serra viviam
Como que uma vida de emigrante

Da serra tinham sempre histórias
Para aos mais novos contar
Histórias lendárias que ficaram
Que ainda hoje são de recordar

Não eram os ventos velozes
Nem os trovões que temiam
Eram sim os grandes nevões
Que muitas vezes os venciam

Pastor da Serra da Estrela

Subiam bem ao alto à Estrela
Pensando que ao céu iam chegar
Muitas vezes lhes parecia ver Jesus
Que no seu reino estava a rezar

Caminhos misteriosos e difíceis
Só mesmo eles pareciam conhecer
Vezes infinitas por eles passaram
Muitas dessas vezes neles a padecer

Numa vida dura e de paciente
A Estrela os acolhia como amantes
Homens calejados e destemidos
Eram na serra sentinelas vigilantes

Tantas vezes subiram à Estrela
Vezes que nem deu para contar
Quantas vezes também a subiram
Por vezes com vontade de chorar

Como companhia tinham seus cães
Companheiros e seus fieis amigos
O perigo os espreitava por vezes
Sendo os lobos os maiores inimigos

(Registado aqui - Ano de 1999)


Loriga de outros tempos

Ano 1950 - Fábrica Nunes Brito (Carreira)

Ano 1980 - Rua Sacadura Cabral

Poema - Sou de Loriga

Sou de Loriga sou sim senhor, de lá como as fragas e as ribeiras.
Como as andorinhas, que vão e sempre voltam, nas festas de verão.
Melros que devoram, frutos ainda verdes, da natureza são desventuras.
Banda a tocar, trinados da requinta, sonata ao luar, tocata ao serão.

Medo que assusta ao chegar, Ponte Jogais no embalo, do Arão é a Portela.
Tuas estradas e curvas, são colares de fantasia, de cristais a emoldorar.
Escondida que ficas, pra seres encontrada, brilhante que és ó Estrela.
És admirada, cantada e em prosa idolatrada, tola tua timidez a encenar.

Sou de Loriga sou sim senhor, como as bicas d'água, sempre a correr.
Do Mirante te olho, saúdo, aplaudo e te venero, tua beleza deslumbra.
Ouço o sino da matriz que repete, é hora de voltar, saudades a bater.
Sopa fumegante na tigela, broa de milho, chá de tília bem que cheira!

Levada de paixões, juras de amor sem fim, cânticos em coral na capela.
Na esplanada de tudo se fala, do somenos ao adufo, trelecas e castanholas.
Fados de Coimbra no adro, saudades em harmonia, gala maior fundo cala.
Passado bom de lembrar, mas mal já não medra, brisa fria tange-nos ao relaxas.

Sou de Loriga sou sim senhor, como o zimbro, as mimosas e os castanheiros.
Como as cerejeiras, Penhas do Gato e dos Abutres, os rosmaninhos e as giestas.
Águas cristalinas, descem a serra a desfilar, com as pedras da ribeira aos abraços,
Sem pressa de abalar, invejam as rochas que ficam, em adula eterna majestosas.

De Suevos e Visigodos, Mouros e Romanos a descendência, ao passado o culto
Passeios na estrada à tardinha, gangorras da memória, de emoções faz baloiço.
Courelas; presépio de sulcos teu povo esculpiu, palheiras e moinhos fazem vulto.
Garganta de Loriga; arauto de frio manto vestido, prantos de despedida já oiço.

Av.Augusto Luis Mendes (Carreira)


Autor : Antero Almeida Figueiredo (Brasil)
Agosto/2004

(Registado aqui - Ano de 2004)


As braseiras e bugias


Quando hoje apetrechamos as nossas casas com os mais sofisticados meios de aquecimentos, parece já se ter esquecido a Loriga de outras eras, quando as
braseiras e as bugias eram os aquecedores usuais, com que se aqueciam as casas, as pessoas e ao mesmo tempo também como meio de enxugar a roupa.
As casas já por si muito frias, as braseiras eram de facto fundamentais, por isso muito usuais em Loriga. Feitas de
latão ou cobre, colocadas em estrados próprios, proporcionavam um calor bem necessário para as pessoas se aquecerem, quando o frio mais apertava. Também os próprios proprietários das tabernas, cafés e as direcções das colectividades tinham também a preocupação de terem bem acesas as braseiras, para as pessoas se aquecerem, normalmente os homens que por ali se juntavam passando parte do serão.
Para além do aquecimento que proporcionava numa casa e nas pessoas, o calor da braseira depois de apetrechada por enxugadores próprios, feitos de arame mais forte ou ferro, eram uma mais-valia e de importância vital para enxugarem os
cueiros (fraldas de pano para as crianças) meias ou outras roupas, se nos lembrarmos que o agregado familiar era composto por muitas crianças, nessa Loriga quando a população era mais.
Recorda-se os serões à volta da braseira, onde muitas histórias se ouvia contar, numa caracterização própria que o calor fazia nas pessoas, principalmente nas mulheres, com as pernas sempre avermelhadas e que popularmente se dizia enchouriçadas, as folhas de prata para fazerem renascer mais as brasas, a borralha depois aproveitada ao ser espalhada pela terra de cultura, a pá sempre presente e imprescindível para mexer as brasa, são tudo isto recortes de história passada, que parecem já estar hoje esquecidos.
As
bugias, como assim se chamavam, feitas de ferro fundido com buracos à sua volta, era menos usuais, porque para meio de aquecimento, a sua utilização necessitava de outros condicionalismos, não podendo ser utilizado por qualquer outra dependência da casa, como se fazia com a braseira. Por isso, era mais usada como meio de fogão para confeccionar as refeições.
De qualquer das formas as
braseiras e bugias, foram na realidade os utensílios de muita importância e muito usados em Loriga, no entanto, ainda hoje há quem utilize a braseira, apesar da existência de outros meios do modernismo.
De qualquer das formas as
braseiras e bugias, fazem hoje parte das recordações de uma geração, que ao lhes vir à memória, recordam estes utensílios com saudade.

Bugia (1970)

Bugia 1970

Uma Braseira ainda usual em Loriga,
que aqui se documento com a foto, que
foi tirada numa casa em Loriga no mês de Dezembro (2008)

Braseira de aquecimento, com enxugador (1960)

(Registado aqui - Ano de 2007)


Caminhada ao Covão d´Areia - 26.Agosto.1989

Foi no dia 26 de Agosto de 1989, que se realizou a maior e mais significativa "Caminhada ao Covão d´Areia" idealizada por jovens à qual aderiram pessoas de todas as idades, numa grande jornada de aventura, passeio, laser, convívio e fraternidade, que ficou marcado para sempre na recordação de todos aqueles que fizeram essa subida à serra.
Essa caminhada teve também o impulso do Padre Jorge Manuel L. Almeida, que tinha sido ordenado sacerdote dois meses antes, que aproveitou e em pleno Covão d´Areia celebrar uma missa.

Cedo ainda, reuniram-se a pessoas na vila, unidos no mesmo sentido de subir a serra naquele espírito de aventura e de convívio como é timbre dos loriguenses. Iniciada a caminhada ainda pela fresca, antes que o sol despontasse, o grupo começou a subir o caminho e à medida que se foi tornando com um nível de dificuldade mais elevado, a totalidade do grupo foi-se dividindo distanciando em pequenos grupinhos, com os mais jovens a palmilharem o percurso com muita mais agilidade.
Os trilhos foram-se enchendo de grupos, que a passo a passo lá iam caminhando, até a própria "Penha do Gato" parecia admirada com tanta gente a percorrer os seus domínios, parecendo mesmo abrir seus braços para abraçar os visitantes tendo como sol o seu sorriso.
Aos poucos as pessoas lá foram chegando e cerca de duas horas depois da partida da vila, já todo o grupo estava reunido no Covão d´Areia, local aplanado de grande dimensão e rara beleza, resguardado por altos rochedos, local aprazível onde a natureza se mistura com o ar cristalino que purifica os pulmões e o espírito, onde todos estavam certos de estarem ali para passar um dia encantador e inesquecível.
Foram momentos de verdadeiro convívio e amizade, com os mais velhos a contarem histórias e lendas, cantaram-se músicas populares, jogaram-se jogos e houve prática desportiva, com o sol sempre sorridente a dar uma ajuda, para que nada faltasse.

Padre Jorge Manuel L. Almeida, a celebrar a missa

Foi construído um altar improvisado para que o então jovem Padre Jorge Manuel L. Almeida, celebrasse a missa campal, que todos assistiram numa verdadeira manifestação de fé e devoção em plena Serra da Estrela, onde as "Penhas" parecem tocar o céu e pedir a Deus que abençoasse aquela gente. Foi algo de inédito a celebração de uma missa naquele local, que ficou para sempre na recordação.
Um trabalho árduo foi efectuado pelo senhor António M. Nunes (Moita) e o Carlos (o Barbas) que levaram bastante tempo a fazer os buracos num dos rochedos de granito circundante no Covão d´Areia, onde foi colocado uma chapa alusiva a esta jornada de convívio, assinalando para a posteridade este dia memorável.
Uma organização perfeita que pareceu nada faltar, cabendo aqui um papel fundamental do apoio prestado pelo Grupo de Escoteiros, houve atribuição de medalhas aos vencedores dos vários jogos efectuados, homenageados também com medalhas várias pessoas não sendo esquecido aquelas de mais idade, sem dúvida, uma jornada de convívio que ficou bem assinalada nos corações de todos.
Chegou-se a tardinha e a hora do regresso, felizes e contentes voltaram aos trilhos que os levaram de volta à vila, as "Penhas" os viram partir e com pena e saudosas ficaram por aquele gente ter proporcionado um dia diferente aquele local.
No rosto de todos eram bem visível a felicidade de um dia diferente e bem passado no local onde a natureza é rainha e mais perto se vê o pico das Penhas que parecem tocar no céu.

***

Aqui de registam várias fotos da Caminhada ao Covão d´Areia em 26. Agosto.1989

No momento da pregação do Padre Jorge Manuel L.Almeida

Momentos de laser e descanso

Preparação para uma corrida

Jogo de cartas entre as mulheres

Momentos de distribuição de Madalhas

Continuação de distribuição de Madalhas

Trabalho árduo levado a cabo pelo senhor António Nunes e Carlos (o Barbas) para fazer os buracos para a colocação da chapa alusiva a esta Caminhada

Colocação da chapa pelo Carlos (o Barbas)

O mais jovem e o mais idoso

Nota:- Fotos retiradas de filmagens efectuadas com câmara Vídeo, filme realizado por Joaquim Brito, natural de Alvôco da Serra, casado com uma loriguense, que desta forma fez a cobertura total deste evento, que com a ajuda da tecnologia de hoje podemos registar com a colocação desse mesmo Vídeo em DVD.

(Registado aqui - Ano de 2008)


Loriga de outras eras

Recordar "Loriga de outras eras" é uma nostalgia que percorre os loriguenses onde quer que se encontrem, lembram com ternura e saudade tempos já passados, que ao recordá-los, os faz viver tempos que ficaram para sempre nos seus corações.

DETALHES SERRANOS *

1
Vem-me à lembrança
Como era a vida
No meio da serra
Quase esquecida

2
Sem a liberdade
Escrita nas leis
Assim se vivia
Sem esses papéis

3
Nas ruas e becos
Largos ou terreiros
Viam-se os meninos
Quase "dinqueiros"

4
Joelho esfolado
A unha a cair
Mãos sujas de terra
E o rosto a sorrir

5
Passavam o tempo
Em grupo ou sozinhas
Às vezes com um pau
Atrás das galinhas

6
Naquela calçada
Tão irregular
As pedras luziam
De tanto passar

7
Ao toque da Música
Se havia " arruada"
Alegre atrás dela
Ia a garotada

8
Usar roupa nova
Oh! Que alegria
Para a procissão
Da Senhora da Guia

9
Ao som dos foguetes
Miúdos "sacanas"
Fugiam à mãe
Para ir às canas

10
Nos dias de Maio
Alguém se atrevia
A levar os grilos
P'ró Mês de Maria

11
Era obrigação
Todos os meninos
Pedirem a bênção
Aos pais e padrinhos

12
Aprender a ler
E ir à doutrina
Sem faltar à missa
Menino ou menina

13
Andar de pó pó
Oh! Que alegria
Na camioneta
Da mercearia

14
Queimados p'lo sol
No mês do calor
Sabiam nadar
Sem ter professor

15
Sopinha e pão
Quase sempre havia
Raro era comer-se
Outra iguaria

16
Jogos não faltavam
Para diversão
Desde o pau-de-bico
Ao eixo e ao pião

17
Brincar às pedrinhas
À corda, ao bulir
Batendo às portas
E logo fugir

18
Assim a canalha
Dos tempos antigos
Ainda tem hoje
Velhos amigos

19
Qual berço de ouro
Fazer um ó ó
No xaile embrulhados
Ao colo da a

20
Ao sol do Inverno
Tarde soalheira
Sentavam-se os velhos
Em qualquer soleira

21
Um peito sereno
É caixa sagrada
Que guarda lembranças
Da era passada

22
Já pouco se escuta
O som das Trindades
Ao raiar da aurora
E ao cair das tardes

23
Com mais casario
Mas com menos gente
Loriga é um ai
Que só a alma sente

24
Hoje quem lá volta
Sem lá ter ninguém
Qualquer beco ou rua
Lhe fala de alguém

25
São pedacinhos
Do tempo passado
Só cada um sabe
Como foi criado

26
As ruas desertas
Cheiram a memórias
As casas velhinhas
São livros de histórias

27
Passado é passado
È recordação
Que tem num cantinho
Qualquer coração

28
Somente lembranças
Que há dentro de nós
Escutem os netos
Contem os avós.

* Adélia Prata

(Registado aqui - Ano de 2008)


Uma Loriga de outras eras
- A Rua da Amoreira -

A nossa bem conhecida loriguense, Maria Eugénia Gonçalves de Moura, mais conhecida no meio loriguense por "Genita", faz parte daquele rol utópico dos "Poetas da Minha Terra", que nos tem habituado a expressar Loriga, num bem real sentimento de alma poética

Mais uma vez e recentemente a
"Genita" postou nas redes sociais, um esplendor, belo e extenso poema, cheio de nostalgia que nos faz voar pelas nuvens densas do passado e levar-nos até àquela Loriga de outras eras, onde uma rua existia toda ela cheia de vida, onde as crianças despontavam como flores, que apesar de quase nada se ter, parecia que toda a gente tinha tudo do que melhor havia, Amor, Amizade, Alegria e Afeição.

Parabéns amiga Eugénia por este belo poema, que me fez voltar àqueles tempos que há muito deixamos para trás, mas que continua e continuará a estar sempre bem presente nos nossos corações.

*****

A Rua da Amoreira *

I
Na rua da Amoreira
Vivi minha mocidade.
Éramos uma família
Brincávamos em liberdade.

II
Uma grande amoreira
Num dos quintais existia.
E assim ficou o nome
Da rua que a possuía.

III
Uma rua movimentada
A qualquer hora do dia.
Casas cheias de gente
Repletas de alegria.

IV
Crianças não faltavam
P´rás diversas brincadeiras.
Nos balcões nós morávamos
Às filhas e mães verdadeiras

V
Nas caixas dos sapatos
Bonecas de trapos dormiam.
Mais tarde as de casquilho
Até os olhos abriam

VI
Fazíamos-lhes as roupas
Dávamos-lhes de comer.
Arroz apanhado nos muros
Cachilros pr'azeite fazer.

VII
Nos frascos das injecções
Tapados com a borrachinha
Guardávamos o azeite
P'ra temperar a comidinha.

VIII
Os cantinhos, as pedrinhas,
O rebisco, a apanhada,
As semanas , a macaca,
A bonzera bem acertada.

IX
O óculo e o pula um
Brincadeiras tradicionais.
A gancha e o rodízio
Pau de bico e outros mais.

X
Todos tínhamos um nome
Com o qual nos baptizavam
Mas era pelo alcunha
Que nos identificavam.

XI
Os alhos,tripas, leitões,
cozinhas, cebolas, gigis,
cigueiras,grilos, pregos,
santa,gordos, cabrais,
rata, barromona,demo,
farias, linos, tanganhos,
chixas,sabanicos,
zé morto,rufinas,as d'avó,
menano,chagas, rolhas,
pirolas, tomé, machado,
canhão, carneiro,pipineira,
Todos viviam na rua da Amoreira
.

XII
Figuras que nos marcaram
Vou lembrar a vida inteira.
Tia Batista, Tia Elvira,
Cego da Cecília, Tia Pinheira.

XIII
Nos balcões vasos floridos.
Sardinheiras e outras mais.
Coloriam a nossa rua
E as quelhas laterais.

XIV
Na quelha do Sr. Velozo
Zé Rufina e a boa disposição.
Tocava a concertina
Reinava a animação.

XV
Na quelha da Cecília
Havia um caroleiro
Com uma pedra redonda
Partia-se o milho inteiro.

XVI
Descer a quelha do Rato
Era uma grande aventura.
Pois nossos sapatos pisavam
Uma poia mole e escura.

XVII
Descer os Passos do Senhor
Escorregando no varão.
Era uma das brincadeiras
Das crianças d'então.

XVIII
Tinha muitos recantos
A quelha do Sr António João.
Jogávamos ao rebisco
Quem chega primeiro põe a mão.

XIX
A água corria no rego
Nós atrás dela também.
Um barco que deslizava
Era assim nosso entretém.

XX
Travava-se a água no rego
Para a rua lavar.
Pés descalços chapinhavam
Neste tradicional refrescar.

XXI
Os eléctricos do cimo
Passavam aqui também.
Exalando fortes odores
Não agradando a ninguém.

XXII
Amassa o pão meado
O pregão a ecoar.
A lenha que enchia o forno
Começava a crepitar.

XXIII
No forno da Tia Morcela
Andava grande agitação.
Batia-se o pão-leve
Para a festa da Ressurreição.

XXIV
O supermercado da época
Era a loja do Tio Leitão.
Desde o caroseno ao azeite,
Linhas, tecidos e o botão.

XXV
Morriam muitos anjinhos
Era preciso um caixão.
Ir à rua da Amoreira
Era a única solução.

XXVI
O Sr José Cruz
Empregado do Armazém
Vendia fazenda a metro
P'ró fato do pai e da mãe.

XXVII
Em casa da Tia dos Anjos
A labuta era original.
Vendia leite aos quartilhos
Fazia queijo e manteiga divinal.

XXVIII
O Sr Cardoso de Moura
Doou sua habitação
Além de outros bens
Para uma fundação.

XXIX
Hoje é a rua Coronel Reis.
Foi feita uma homenagem
A um filho de Loriguenses
Homem bom e de coragem.

XXX
A rua onde nasci e cresci
Quase já não tem ninguém.
A água ainda corre no rego
Num constante vai e vem.

XXXI
Santo António está triste
Ninguém passa para pedir
O milagre que tantas vezes
Fez muita gente sorrir.

XXXII
Sobre a rua onde nasci
Escrevi o que sabia
Para que a futura geração
Saiba como se vivia.

* Genita
[Maria Eugénia Gonçalves de Moura (Gomes)]

(Registado aqui - Ano de 2015)


"Quando o coveiro fechou o povo no cemitério"

Carlos Moura Santos, era um loriguense de gema, como se diz na gira, mais conhecido por "Barbas" por motivo de usar farta barba, que ele um dia resolveu deixar crescer. Foi sempre um inconformado e um lutador pelas suas razões, foi funcionário da Câmara Municipal de Seia em serviço da Junta de Freguesia de Loriga, dentre as suas várias funções era o coveiro na sua terra.

Com o anoitecer mais cedo na altura do Inverno, o Carlos Moura Santos, nas suas funções de coveiro, começou a ter uma certa impaciência e alguma irritação, chamando mesmo atenção ao senhor Presidente da Junta e o Pároco local, pela marcação tardia da hora dos funerais, que o levava a sair do cemitério já pela noite cerrada depois de todo o trabalho feito na nobre função de enterrar o defunto.
Essa sua reclamação parecia não ter eco e o senhor padre lá ia marcando os funerais sempre a quase ao fechar a claridade do dia. O Carlos
"Barbas" lá ia manifestando o seu desagrado e muitas vezes chegava mesmo a dizer no seu círculo de amigos "que algum dia fazia das suas".
Até que um dia planeou por em prática o seu desagrado e ao mesmo tempo a sua chamada de atenção. Era um dia de Outono já muito perto do começo do Inverno, o funeral lá chegou ao cemitério, postado como sempre à entrada do cemitério na chegada do funeral, o Carlos
"Barbas" muito calmo, acabou de fazer algo diferente, após a entrada do último acompanhante, fechou o portão à chave e foi então com a mesma calma até ao féretro, junto do coval onde o pároco iria proferir as últimas leituras.
Depois disso, os acompanhantes começam a dirigirem-se para a saída e querer sair e o portão fechado. O Carlos
"Barbas", lá contínua calminho nas suas funções de fazer descer o caixão á cova, lançar a terra a cobri-lo e todas as outras tarefas, gera-se então um burburinho e mesmo até alguns protestos e alguma exaltação e o Carlos parecia nada ser com ele, lá continuando o seu trabalho, indiferente aos protestos cada vez mais exaltados, protagonizando-se assim em pleno cemitério de Loriga um episódio de qual não havia memória que acontecesse ou que se imaginava que viesse um dia acontecer.
Já com o serviço quase concluído o Carlos lá desabafou e disse o que tinha a dizer ao senhor padre, foi então com a mesma calma abrir a portão e voltando a referir ao senhor Padre, que se continuasse a praticar os mesmos horários, voltava a fazer o mesmo. Certo é, que foi
"remédio santo" a partir de então os horário dos funerais passaram a ser marcados para horas muito mais cedo.
Este episódio, rapidamente tornou proporções passando a tema de divertimento e de rizadas, pouco depois passou mesmo para lá dos montes altos, chegando então à imprensa escrita a nível do país, com os jornais a darem relevo à notícia como meio de divertimento e de risos ficando assim na memória
"o coveiro fechou as pessoas no cemitério" que ao mesmo tempo foi também na altura, tema de divulgação do nome de Loriga.
Este episódio ainda hoje muito se recorda, principalmente, quando os loriguenses em convívios e encontros ocasionais, recordam a sua terra, a sua gente e as suas memórias.

(Registado aqui - Ano de 2013) - (arranjo dum escrito de Victor Moura)


Breve história do imóvel da "Volta"
O desenvolvimento das obras ao longo dos 6 anos

Recordar-se aqui a história deste imóvel situado no local conhecido por "Volta" e, que foi agora parte das instalações atribuídas ao Grupo, foram até à pouco menos de meio ano atrás, o Quartel dos Bombeiros Voluntários de Loriga, encontrando-se atualmente estas instalações um pouco degradadas, precisando por isso obras de restauro e conservação.
Deve dizer-se, que quando foi pensado construir este imóvel, aproveitando parte daquele grande terreno, onde também já estavam a decorrer negociações para a construção da Escola Básica 2,3 Dr. Reis Leitão, o que veio acontecer também anos depois, ao principio não havia como objectivo e não era destinado para ali instalar os Bombeiros Voluntários, devendo-se dizer que a construção deste imóvel, veio a tornar-se numa das obras mais problemáticas de Loriga, que desde o começo da sua construção até à conclusão das mesmas e pronto como funcional, foram preciso longos 6 anos (1988-1994) que fazia vir à memória aquela expressão popular de serem como as obras da "Santa Engrácia", por isso, na altura foi mesmo posta em causa a credibilidade do poder municipal e local.
Diga-se que a construção daquele imóvel era a cargo da Câmara Municipal, muitas vezes não se chegando a compreender, o facto, de as obras pararem sistematicamente meses e meses, por isso se arrastarem por tanto tempo.
Com a fundação dos nossos Bombeiros no Ano de 1982 e na altura que este imóvel começou a ser construído em 1988, já esta nobre instituição tinha seis anos de existência e em plena expansão e já a viver um período áureo da sua história, encontrava-se sediada num barracão situado no Bairro das Penedas, sem condições condignas e que de maneira alguma se desejava que estivessem assim naquelas condições.
Com o decorrer da construção daquele imóvel na
"Volta" foi-se formando a ideia de colocar ali o Quartel dos Bombeiros provisoriamente, tendo até a dita construção sofrido algumas alterações, depois de construído veio então a concretizar-se e para ali se mudaram os nossos Bombeiros Voluntários, que como se disse, seria uma situação provisória, que de provisório se contabilizou em 18 anos, tempo esse que ali estiveram os nossos soldados da Paz, já nos últimos anos a viverem ali sem condições dignas.
Diga-se ainda, que quando foi pensado a construção daquele imóvel, uma das ideias primárias destinava-se à colocação ali do mercado semanal, como entretanto, tudo foi alterado, a ideia existente continuou a manter-se e foi mesmo ali colocado o mercado, sendo então aproveitado uma parte exterior como zona comercial, diga-se também, que de certa forma a colocação ali do mercado teve sempre vozes discordantes nunca tendo sido do total agrado da população e vendedores.
Cada vez que estava mais presente na gente loriguense, o sonho da construção de um novo Quartel para os Bombeiros de Loriga, começou também a ser falada a ideia de que as instalações do imóvel da "Volta", seriam depois destinadas para colocar ali o Grupo Desportivo Loriguense, o que veio agora acontecer com esta assinatura protocolar, tornando-se assim finalmente real, aquilo que há muito era falado.

Abril de 1988

Dezembro de 1989

Julho de 1993

Julho de 1991

Agosto de 1995
Já plenamente funcional

(Registado aqui - Ano de 2012)


A história do prédio da Carreira
- O Café Restaurante "Império" -

O prédio da "Carreira" é sem dúvida o maior imóvel habitacional de Loriga, construído entre 1971 e 1972, um investimento arrojado e de coragem, de Álvaro Pinto Ascensão, um loriguense que se encontrava até então radicado em Belém do Pará - Brasil, com a sua família, para onde tinha emigrado nos finais da década de 1950.
Álvaro Pinto Ascensão, amava Loriga como ninguém tendo sempre presente na ideia de poder um dia regressar e poder fazer algo pela sua terra. A sorte por terras do Brasil o foi acompanhando, não tardando que estivesse lançado num bom investimento no ramo hoteleiro, com mais dois sócios, estando perante um grande negócio que lhe fazia ganhar muito dinheiro.
Esse investimento situado bem no centro da cidade de Belém do Pará, corria de verdadeira feição, que segundo se sabe era mesmo um negócio de ganhos bem elevados, assim, pouco tempo depois, começou a surgir na sua ideia de investir também na sua terra, programando então na altura o seu regresso a Loriga, bem como, da sua família.

De regresso a Portugal deixou o seu próspero negócio, nas mãos dos seus sócios, na sua ideia tinha em pensamento fazer uma pensão em Loriga, uma carência com que há muito se debatia a sua terra, para o efeito era necessário o terreno, de preferência num local central e estratégico, vendo logo esse terreno em algumas courelas que ladeavam a Avenida Augusto Luís Mendes mais conhecida popularmente por "Carreira", na altura já sem árvores e depois de ter recebido obras de requalificação, que tinha a ver no desenvolvimento de Loriga, principalmente, relacionado ao projeto do saneamento básico que estava já em marcha.
Se bem o pensou melhor o fez e, pouco depois adquiria o terreno para levar em frente o seu sonho, que logo após se saber o projeto então definido, à partida se passou também a saber ser um investimento bem corajoso, mas a ideia sempre presente na mente do senhor Álvaro Ascensão, de andar em frente, nada o fazia poder desistir, nada mesmo o fazia parar com esse seu sonho.
Em Loriga sempre houve gente para dar opiniões, nessa altura esses meios de opiniões sucediam-se a quase todo o momento, nomeadamente, por gente influente da nossa terra, que de certa forma tiveram preponderância no senhor Álvaro Pinto Ascensão, convencendo-o a ir mais além. Assim, um
"Hotel" em Loriga e se possível de estrelas, passou então a ser um tema bem real e já bem enraizado na sua ideia sonhada.
Sendo um investimento audacioso, como se disse, estando já a tomar forma na ideia do senhor Álvaro Ascensão, em destinar o imóvel em hotel, na verdade também se diga, que nunca também abdicou da ideia de pensar em alternativas, por isso, ter projetado a construção dos andares para eventuais casas habitacionais, por isso mesmo, desde logo o facto de ficarem apetrechados com cozinhas próprias e uma grande sala comum.

Ano 1976- Prédio e a "Carreira"

O projeto começou a ter consistência em 1970, começando o imóvel a tomar a sua forma em 1971, uma construção sólida com a particularidade de ter sido utilizada muita pedra de granito da região, trabalhada pelas mãos de grandes pedreiros de Loriga.
Estava previsto a total conclusão das obras em Abril/Maio de 1972, no entanto, por essa altura, apenas o r/c do chão, o primeiro andar e o segundo andar, estavam quase praticamente construídos no essencial, mas ia faltando sempre o quase, as obras continuavam a decorrer, prevendo-se então a total conclusão durante o mês de Julho, tendo o senho Álvaro Ascensão programado a sua inauguração para o primeiro de Agosto de 1972, vésperas da Festa da Nossa Senhora da Guia, o que veio acontecer, só que ainda muitos dos acabamentos por fazer, que só vieram a ser concluídos nos meses seguintes Setembro/Outubro.
Já agora deve-se dizer que os subandares, que consistiam em três pisos, ficaram na altura por acabar, ou seja ficaram em bruto, como se diz na gira. Estes andares eram destinados, para um grande salão de festas, salão de reuniões, salão de jogos, quartos de arrecadação e ainda para um deles estava projetado a montagem de uma lavandaria para o serviço do hotel e também para o público em geral.
Deve-se também dizer, que o projeto do café e restaurante teve uma grande falha, na altura já numa fase de as coisas estarem a ser feitas precipitadas. Quando já as obras do prédio estavam adiantadas, havia apenas a ideia de um café e restaurante espaçoso, assim foram esquecendo detalhes importantes, o mais flagrante, foi quando projetado o dito café e restaurante ser omitido o local para as Toaletes (casas de banhos) que veio a ser corregido com a alteração do projeto do imóvel, sendo construído posteriormente o anexo que sobressai da estética do prédio, tal como hoje existe, onde se situam as ditas Toaletes.
Já com a ideia bem definida de o imóvel ser destinado a Hotel, o senhor Álvaro Pinto Ascensão, nos meses de Abril/Maio/Junho e Julho de 1972, desdobrava-se nos mais variados contactos a nível do Turismo, tanto regional como até central, recordo aqui um desse encontros ao mais alto nível, que decorreu num famoso hotel da Figueira da Foz, pelo meio com muitas promessas de apoios, que depois nunca chegaram a ser concretizadas.
Recorde-se, que durante esses encontros, saíam sempre novas alterações a fazer, isto tendo em conta do requerimento de solicitação para uma categoria de Hotel de três estrelas, devendo-se dizer que alguns dos quartos não tendo casa de banho privativa, foi necessário apetrechar os mesmo, com bacia de lavar as mãos, esta uma das exigências, entre outras.

Ano 1985- O Prédio na sua verdadeira plenitude

Entretanto, no mês de Junho/Julho os quartos começaram a ser equipados com os respetivos mobiliários, o nome de "Império" começou a figurar no café restaurante, na altura, ainda sem estarem totalmente acabados, nomeadamente, faltando colocar os azulejos e as pinturas das paredes, mas tanto a cozinha como o café restaurante, foram equipados com equipamentos sofisticado e do melhor que havia na época, tendo sido uma firma do Porto que veio instalar tudo, levando cerca de duas semanas para o fazer.
O dia marcado chegou, com a visita de uma delegação do Turismo, para dar seguimento sobre o pedido requisitado de Hotel de três estrelas, que mesmo considerando já estar de acordo com determinados requisitos, pareceu também desde logo ficar de fora essa pretensão, tendo em conta da maneira caracterizada como foram destinados os andares, no entanto, foram dando esperança e com o tempo se foi esfumando. De qualquer modo ficou desde logo uma garantia de o
"Hotel" em vez de três estrelas passar a ser apenas de duas.
Certo é, que no dia 1 de Agosto de 1972, terça-feira da semana da Festa da Nossa Senhora da Guia, entrou em pleno funcionamento, com muita gente vinda de Sacavém para a Festa da Nossa Senhora da Guia, podendo já pernoitar nos quartos e com o Café e Restaurante já em pleno funcionamento, passando a ser já uma mais-valia, que veio tornar aquele local da
"Carreira" uma referência e a começar assim dessa forma, a ser criado ali uma visão futura de desenvolvimento.

Recorde-se que a primeira festa efetuada no Café Restaurante "Império", foi um casamento, três dias antes da inauguração. Casamento do Luciano Pinheiro com Maria da Conceição Pina, realizado no (sábado) dia 19 de Julho de 1972.
Durante os seis meses seguintes, que esteve em atividade, o Café Restaurante e os quartos alugados para dormidas, o movimento foi sempre regular, quase diariamente chegavam pessoas para ali pernoitarem, assim como, loriguenses que vinham passar férias a Loriga ocupando os quartos por semanas, como também o café restaurante a ter um certo movimento, parecendo tudo correr dentro do que foi sonhado pelo seu proprietário.
O Café Restaurante "Império" e o aluguer dos quartos, esteve em funcionamento durante seis meses, (1.Agosto.1972 a 31.Dezembro.1972), entretanto, por altura de Novembro problemas surgidos com o seu negócio no Brasil e acumulando-se as dificuldades económicas para pagar o grande investimento efetuado, (em grande parte dependente desse seu negócio no Brasil) o senhor Álvaro Pinto Ascensão resolveu regressar ao Brasil, decidindo encerrar o Café Restaurante "Império" o que aconteceu no dia 31 de Dezembro de 1972, porque nesse momento não sabia como seria resolvido esses problemas no Brasil.
Recorde-se que este encerramento foi o primeiro de vários que depois teve ao longo dos anos, porque o Café Restaurante "Império" ficou para sempre na história como uma referência, tal como hoje continua a ser e a manter o nome primitivo.
O senhor Álvaro Pinto Ascensão, regressou então ao Brasil, apenas ele, deixando a família em Loriga. Perante os problemas com o seu negócio, com que se deparou ao chegar a Belém do Pará, desde logo à partida parecia de difícil resolução, o que se veio a confirmar, sendo obrigado a deixar o seu grande e prospero negócio, ficando assim de parte a continuidade de manter o seu prédio em Loriga, como sonho de um "Hotel", sendo então necessário e urgente a venda dos andares que passaram a casas de habitação, terminando assim um sonho, esfumando-se também assim uma grande infraestrutura na vila de Loriga, com a qual a nossa terra há muito se debatia e que com a construção do imóvel da "Carreira" se pensava estar garantida.

Ano 2007- O Café Restaurante "Império"

(Registado aqui - Ano de 2013)


Registo de Memórias

Recortes de história nos mais elementares registos de memória e recordações de tempos passados, focados em locais e pessoas, no enquadramento comercial e industrial.

***

- Sapataria do "Ti António Calçada" - Uma casa onde mora a saudade -

Fui até à sapataria do "Ti António Calçada" assim ainda chamada por muitos, perpetuando a memória de António Moura Pina (1907-1988) uma grande figura de Loriga, sapateiro de profissão e não só.
Ao entrar pareceu-me parar no tempo e por momentos senti-me envolvido por uma nuvem que me levou aos tempos já há muito passados, quando um montão de sapatos esperavam para serem arranjados e os novos sapatos novos embelezavam as prateleiras, ao mesmo tempo que ainda pareceu-me ouvir as cordas da velha guitarra tocando música de uma nostalgia, que apenas o
"Ti António Calçada" sabia tocar.

Hoje damos connosco como que numa casa onde só mora a saudade, tudo parece estar na mesma, ao recordar-me que não era só uma sapataria, era um local que era mais que isso, foi uma autêntica escola de música, onde muitos aprenderam a tocar com os ensinamentos do "Ti António Calçada", foi um local de tertúlia onde de tudo se falava, era um local onde arte de bem arranjar sapatos engrandeceu sempre a nobre profissão de sapateiro.
A sapataria do
"Ti António Calçada" continua hoje e no tempo sempre presente, fruto da continuidade do seu filho Manuel Abreu Pina o "Manel Calçada" como popularmente assim o chamam. O senhor António "Calçada" pai de muitos filhos teve no Manuel o único que enveredou pelos seus passos na arte de sapateiro, continuando bem presente ainda no seu posto de trabalho, esperando que alguém chegue com sapatos para consertar, mas que se passam dias e dias sem chegarem.
Hoje a profissão de sapateiro nada tem a ver com a que também conhecemos, o modernismo e a globalização não se compadece com a arte de trabalhar no arranjo de sapatos, vemos o nosso amigo
"Manel Calçada" esperando que lhe entrem pela porta dentro sapatos para consertar, ou então mandar fazer de novo, ainda muito menos. Diz-nos o Manuel:- ."Hoje em dia quase não mandam arranjar sapatos, repara que hoje compram sapatos por 5Euros ou menos e como podes ver nem vale a pena arranjar se o valor de um concerto é quase isso ou meias solas é ainda mais…."
Na verdade basta ver numa feira ou numa casa de artigos chineses, cheios de artigos de calçado de material duvidoso a baixíssimo preço, que na verdade não compensa mandar arranjar, mesmo quando de imediato se estragam.
O nosso amigo
"Manel Calçada" é já dos últimos sapateiros resistentes de Loriga, continua também a resistir ao tempo. Nesse dia era dia da Festa da Nossa Senhora da Guia, estava o "Manel" de seu fato domingueiro no seu lugar de trabalho à espera da procissão, saí então daquele local e novamente voltei à realidade, no entanto, ao abandonar aquela casa me pareceu voltar a ouvir os sons melancólicos das cordas da velha guitarra, olhei para trás e com uma certa ansiedade em mim, voltei a fixar aquela porta e aquela casa "onde continua a morar a saudade".

Manuel Abreu Pina

(Registado aqui - Ano de 2010)


- Carlos Mendes Amaro (Farias) - "O último Barbeiro de Loriga?.."

Na Rua Cónego Nogueira bem junto ao lugar cognominado por "Praça" encontra-se situada a Barbearia do Carlos Mendes Amaro mais popularmente conhecido por Carlos "Farias" o resistente Barbeiro em Loriga, oriundo de uma família de grata tradição nesta arte de fazer a barba e cortar o cabelo.
Apesar de ter tido a sua ocupação profissional em outras áreas,
Carlos "Farias" ainda novo foi-se ocupando nas horas vagas a laborar nas Barbearias do seu pai Francisco "Farias" e do seu tio António "Farias", tornando-se assim também barbeiro nas horas livres. Continua hoje ainda fiel aos seus princípios e ao abrir um dia a sua própria Barbearia, continua a satisfazer uma clientela, também ela ainda hoje fiel ao tradicionalismo serviço dos Barbeiros.

Carlos Mendes Amaro

É uma história rica a existência dos Barbeiros em Loriga, "em épocas em que a população era muito mais" com várias Barbearias na vila, se bem que nem todos os barbeiros viviam dessa profissão, pois tinham outras ocupações, trabalhando nas fábricas e mesmo trabalhando no cultivo das terras.
Está ainda na memória de muitos as Barbearias em Loriga, autênticos lugares de tertúlias onde se falava de tudo e de todos, era ali o cenário de onde saiam as novidades, foram na verdade verdadeiros recantos onde parece todos terem ficado presos na saudade.
Hoje a realidade é bem presente dos tempos que correm o modernismo, o profissionalismo necessário para desempenhar a arte de cortar cabelos, conjugado no facto dos cuidados higiénico no fazer a barba, arredou para segundo plano as tradicionais Barbearias, que aos poucos vão desaparecendo, principalmente nos meios pequenos. Neste prisma, se pensa que a Barbearia do bem conhecido
Carlos "Farias" ainda bem no presente na vida quotidiana de Loriga, será porventura a última?.. O tempo não se compadece do saudosismo, que continua a manter-se em muitos de nós, mas a realidade parece ser essa.
De qualquer maneira ainda vamos vendo o
Carlos "Farias" a resistir aos tempos, com a sua Barbearia ainda aberta, no seguimento da histórica familiar, lembrando seu avô, seu pai, seu tio e também seu irmão Augusto, que engrandecem a história familiar de geração em geração nesta nobre profissão de Barbeiros, assim cognominados.

(Registado aqui - Ano de 2010)


- Pedro Mendes Fernandes -

Pedro Mendes Fernandes, de 74 anos popularmente conhecido por "Pedro da Lapa" é na verdade um génio na arte de trabalhar com o torno. Torneiro de profissão esteve também alguns anos radicado na África do Sul, para onde tinha emigrado na ideia de uma vida melhor.
Num recente encontro que tivemos com ele, venho a reparar nos trabalhos que vai executando à mão ou recorrendo ao torno, fazendo artigos decorativos onde desponta a imaginação e ao mesmo tempo uma misteriosa idealização de um trabalho de verdadeira perfeição, que é digno de admirar.
Nesta foto aqui reproduzida em madeira podemos ver uma esfera movimentada dentro de um octógono onde não se visionando uniões, nos leva a imaginar um certo mistério numa criatividade de um trabalho perfeito de elevado espírito de bem-fazer.
Sei que já fez várias exposições, no entanto, muitos outros trabalhos ainda não foram divulgados o que espero com oportunidade fotografar, para mais tarde aqui colocarmos na divulgação de um trabalho que vale a pena visionar.

(Registado aqui - Ano de 2010)


José Duarte Marcos - Uma "Casa comercial no meu Bairro"

Situada no Terreiro da Lição vamos encontrar a casa de electrodomésticos do bem conhecido amigo José Duarte Marcos, pequeno espaço que o amigo Zé aproveitou alguns anos atrás, para ali situar a sua casa comercial, regressando assim ao Bairro de S. Ginês, local que fez também parte da sua vida quando menino.
O pai do Zé era um conhecido e conceituado pequeno comerciante que tinha a sua pequena loja de mercearia na rua José Mendes Veloso, bem junto ao Bairro de S. Ginês. Depois do falecimento de seu pai, mesmo tendo a sua ocupação profissional como trabalhador na Metalúrgica Pedro Vaz Leal, o nosso amigo Zé continuou com a loja, até que resolveu abrir uma casa de electrodomésticos no Vinhô.
Durante alguns anos a sua casa de electrodomésticos permaneceu situada na casa do senhor Augusto Nunes de Pina, naquele lugar pitoresco do Vinhô, que faz parte da vila histórica de Loriga. Mais tarde quando deixou a sua ocupação como trabalhador na Metalúrgica, então sim, o mote em endereçar pela via comercial a tempo inteiro, foi o passo bem significativo que o levou a ter a sua loja, como equipamento deste ramo em Loriga, que se vai mantendo e que hoje é a única.
Como que um
chamamento às suas origens resolveu um dia transferir a sua casa para o Terreiro da Lição actual local onde se encontra, regressando ao Bairro que ele tão bem conhecia, ocupando uma pequena loja que faz parte da história de Loriga, pois por estranho que pareça, aquele espaço apesar de pequeno, já ali esteve instalado os Correios, a Junta de Freguesia, uma Barbearia, uma casa de fotografia, entre outras.
A casa de electrodomésticos do José Duarte Marcos no Bairro de S.Ginês, é pois uma casa onde se encontra tudo que diga respeito a artigos eléctricos e, que mesmo não havendo o que pretende, não esperará muito para ser servido, por isso a podermos chamar uma verdadeira
"Casa de Bairro" bem necessária em Loriga, que vai resistindo aos tempos e em que o seu proprietário tem como lema o bem servir.

José Duarte Marcos e a sua casa comercial

(Registado aqui - Ano de 2010)


António Gomes Dias - E a sua oficina numa rua típica de Loriga

Muito perto do antigo local central da vila histórica de Loriga a "Praça" encontra-se a rua Sociedade Recreativa Musical Loriguense, popularmente conhecida por "Rua ou Quelha Escura" onde se situa a pequena oficina do nosso bem conhecido amigo António Gomes Dias popularmente conhecido por António "Mitra".
Para pequenos trabalhos e arranjos, a oficina do António Gomes Dias espera por todos, mas a vamos considerar como que sendo uma pequena
"oficina de bairro" com pouca capacidade, não podendo enveredar para trabalhos mais alargados, mesmo também tendo em conta que hoje em dia o modernismo, parece também ter colocado de parte muito do ferro que era muito utilizado antigamente em quase tudo e hoje substituído por outras matérias, por conseguinte a pequena oficina do nosso amigo António Dias é para ele como que um Job para não estar parado.

A "Rua ou Quelha Escura" chamada assim numa "Loriga de outras eras" é ainda das poucas ruas de Loriga que mantêm a calçada primitiva, com pedras da nossa zona que a tornam numa rua bem típica e pitoresca, onde numa velha Loija resolveu um dia o António Gomes Dias instalar a sua oficina, que com certa aparência tradicional e como parecendo escondida e ali parada no tempo, deu vida e mantêm bem viva essa rua e esse local harmonioso da nossa terra.
António Gomes Dias foi durante muitos anos trabalhador na firma Metalúrgica Vaz Leal, S.A., até que por fim resolveu abrir a sua própria oficina, dando assim continuidade à sua profissão na arte de trabalhar o ferro, mantendo ao mesmo tempo em si uma maneira própria para não estar parado, se bem que todos lhe conhecemos uma outra faceta activa de estar sempre pronto e presente para a arte de representar.
Essa grande paixão de representar o tornaram num verdadeiro actor do teatro amador e mais que isso a sua maneira de idealização o tornam mesmo num verdadeiro encenador, sempre pronto e continuando ainda hoje a ser o grande impulsionador, para que o teatro amador de gratas recordações na nossa terra, não morra.
É pois esta virtude e esta característica própria, que levou o nosso amigo António Gomes Dias a transformar também em atracção aquele local onde tem a sua oficina, sempre idealizando, ornamentando e enfeitando aquele recanto mediante a celebração da festa que se aproxima, como por exemplo, a celebração da Semana Santa, Pascoa, Santos Populares, Nossa Senhora da Guia, Natal, enfim, nada parece esquecer fruto da sua ideia imaginativa de viver a vida e as tradições da sua terra.

A oficina do nosso amigo António Gomes Dias naquele recanto da "Rua ou Quelha Escura" é pois um marco como local de trabalho para alguém que quer bem viva em si uma profissão na qual trabalhou toda a vida, ao mesmo tempo, que uniu essa sua oficina a um lugar histórico onde se vive um passado e um presente.
Eis uma quadra de inspiração poética ali colocada numa das paredes de uma casa naquele local, quando a passagem das Festas Populares de Junho passado.

Ó meu rico São João
Ó minha rica doçura
Anda vem dançar
À Quelha Escura

António Gomes Dias na sua oficina

(Registado aqui - Ano de 2010)


Carlos Nunes Melo - A mercearia do "Terreiro do Fundo"

Situada na Rua Viriato no número 39, vamos encontrar a Loja/Mercearia da linhagem "Melo", vindo de longe a existência daquela loja naquele local, estando ainda na memória de muitos quando era o seu proprietário o senhor Eduardo Gomes Melo, na altura estava instalada na casa ao lado.

Nesses tempos passados eram muitas as mercearias espalhadas pela vila de Loriga, umas mais bem localizadas que outras, para serem abastecidas pelas camionetas da mercearia que vinham de fora, a mercearia do "Ti Eduardo Melo" estava enquadrada nas mais mal localizadas, por isso, os abastecedores das camionetas recorriam à garotada para transportar os artigos a partir do Adro até lá, como recompensa para a garotada eram andar de boleia na camioneta, que se estendia muitas das vezes até Alvoco da Serra, onde também iam abastecer.
Com o falecimento do
"Ti Eduardo Melo" com era assim chamado, ficou a tomar conta da mercearia a sua esposa D. Maria do Carmo do "Calado" senhora de visível seriedade que teve a mercearia durante alguns anos. Foi então que passados esses vários anos os seus netos Carlos Nunes Melo e esposa D. Irene adquiriram a mercearia à avó, ficando registada em nome da D. Irene, que passaram a ser e continuam hoje a ser os actuais proprietários.
O nosso amigo e bem conhecido Carlos Nunes Melo, na altura ainda como trabalhador em fábricas de malhas, ocupação profissional durante muitos anos, foi-se ocupando da mercearia nas horas disponíveis, que tanto ele como a sua esposa foram conseguindo manter sempre em pé o seu estabelecimento, que dessa forma vai servindo uma clientela na maioria moradores nessa parte histórica da vila de Loriga.
Vamos pois chamar a
"Mercearia de Bairro" de gratas recordações, onde o Carlos Nunes Melo a partir de algum tempo então, passou a ter nela a sua actividade a tempo inteiro, tendo a preocupação de acompanhar os tempos modernos, por isso se inserir em ter a sua Loja na linha de orientação de mini-mercado, que dessa forma parece já nada ter a ver com os tempos de outras eras.
Hoje esta
"Mercearia de Bairro" no "Terreiro do Fundo" é de certa forma um pequeno mini-mercado, um ar disso mesmo imposto pelo Carlos Melo, que se não quis quedar nas recordações dum passado, que ao contrário disso quer acompanhar o presente.
A Loja da dinastia
"Melo" como que parecendo escondida é pois um passado no presente, bem apetrechada e onde nada parece faltar, onde a continuidade da geração "Melo" continua firme e a resistir aos tempos, esperando por todos naquela sua casa, numa maneira própria de bem servir que vem de longe.
A mercearia do "Terreiro do Fundo" naquele local situado na Rua Viriato, contínua presente no tempo e nas recordações, independente de ter sido na actual casa ou na casa do lado, o que conta é que continua hoje a ter pedaços de história num local pitoresco de uma Loriga histórica.

(Registado aqui - Ano de 2010)


A linhagem da família Cristóvão da Teixeira em Loriga

A família "Cristóvão" oriunda da Teixeira é uma referência em Loriga no enquadramento comercial e transporte (Taxis), que nos leva a registar na nossa história a genealogia de uma família que foi, é e continua a ser uma referência de renome numa terra que um dia escolheram de opção, decorria então o princípio da década de 1950, quando o primeiro ramo da árvore genealógica "Cristóvão" (primos) da Teixeira, se instalou em Loriga, ou seja António Cristóvão Pereira que vamos referenciar como (1) e depois mais tarde a chegada de outro ramo, os irmãos João e António Cristóvão Pereira que vamos referenciar como (2).

(1)
- António Cristóvão Pereira -

- António Cristóvão Pereira deixou a Teixeira sua terra natal nos princípios da década de 1950, foi na verdade o primeiro a fixar-se em Loriga ao estabelecer-se na rua hoje chamada Cónego Nogueira, quando adquiriu a mercearia e a taberna do senhor "Dinis" marido da senhora Maria de Jesus do "Dinis" que depois do falecimento do seu esposo viria a casar em segundo casamento com Emídio Fernandes Conde.
António Cristóvão casado com Natividade dos Santos, eram um casal de bem, respeitadores e de uma honestidade extrema, virtudes que lhes permitiu ao longo da vida granjear a estima e admiração da gente de uma terra, que não sendo a deles, pareceu desde logo quando chegaram escolherem Loriga como sua segunda terra de adopção.
Empreendendo a sua vida dedicada ao comércio, era bem visível uma vida de muito trabalho atrás do balcão, como assim exigia uma mercearia e uma taberna, quase sem tempo para mais nada, que no entanto, era bem visível também no "Ti António Cristóvão" como assim o chamavam, a sua sempre disponibilidade a qualquer hora a qualquer momento, naquilo que estava ao seu alcance.
Certo que todo essa sua vida de trabalho foi tendo o seu proveito. Foi adquirindo espaços nas casas adjacentes, vindo mais tarde a abrir um café que o povo cognominou por "Escondidinho" decorria então os finais da década de 1960, expandindo dessa forma a sua actividade comercial. Era de facto de relevo como conseguia ao mesmo tempo dar a assistência aos três balcões, se bem que na altura da abertura do seu café, começou então a ter a colaboração dos seus filhos.

António Cristovão Pereira
o pioneiro da família Cristóvão
da Teixeira em Loriga

Parece que ainda o estamos a ver atrás dos seus balcões numa agilidade impressionante, nunca prescindindo do seu lápis sempre atrás da orelha para fazer as contas, sempre também com o seu sorriso aberto unido na sempre boa disposição que era contagiante para os seus fregueses, que permitia também ao mesmo tempo ser um conversador nato, que valia a pena escutar.
Tinha um olhar virado para o futuro, parecendo querer legar aos seus filhos o mesmo espírito empreendedor no ramo comercial, alias, disso se deu conta com o seu filho Emídio ao ter esse mesmo espírito complementado com uma visão progressiva, em que hoje o seu Mini-Mercado o "Loriguense", é uma referência comercial em Loriga, ao mesmo tempo que deixa trespassar bem a ideia demonstrativa de tradição, ao enquadrar naquele local o meio comercial como sempre ali se conheceu.
António Cristóvão Pereira faleceu em 1998 com a idade de 76 anos, três anos depois faleceu a sua esposa Natividade Santos, em 14.8.2001. Os seus corpos regressaram então à Teixeira, para ali serem sepultados na terra que os viu nascer. Ficando Loriga mais pobre ao verem
desaparecer pessoas que sendo de outra terra foram marcantes na sua história.

Mini-Mercado o "Loriguenses"

(Registado aqui - Ano de 2010)


(2)
- João Cristóvão dos Santos e António Cristóvão Pereira -

- João Cristóvão dos Santos e seu irmão António Cristóvão Pereira deixaram um dia a Teixeira sua terra natal, não sendo preciso viajar muito para se fixarem em Loriga. O João Cristóvão na altura era já motorista das camionetas da carreira que actuavam na região, decorria então o ano de 1962, quando em Abril desse ano por trespasse adquiriu o Café "Montanha" que na altura pertencia ao senhor Carlos Nunes Pina.

Apenas havia dois cafés em Loriga localizados no mesmo local popularmente chamado por "Praça" (hoje Rua Sacadura Cabral) este o Café "Montanha" e o Café "Neve" do senhor José Maria Pinto. Na altura era notória uma certa separação de classes, enquanto o Café "Montanha" era frequentado pela classe média e baixa, o Café "Neve" por sua vez era apenas e só frequentado pela classe alta, uma elite de patrões, empresários e pessoas chamadas de abastadas.

Fotos do café "Montanha" na rotina do passado e o presente

João Cristóvão

Os irmãos "Cristóvãos" tiveram na altura uma visão comercial bem definida, como se disse, o café na altura foi adquirido pelo senhor João Cristóvão dos Santos, era motorista das camionetas da carreira e tinha já uma certa experiência, não ficando por aqui lançou-se na aquisição da concessão de um lugar na praça de Táxis de Loriga, passando o seu irmão António Cristóvão a ser parte integrante nesse projecto, que juntos passaram a por em prática numa idealização de desenvolvimento a nível de transportes e também comercial.
A expansão no ramo de negócio era bem demonstrativa e determinada, o café prosperava e os táxis mais ainda, o senhor João Cristóvão em princípio, apenas se dedicava aos táxis nos dias e horas livres, pois continuou ainda algum tempo na sua profissão de motorista das camionetas, para depois alguns anos mais tarde passar a dedicar-se a tempo inteiro à praça de táxis. Criaram postos de trabalho com a contratação de motoristas para as viaturas que entretanto foram adquirindo.
O senhor António Cristóvão dedicava-se mais ao café, mas também muitas das vezes disponível para conduzir os táxis. O café dos "Machaqueiros" como se passou popularmente a chamar ao café "Montanha" passou a ser uma referência em Loriga onde os irmãos "Cristóvãos" numa sempre presente visão de progresso, equiparam aquele espaço com o telefone público muito importante na época e depois com a máquina do Totoloto, ainda hoje o único local em Loriga com a concessão das máquinas da exploração dos jogos da Santa Casa da Misericórdia.
Mais tarde os "Cristóvãos" sempre na onda comercial, abriram como complemento ao café, uma mercearia também de certa forma numa expansão comercial mais alargada, que ao mesmo tempo foi um equipamento mais para Loriga, neste género de venda dos artigos de primeira necessidade.

D. Aida Jesus M.N, Cristóvão esposa de
António Cristóvão (falecido 2002)

Com aquisição de casa senhorial da "Dona Prazeres" como assim se chamava e situada muito perto do café primitivo, foi a continuação para uma escalada ainda muito mais alargada num olhar de futuro, em que com abertura do café o "Degrau" e com a criação de pensão a nível de dormidas e comida, veio na altura preencher um espaço de carência em Loriga. Anos mais tarde foi colocado de parte o projecto a nível de pensão, dormidas e comidas e, pelo meio a exigência de muitas obras de restauro, foi o café o "Degrau" concebido para o futuro, hoje em dia de uma elegância bem moderna o tornam num dos mais conceituados cafés existentes em Loriga.
A expansão dos
"Cristóvão" (2) foi e mesmo hoje é bem visível essa continuação da realidade de ampliação, fruto das gerações que tanto a nível comercial como de transporte (Táxis) continua dessa forma a manter uma das infra-estruturas bem firme e bem conceituada em Loriga, talvez a ideia sempre presente, desde o dia que chegaram à terra de opção dos seus progenitores, em que o João Cristóvão ainda bem presente entre nós, apesar da idade continua ainda hoje a ser um visionador atento, já sem ter presente o seu irmão António Cristóvão Pereira falecido em 2002 em Seia, após doença prolongada, terra onde veio a ser sepultado.

O café o "Degrau" na senda do presente e da modernização

A Praça (Táxis) e a rota da expansão

(Registado aqui - Ano de 2010)


Primeiros anuncios publicitários relacionados a Loriga

Foi a partir da metade do século passado, que se começou acentuar a publicidade relacionada a Loriga, concretamente e exclusivamente à industria e comércio. Até então e talvez rara excepção, em que um ou outro anuncio publicitário foi conhecido num ou noutro jornal da região, não restam dúvidas que a partir de 1950, qualquer publicação relacionada a Loriga que era feita, os anúncios passaram a ser temas correntes, que depois se vieram a tornar muito mais usuais nomeadamente nos jornais e outras publicações, que entretanto, foram aparecendo pela região e até pelo país.
Pelo valor histórico que representa, aqui se documenta alguns dos anúncios relacionados e que numa maneira própria eram únicos e exclusivamente relacionados à indústria (fábricas) e ao comércio (casas comerciais).

*****










(Registado aqui - Ano de 2002)


O Passado no Presente *

I
Recordar o passado
É viver o presente.
Sentir como reais
As sensações emocionais
Que nos fizeram gente.

II
As montanhas de hoje
São na verdade iguais
Às que nos anos 50
Rodeavam a nossa terra,
Uma estrela da serra.

III
Acumula-se nelas o mato
Qu´agora não vão cortar.
As cordas e os podões
Pertencem a gerações
Qu´envelheceram a trabalhar.

IV
As mulheres daquela época
Casavam para procriar.
Era uma alegria, um presente
Ver ruas cheias de gente,
Crianças sempre a brincar.

V
Tanta gente a nascer
!
Nenhum com hora marcada.
Com grande dedicação
A Constança lá acorria
Para cortar o cordão.

VI
Nos registos de baptismo
Vemos com grande emoção
Os elevados números
De bebés recém-nascidos
Que à igreja eram trazidos.

VII
Uma educação religiosa
Pelo Padre Prata orientada.
A primeira comunhão,
As novenas, o mês de Maria
Tudo fazíamos com alegria.

VIII
Tocava o sino de mansinho
Era a hora de parar.
As Ave-Marias ao meio-dia
À tarde, voltava a tocar
Unindo todos no mesmo orar.

IX
O sino todos chamava
Tocava para a doutrina
Ninguém se podia esquecer.
De catecismo na mão
Todos queriam aprender.

X
Se o sino tocava a rebate
Juntava a população.
Todos juntos ajudavam
Nesta hora de aflição
Com baldes de mão em mão.

XI
A escola estava dividida
Um professor para os rapazes.
Uma professora para meninas.
Nada se podia misturar,
Era importante aprender e trabalhar.

XII
Toda a criança brincava
Puxando pela imaginação.
A camioneta de cordas,
O Azeite dos cachilros
Rebolos de mão em mão.

XIII
Bonecas de trapo e papelão,
De casquilho com olhos de mexer.
Os saltos ao pula
uma
Tábua nas carretas a deslizar
O rodízio no gancho a rodar.

XIV
As piscinas naturais,
No Zé Lages, na Curilha.
Mergulhos fenomenais!
Toda a criança aprendia
Mesmo fugindo aos pais.

XV
Carquejas e mais floridas
Maio estava a anunciar.
As crianças divertiam-se
A ver os grilos espreitar
P´ra na caixa de fósforos guardar.

XVI
Tocava ao mês de Maria
Ninguém podia faltar
Era uma grande melodia.
Com muito fervor cantavam
E os grilos participavam.

XVII
O Grupo, Socorro, Sindicato
Lugares de reunião.
Muitos iam até lá
Para ver televisão,
Um luxo da ocasião.

XVIII
Nas levadas e ribeiras
Ia correndo o sabão.
Nas pedras arredondadas
As roupas eram coradas
Bem batidas com a mão.

XIX
O giro da água passava
Rego abaixo a correr.
Toda a pequenada vivia
A compensada alegria
Do barco de corcódoa fazer.

XX
A água fonte da vida
Os campos ia regar.
Um cheiro nauseabundo
Um eléctrico passava
Sem se fazer anunciar.

XXI
Das fontes a água brotava
Fresca e cristalina.
Para a poder transportar
O cântaro e a rodilha
Era preciso utilizar.

XXII
Os campos todos lavrados
Não tardavam a verdejar.
Espigas de milho assadas.
Outras eram desbulhadas
Postas na eira a secar.

XXIII
O milho no caroleiro
Partido bem partidinho
Está pronto a escolher,
E com leite a fazer
O famoso carolinho.

XXIV
A tia Adelina moía
No seu moinho o grão
Vamos buscar a taleiga,
Peneirar bem a farinha
Para transformar em pão.

XXV
Batia o padeiro à porta
Pão branco e fresquinho
Por todos era apreciado.
Um cruzado por um pão
Com pano branco tapado.

XXVI
Nos fornos comunitários
A lenha a crepitar.
Amassa o pão meado,
Pão de milho levedado
Vai agora a bailar.

XXVII
Belisco e buraco são sinais
A massa da levedura
Guardada na tijelinha.
Um bolo com uma folha
Bola de bacalhau, ou sardinha.

XXVIII
Vacas leiteiras abundavam
O leite fresco a chegar.
Um quartilho, uma canada
Medida generalizada
A nata vai manteiga formar.

XXIX
A indústria era forte
Tanta gente a trabalhar!
Quando a buzina tocava
O operário regressava
Era hora de descansar.

XXX
Peças e peças estendidas
Grandes meadas na mão.
As râmolas bem coloridas
Mostravam a toda a gente
O trabalho do tecelão.

XXXI
No torno s´amola o aço
Na forja o ferro aquece.
Torneiros e serralheiros
Ma metalúrgica Vaz Leal
Produziam p´ró mercado nacional.

XXXII
Teciam-se peças de malha
De merino ou angorá.
Não era preciso publicidade
O nome de Loriga
Era sinal de qualidade.

XXXIII
Dr. Andrade, Dr Mineiro
Médicos permanentes
Cuidavam bem as maleitas
Bexigas, lombrigas, trasorelho,
Pneumonias frequentes.

XXXIX
Os Invernos tão rigorosos
O frio, neve, gelo, pingente.
As brasas reacendidas
Pelas braseiras repartidas
Aqueciam toda a gente.

XXXV
Nos pés frios e delicados
Botas grossas de carneira
Com sebo d´olanda untadas.
Os tamancos de madeira
Com brochas bem marteladas.

XXXVI
Vamos à limpeza geral
A Páscoa está a chegar.
Os balcões bem roçados
Os cantos escarolados
Para a visita preparar.

XXXVII
Nos fornos tudo se agita
Alguidares, colheres e latas.
Bate o pão-de-ló, bolo negro
As broinhas de cagote
Anda tudo num virote.

XXXVIII
Tocava o sino com qu´a dizer:
Andai, andai, andai
Qu´o padre já lá vai.
Era a hora da cruz beijar
Amigos e parentes visitar.

XXXIX
Cozinheiras afamadas
De paladar apurado
Faziam festas pontuais.
Casamentos, baptizados
Como autênticas profissionais.

XL
A fogueira bem acesa
A Laurinda, Adélia, dos Anjos
Mexiam as caldeiras
O arroz-doce a fumegar
Para com canela decorar.

XLI
Grupo de jovens amadores
Preparavam com dedicação
Rapsódias, peças de teatro,
As melodias de sempre
Aliciando o povo à distracção.

XLII
A escola unificou
E nós pudemos usufruir.
A escola pela televisão
Conseguiu levar mais além
Os da nossa geração.

XLIII
A banda filarmónica
Nosso ex-libris cultural
Clarinetes e trombones
Continuamos a ouvir
Seus sons repercutir.

XLIV
As loas à Sra. da Guia
Já ecoavam no ar.
Cantavam ao desafio
Enquanto se ocupavam
Das lides a realizar.

XLV
O dia da festa chegava
Grande fé e devoção.
Os beijinhos, as medalhas
Em açúcar confeccionados
Eram a nossa tentação.

XLVI
No largo do Sto. António
O palco estava montado.
Estalejavam foguetes no ar,
As grandes Festas da Vila
Estavam prontas a começar.

XLVII
Ir até ao Portugal
Cantar serenatas ao luar
Era para todos um prazer.
Entre gargalhadas afinadas
Misturavam-se gargalhadas.

XLVIII
Juntavam-se na praça
No Cristóvão ou Zé Maria
Uns momentos bem passados,
Com um joguinho de bilhar
E um pirolito a finalizar.

XLIX
Se recordar é viver
Posso então afirmar.
No meu tempo de menina
Era tudo bem diferente
Do que é actualmente.

L
Esta Loriga qu´eu amo
Hoje está adormecida.
Loriguenses, despertai!
A nossa Terra não cai
Se todos lhe dermos vida

* Eugénia Moura (Maio 2005) - Homenagem aos Nascidos em 1955 -

(Registado aqui - Ano de 2005)


E f e m é r i d e s

Aqui documenta-mos algumas datas que podemos considerar relevantes na história de Loriga e, que temos por dever perpetuar.

Janeiro

-Ano 1838:- A 2 de Janeiro nasceu em Loriga o Sr.Doutor António Mendes Lages.

-Ano 1923:- Criado em Loriga a Associação Católica de Operários e Artistas, tendo sido nomeado como primeiro Presidente Manuel Gomes Leitão.

-Ano 1927:- Começam a surgir neste mês os primeiros doentes da Epidemia, mais tarde detectada como "Tifo Exantemático".

-Ano 1962:- Benzida a 1 de Janeiro a primeira Bandeira da Cooperativa Popular Loriguense.

-Ano 1987:- No dia 2 de Janeiro, meio bilhete do primeiro prémio da Lotaria dos Reis é vendido em Loriga, contemplando várias pessoas.

-Ano 1995:- No dia 4 de Janeiro a Banda Musical Loriguense deslocou-se a Lisboa para actuar no programa "Minas e Armadilhas" gravado pela TV-SIC.

-Ano 2005:- Em 30 de Janeiro realiza-se a inauguração oficial da Casa de Repouso da Nossa Senhora da Guia, pelo Senhor Ministro da Segurança Social, da Família e da Criança, Dr. Fernando Negrão e a celebração solene da bênção das instalações, foi presidida pelo Senhor Bispo Coadjutor da Diocese da Guarda, D. Manuel Felício.

Fevereiro

-Ano 1514:- Em 15 de Fevereiro, D. Manuel I concede o Foral de Concelho a Loriga.

-Ano 1883:- Foram aprovados em 27 de Fevereiro pelo Governador Civil da Guarda, os Estatutos da Irmandade das Almas de Loriga.

-Ano 1910:- Durante o mês de Fevereiro circula pela povoação uma Lista de subscrição na angariação de fundos, para instalar a luz eléctrica em Loriga.

-Ano 1944:- Queda do avião de guerra inglês na "Penha do Gato" em Loriga, na noite do dia 22 de Fevereiro, tendo morrido todos os seus ocupantes (seis) que foram sepultados em Loriga.
-Ainda neste mês de Fevereiro no dia 28 deste ano, morre o Cónego Manuel F. Nogueira, durante muitos anos Pároco em Piodão, onde criou um Seminário.

-Ano 1954:- Fundado em 13 de Fevereiro de 1954, a Cooperativa Popular de Loriga.

-Ano 1966:- Em 17 de Fevereiro é criado em Loriga o Curso Unificado da Telescola, por Portaria Nr. 21113. Foram de inicio matriculados 21 alunos.

-Ano 1969:- Morre a 19 de Fevereiro o senhor Padre António Mendes Cabral Lages.

Março

-Ano 1949:- No mês de Março deste ano, sai o primeiro número do Jornal "A Neve" fundado em Lisboa, por um grupo de Loriguenses.

-Ano 1955:- Fundado em 19 de Março, o Socorro Paroquial de Loriga, uma iniciativa do senhor Padre António Roque Abrantes Prata.

-Ano 1962:- Em 28 de Março, aparece morta uma criança recém-nascida, na Ribeira de São Bento junto à Ponte do Porto.

-Ano 1975:- Em 29 de Março, acontece a primeira actuação do Agrupamento Musical os "Focos" um conjunto musical de Loriga, que teve como cenário o salão da Fábrica de malhas "Pinto Lucas Lda" .

-Ano 1987:- Em 5 de Março é registada em Cartório Notarial e posteriormente publicado no Diário da República, ficando assim concretizado a fundação da ANALOR (Associação dos Naturais e Amigos de Loriga).

Abril

-Ano 1873:- Nasce no Brasil - Pará em 11 de Abril, José Mendes Reis que se veio a notabilizar-se como militar e político e que ficou conhecido por Coronel Mendes Reis.

-Ano 1926:- Em Abril, feito o primeiro Postal Ilustrado, elaborado a partir da foto tirada do recinto da Nossa Senhora da Guia.

-Ano 1927:- Aconteceu em 24 de Abril (quarta-feira) a queda do Coro da Igreja Paroquial, tendo morrido 2 pessoas bem como houve muitas crianças feridas.

-Ano 1933:- Aconteceu no mês de Abril, o acontecimento da Chuva das Estrelas contemplado no céu em Loriga, com receio e panico, que levou muitas pessoas a refugiarem-se na Igreja Paroquial, a rezar.

-Ano 1934:- Em 8 de Abril é fundado o Grupo Desportivo Loriguense.

-Ano 1958:- Em Abril foram concluídas as obras do Mirante de Loriga (Miradouro da Penha D´guia) tal como hoje se conhece, aproveitando-se as rochas salientes alcandoradas sobre o abismo, que já ali existiam.

-Ano 1969:- Em Abril, é colocado o relógio na Torre da Igreja, adquirido com o contributo da população através de uma lista de subscrição pública, elaborada para esse efeito.

-Ano 1981:- Em 22 de Abril morre Constança de Brito Pina, a parteira do povo, que gerações de loriguenses ajudou a nascer.

-Ano 1982:- Em 16 de Abril é fundada Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Loriga, levado a efeito por Loriguenses de evidenciado bairrismos, simbolizados na figura de:- Herculano Leitão (12.8.1914 - 13.4.1997)

-Ano 1994:- Em 24 de Abril perto de Unhais foi assaltado e assassinado o Sr. Professor José Coutinho Cunha natural de Gouveia, casado e a residir em Loriga.

-Ano 1998:- No dia 20 de Abril, morre José Moura Mourita, o carteiro de Loriga durante longos anos, que conseguia fixar na memória o nome completo de toda a população.

Maio

-Ano 1927:- Morre no dia 21 de Maio Dr. Joaquim Augusto Amorim da Fonseca, médio em Loriga, vitima da epidemia "Tifo Exantemático".

-Ano 1958:- No mês de Maio deste ano, voltou novamente a ser publicado o Jornal "A Neve" desta feita como Boletim Paroquial, que passou a pertencer à igreja.

-Ano 1977:- Celebrado o 50 Aniversário do "Tifo Exantemático" com a realização de uma homenagem às vitimas desta epidemia, no Largo do Dr. Joaquim Augusto Amorim da Fonseca em Loriga.

-Ano 1985:- Foi a 4 de Maio ordenado Sacerdote Missionário o Padre Jorge Amaro natural de Loriga, tendo esta ordenação sido realizada em Fátima pelo Bispo da diocese da Guarda, D. António dos Santos.

-Ano 1994:- em 30 de Maio é fundada a Fundação Cardoso de Moura, destinada para fins em prol de Loriga.

Junho

-Ano 1956:- Em 9 e 10 de Junho foi organizada a primeira "Festa Sportinguista" organizada pelos loriguenses simpatizantes deste popular clube.

-Ano 1959:- Em 16 de Junho visitou Loriga o Sr. D. Alberto Guadêncio Ramos, Arcebispo de Belém do Para-Brasil. Tendo celebrado a Santa Missa na Igreja paroquial.

-Ano 1964:- Faleceu em 19 de Junho, Pedro Vaz Leal um dos maiores industrias de Loriga.

-Ano 1979:- Realizado em 25 de Junho um convívio de Loriguenses em Lisboa, com a presença da Banda Musical de Loriga e Presidente da Junta.

-Ano 1989:- Em 4 de Junho é ordenado Sacerdote o Padre Jorge Manuel Lages Almeida, cerimónia que decorreu em Setúbal.
-Em 30 de Junho, Loriga é elevada oficialmente à categoria de Vila, aprovado na Assembleia da República.

-Ano 1989:- Realizado a 19-25 de Junho a 1a. Semana Serrana em Sacavém, organizada pela ANALOR.

-Ano 1996:- Em 1 de Junho é inaugurada a nova sede da ANALOR (Associação dos Amigos e Naturais de Loriga) com os apoios da Junta de Freguesia de Sacavém e Câmara Municipal de Loures, que passou a ficar localizada na Quinta do Património em Sacavém.
-Nesta data é também assinado pelas respectivas Juntas de Freguesia o Acordo de Geminação entre Loriga e Sacavém.

-Ano 2005:- A Banda Filarmónica de Loriga deslocou-se ao Luxemburgo integrada nas comemorações do Dia de Portugal e das Comunidades que se realizaram no Luxemburgo, nos dias 10.11.12 de Junho, sendo esta a deslocação mais longínqua e para fora de Portugal, desde sempre ao longo da sua existência.

Julho

-Ano 1906:- Fundado a 1 de Julho a Banda de Música de Loriga, sendo seus primeiros directores Joaquim Nunes Pina, Mateus Moura Galvão, Augusto Luis de Pina, Augusto Luis Mendes e António Cabral.

-Ano 1909:- Ordenado sacerdote no dia 18 de Julho, o Sr. Padre António Mendes Cabral Lages.

Ano 1924: - Nos dias 26, 27 e 28 de Julho, pela primeira vez na sua história, a Banda de Música de Loriga, desloca-se a Sacavém, onde já despontava uma grande comunidade loriguense naquela localidade, deslocação que se tornou marcante e na altura a viagem mais longe.

-Ano 1937:- Fundado no Brasil em 4 de Julho, o Centro Loriguense do Pará, que ficou instalado na União Comercial do Pará.

-Ano 1952:- Em 25 de Julho são aprovados pelo Bispo da Guarda, os Estatutos do Centro de Assistência Paroquial de Loriga, dando seguimento à sua fundação por iniciativa do senhor Padre António Roque Abrantes Prata.

-Ano 1956:- No mês de Julho a Banda Filarmónica de Loriga, desloca-se a Coimbra às Festas da Rainha Santa Isabel, que juntamente a mais 14 Bandas também convidadas tocaram o Hino Nacional ao senhor Cardeal Patriarca de Lisboa D. Manuel G. Cerejeira.

-Ano 1990:- Em 12 de Julho é fundada a Associação Loriguense de Apoio à Terceira Idade.

-Ano 1992:- Em Julho sai o primeiro número do Jornal "Garganta de Loriga" editado pela ANALOR (Associação dos Amigos e Naturais de Loriga) à primeira edição foi atribuído o Número "0".

-Ano 1993:- Na madrugada do dia 18 de Julho, morre em Lisboa o Padre António Roque Abrantes Prata, um dos párocos mais marcantes na história de Loriga.

-Ano 1995:- No mês de Julho foi publicado no Diário do Governo o Concurso Público para a construção da Escola EB 2, 3 de Loriga.

-Ano 1999:- Em 8 de Julho, a Banda Musical Loriguense desloca-se pela primeira vez para fora de Portugal Continental, mais precisamente à Ilha de S. Miguel Açores.

-Ano 2006:- Realizada em 2 de Julho a celebração oficial das Festividades do Centenário da Sociedade Recreativa e Musical Loriguense.

Agosto

-Ano 1885:- Fundado a 15 de Agosto o Apostolado da Oração em Loriga, era Pároco o Reverendo Manuel Matias dos Santos Figueiredo.

-Ano 1899:- Realizado nos dias 14,15 e 16 de Agosto a Festa da Nossa Senhora da Boa Morte e alusiva à Festa da Passagem do Século.

-Ano 1918:- A Festa da Nossa Senhora da Guia realizou-se no dia 3 e 4 de Agosto, ano em que foi concluída a reconstrução da nova capela.

-Ano 1939:- Este ano, em Agosto, não foi realizada a Festa da Nossa Senhora da Guia, por divergências existentes entre o pároco Sr. Padre Lages e alguns paroquianos.

-Ano 1949:- Em Agosto são elaboradas e publicadas pela primeira vez a Loas da Nossa Senhora da Guia.

-Ano 1959:- No dia 2 de Agosto deste ano, foi ordenado Sacerdote, o Sr. Padre Fernando Santos, tendo para isso se deslocado a Loriga o Sr. Bispo da Guarda, D. Domingos Gonçalves.

Ano 1972:- Em 1 de Agosto dia da Festa da Nossa Senhora da Guia, foi realizada pela primeira vez uma Corrida de Atletismo em honra da Padroeira, organizado pelo FC "Dragões" um grupo de jovens na altura muito activos

-Ano 1977:- em 13 de Agosto morre Carlos Simões Pereira, mais conhecido por "Mestre Carlos" considerado um dos maiores mestre que passou pela Banda de Loriga.

-Ano 1985:- Integrado na Festa de Nossa Senhora da Guia, realizou-se uma competição de Parapentes, com vários atletas entre eles um Loriguense. A aterragem efectuou-se na malhada da Redondinha, ficando na memória de todos uma demonstração de perícia num espectáculo digno de registo e que aconteceu pela primeira vez na Festa da Nossa Senhora da Guia.

-Ano 1988:- No mês de Agosto o senhor Cardeal de Lisboa D. António Ribeiro, visitou Loriga em visita particular e a convite do Senhor Padre Abranches.
-Em 1 de Agosto, foi inaugurado o reconstruído Pelourinho de Loriga, que ficou situado (Largo do Pelourinho) local onde outrora existia

-Ano 1989:- Em 26 de Agosto, foi efectuada a 1ª. Caminhada ao Covão da Areia, em que aderiram muitas pessoas das mais variadas idades, organizada pelo Padre Missionário Jorge Amaro, que em plena serra realizou uma missa numa grande jornada de manifestação religiosa e aventura.

-Ano 1994:- Em 29 de Agosto morre Dr. Joaquim Jorge Reis Leitão, o grande impulsionador da Escola Secundária e mais tarde da Escola EB2 Reis Leitão de Loriga.

Setembro

-Ano 1929:- No dia 15 de Setembro aconteceu em Loriga a "Cheia das Botelhas" assim chamada por as ribeiras terem saído do leito galgando as courelas.

-Ano 1948:- Nos dias 4,5,6,7,8, de Setembro, pela segunda vez, a Banda de Música de Loriga desloca-se até junto da grande Comunidade Loriguense residente em Sacavém, onde ao mesmo tempo fez parte do programa da Festa da Nossa Senhora da Saúde, que ali se realizaram.

-Ano 1950:- Em Setembro deste ano, é fundado em Sacavém o primeiro Rancho Folclórico Loriguense.

-Ano 1953:- Em 20 de Setembro são nomeados os primeiros Corpos Gerentes da Corporativa Popular de Loriga, portanto, quando ainda se estava a dar os primeiros passos para a criação desta Associação e respectiva fundação, que só veio a ocorrer cinco meses depois, portanto a 13.Fevereiro.1954.

-Ano 1962:- Em Setembro a benemérita "Fundação Calouste Gulbenkian" concede ao "Património dos Pobres de Loriga" o subsidio de 15 contos, para a construção de uma casa para pobres.

-Ano 1969:- Em Setembro, morre Emídio Gomes Figueiredo, mais conhecido por "Emídio Correia" o pastor mais velho da Serra da Estrela e que chegou a figurar em Postais Ilustrados.

-Ano 1971:- Em 24 de Setembro ocorre perto de Alvoco da Serra, um grave acidente de viação com a carrinha de transporte da firma Nunes Lda. de Loriga. Morreram 3 pessoas e 18 ficaram feridas, uma das quais com bastante gravidade. Todas estas pessoas trabalhadores da referida firma.

-Ano 1972:- Realizado em Piodão no mês de Setembro uma homenagem do 111 aniversário do nascimento do Sr. Cónego Manuel Fernandes Nogueira, natural de Loriga que durante muitos anos foi pároco naquela freguesia.

-Ano 1977:- Sai neste mês o primeiro número do Boletim "O Loriguense" editado pela Comunidade Loriguense de Belém do Pará - Brasil.

-Ano 1990:- No dia 8 de Setembro é homenageado em Loriga o senhor Padre Prata, dia em que também fazia as suas Bodas de Ouro Sacerdotais.

-Ano 2004:- Em 13 de Setembro começou a funcionar Casa de Repouso da Nossa Senhora da Guia, em principio com apenas quatro idosos internados.

Outubro

-Ano 1855:- Em 24 de Outubro é extinto o Concelho de Loriga.

-Ano 1906:- Sai no dia 28 de Outubro, o primeiro número do Jornal "Echos de Loriga" fundado no Brasil pela Colónia Loriguense no Pará -Brasil.

-Ano 1932:- Realizou-se em Loriga nos dias 27, 28, 29 e 30 de Outubro, o Congresso Eucarístico do Arciprestado de Sandomil, que deslocou a Loriga muitas pessoas.

-Ano 1960:- Inaugurado em 23 de Outubro, a nova Escola Primária, o Edifício Escola de Loriga com 8 salas.

-Ano 1962:- Inaugurado a 14 de Outubro, o Sub-Posto da Guarda Nacional Republicana em Loriga, instalado no Bairro Engenheiro Saraiva e Sousa.

-Ano 1967:- Faleceu em 31 de Outubro, António Cardoso de Moura, deixando como testamento a criação de uma Fundação para gerir todos os seus bens em prol de Loriga.

-Ano 1979:- Em Outubro deixou Loriga, depois de 13 anos de pároco o Sr. Padre António do N. Barreiros.

-Ano 1994:- Nos dias 1 e 2 de Outubro a Banda de Loriga esteve presente no V Encontro de Bandas de Música em Oeiras, organizado pela Banda de Porto Salvo.

-Ano 2005:- Em 29 de Outubro, faleceu António Pinto Ascensão, mais conhecido por "Mestre Ascensão" um dos maiores mestre e compositor de marchas que passou pela Banda Filarmónica de Loriga. Considerado também um dos maiores bairrista das sua terra.

Novembro

-Ano 1882:- Em Novembro deste ano aconteceu o desabamento da Igreja Matriz, após se ter sentido um tremor de terra no mês de Setembro anterior.

-Ano 1912:- É em 15 de Novembro inaugurada a Electricidade em Loriga.

-Ano 1925:- Morre em 25 de Novembro, Augusto Luis Mendes, um dos maiores industriais e beneméritos de Loriga.

-Ano 1941:- Em 19 de Novembro é homenageado em Loriga o Sr. Cónego Manuel Fernandes Nogueira, dia em que foi descerrada uma lápida na casa onde tinha nascido.

-Ano 1961:- Em 1 de Novembro dá-se um grave acidente de aviação em Recife - Brasil, em que perderam a vida os loriguenses José Simões de Pina e sua esposa Laura da Conceição F. Moura Pina, que iam visitar os seus filhos radicados naquele país.

-Ano 1971:- Em 19 de Novembro morre em Lisboa o Sr. Coronel Mendes Reis com 98 anos.
-Em 16 de Novembro deste ano é fundado o Clube dos Metalúrgicos de Loriga, por iniciativa dos trabalhadores da Metalúrgica Vaz Leal

Ano 1996:- Em Novembro é Inaugurada Oficialmente a Escola EB 2.3 Dr. Reis Leitão de Loriga.

Dezembro

-Ano 1851:- No dia 24 de Dezembro morre o pároco Reverendo Sebastião Mendes Simão, natural de Loriga, ficando sepultado ao fundo dos degraus do altar-môr.

-Ano 1882:- Em 8 de Dezembro é elaborada a Acta da sessão sa Irmandade das Almas da Freguesia de Loriga, para aceitação e aprovação da reforma legal dos Estatutos.

-Ano 1940:- Inaugurado a 8 de Dezembro o "Cruzeiro da Carvalha" (Largo do Santo António) evocado ao Oitavo Centenário da Fundação e Terceiro Centenário da Restauração da Pátria.

-Ano 1960:- No dia 4 de Dezembro dá-se uma enorme explosão na casa da senhora Maria dos Anjos Lopes de Brito, situada no Largo Dr. Amorim da Fonseca, que originou graves queimaduras em todo o corpo à senhora dos Anjos mais conhecida por "Tia Ramalha".

-Ano 1962:- No dia 26 de Dezembro aconteceu o incêndio no Socorro Paroquial de Loriga, que ficou totalmente destruído e que ocorreu às quatro da madrugada.

-Ano 1983:- Fundado o Boletim "A Voz da Banda" saindo o seu primeiro número em Dezembro deste ano.

-Ano 1998:- No dia 8 de Dezembro, foi inaugurado o reedificado Cruzeiro da Independência, colocado no local chamado Fonte do Mouro.
-O dia 18 de Dezembro, ficou como data histórica ao ser concedida a adjudicação das obras da Casa de Repouso da Nossa Senhora da Guia.

-Ano 1999:- No dia 28 de Dezembro, morre em Sacavém Mário Gonçalves da Cruz, um dos maiores bairrista de Loriga, sendo de relevo tudo o que fez pela sua terra que tanto amava e que muitas vezes expressou nos poemas que fazia dedicados a Loriga e sua gente.

-Ano 2008:- Em 6 de Dezembro é realizada a assinatura da Escritura pública que dessa forma deu-se assim como fundada a Confraria da Broa e do Bolo Negro de Loriga.


Memórias de Histórias que o Povo contou

O "Monte de São Bento"
Neste monte, existiu outrora, uma capela onde vivia um ermitão que tinha por orago o respectivo Santo e por isso, aquele local, sempre ficou conhecido por São Bento.
Esta capela viria a ruir totalmente e os habitantes de Loriga quiseram levar a imagem para a sua igreja. Surgiu, nessa altura, um contencioso entre Valezim e Loriga, com as populações das duas freguesias a reclamarem para si a dita capela, cada qual dizendo que lhes pertencia, por ficar nas suas águas vertentes.
Um belo dia, o povo de Valezim, querendo fazer valer os seus direitos, deslocou-se à capela arruinada e transportaram a imagem de S.Bento para a igreja local.
Foi então, que se deu um grande milagre! Nessa mesma noite, o Santo fugiu da igreja de Valezim e foi recolher-se na igreja de Loriga, demonstrando a todos, que aquela capela erguida no monte de São Bento pertencia unicamente à localidade de Loriga.

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A Lenda da "Pedra do Ribeiro das Tapadas"
Ainda a claridade da manhã mal despontava sobre Loriga, e já uma carvoeira desta localidade, de farnel à cabeça, se dirigia para o trabalho na serra.
Ao chegar ao sítio chamado "Tapadas", viu sentada, numa grande pedra, uma linda donzela. Ao aproximar-se, esta pediu-lhe de comer, tendo a carvoeira com ela repartido o pouco farnel que levava.
A bela jovem, como recompensa, ofereceu-lhe um cesto coberto com um pano alvíssimo recomendando-lhe, que só visse o seu conteúdo quando chegasse a casa. Continuando o seu caminho, a carvoeira conteve-se durante algum tempo lembrando-se da recomendação mas, ansiosa e curiosa não resistiu mais tempo. Ao levantar o pano, ficou furiosa ao verificar que afinal era carvão que levava no cesto e, de imediato, deitou tudo fora ainda mal refeita da irritação e desilusão que dela se apoderou.
Quando regressou a casa no final do dia, voltando a olhar para o cesto, verificou que no fundo do mesmo se encontravam dois bagos que, de imediato, reconheceu ser ouro. De imediato voltou ao local onde tinha deitado tudo fora, mas nada encontrou.
A "Pedra do Ribeiro das Tapadas", na qual parece estar desenhada uma porta, diz o povo que está encantada e que no seu interior existe muito ouro. Ainda não há muitos anos, houve alguém que a tentou abrir, utilizando para isso pólvora e dinamite das pedreiras, mas apesar de muito tentar, nada conseguiu.

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A Lenda do "Fragão da Pêssega"
Em eras já distantes, vivia nesta região um abastado proprietário, que tinha uma filha muito formosa e de longos cabelos cor de oiro e de faces coradas e aveludadas como as de um pêssego.
Esta donzela enamorou-se de um pastor jovem e esbelto, amores que seriam, no entanto, contrariados pelo pai que, depois de tudo fazer para evitar tal namoro, sem o conseguir, resolveu encantar a filha numa grande fraga que ainda hoje se chama o "Fragão da Pêssega".
A partir de então, o povo começou acreditar que, em determinados dias e noites, a donzela vai tocando os acordes de uma música de melancolia, esperando o seu desencanto, que só poderá ser feito por um pastor serrano jovem e esbelto.

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A Lenda da Serra da Estrela *

O rei ouvira falar num célebre pastor que habitava no alto da serra e que possuía uma estrela única no mundo, com quem conversava todas as noites. Sem hesitar, mandou emissários para que o trouxessem à sua presença.
Quando o velho pastor, um tanto surpreendido, chegou ao palácio do rei este elucidou-o sobre o seu intento. -Ouve, pobre velho!. Dar-te-ei todas as riquezas que quiseres... Farei de ti um homem poderoso para o resto da vida. Em troca quero apenas que me dês a tua estrela.
O velho pastor olhou o rei com desespero. -Pedis o impossível, senhor! A estrela não é minha, é do céu.
Furioso o rei gritou-lhe: -Que importa?.. Eu sei que ela faz o que tu ordenas... se quiseres... ela será minha.
Com uma dignidade que assombrou o monarca, o velho pastor replicou:
-Senhor!.. Prefiro continuar pobre, desprezado, mas sempre com a minha estrela!...
E no mesmo assomo de energia, o velho pastor voltou as costas ao rei poderoso e abalou, de novo, a caminho da serra.
Quando lá chegou, a noite ia já alta. Ele atirou-se para cima da enxerga e mordiscou uma côdea de pão negro. Então, a tal estranha melodia, já muito sua conhecida, desceu do alto e veio sussurrar-lhe aos ouvidos:
-Ainda bem que as riquezas não te tentaram... Ficaria tão triste... Deixei-te passar misérias para te expor ainda mais à tentação, mas confesso que receei muito. O rei ofereceu-te verdadeiros tesouros...
Erguendo-se da enxerga para onde o cansaço do corpo o tinha atirado, o velho respondeu com lágrimas na voz:
-Ouve, minha boa estrela!..Não sei desde quando nos conhece-mos!..Mas quero que fiques sabendo que não poderei viver sem ti, sem a tua presença.
-A estrela explicou-lhe num sussurro, fazendo amainar o vento que corria célere:
-Pois quando morreres, meu bom pastor, podes morrer descansado. Eu aqui te prometo que jamais te abandonarei.
Num êxtase, o pastor encarou a sua estrela. O seu brilho intenso salpicava-lhe os cabelos encanecidos, e o velho, numa voz de profeta, proclamou do alto da montanha:
-Eu te agradeço o que fizeste por mim!.. De hoje em diante esta serra há-de chamar-se para sempre a Serra da Estrela.
E diz finalmente a lenda, que no alto da serra existe, sempre todas as noites, entre as suas irmãs, uma estrela que brilha ainda hoje, duma maneira estranha e diferente.
Ela possui um brilho que derrama reflexos, de saudades e amor sobre a campa desconhecida daquele que foi e continuará a ser o seu Pastor.
* Uma narração de Gentil Marques

(Registado aqui - Ano de 1999)


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